Planalto avalia como positiva ausência de menção ao Brasil em discurso de Trump na ONU

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – O governo do presidente Lula (PT) considerou positivo o fato de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não ter feito menção ao Brasil durante seu discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova York na terça-feira (22), informa o Metrópoles.

Integrantes do alto escalão do Palácio do Planalto avaliavam que o líder norte-americano poderia ter dirigido críticas ao país ou adotado um tom de afago, a exemplo do ocorrido no ano anterior. A principal aposta entre assessores presidenciais era de que o Brasil pudesse ser citado no contexto do combate ao crime organizado na América Latina.

Diante do risco, a equipe diplomática e política brasileira elaborou uma estratégia para antecipar eventuais investidas. O pronunciamento de Lula foi desenhado como uma “vacina” preventiva: como o Brasil tradicionalmente abre o debate geral de chefes de Estado na ONU e é sucedido pelos Estados Unidos, a ideia foi firmar os contrapontos e a defesa da soberania nacional antes mesmo que o chefe da Casa Branca subisse à tribuna.

Durante sua fala, o presidente brasileiro ressaltou que o enfrentamento das facções criminosas deve ser feito com cooperação internacional, rechaçando qualquer tentativa de ingerência externa ou perda de controle sobre instalações militares e fronteiras. “Não precisamos de porta-aviões em nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime”, declarou o presidente, referindo-se diretamente à proposta que entregou em mãos ao próprio presidente norte-americano.

Na sequência, Trump discursou e concentrou suas investidas na América Latina. O republicano equiparou cartéis de drogas a grupos terroristas e afirmou que autorizou as Forças Armadas dos EUA a “eliminar” essas estruturas desde seu retorno ao poder. O alvo direto das críticas foi o México, classificado por ele como o “epicentro” das facções armadas, sob cobranças para que a presidente Claudia Sheinbaum “retome o controle de seu território”. Trump também celebrou a operação na Venezuela que sequestrou Nicolás Maduro e sustentou ter desmantelado o comando do grupo Tren de Aragua.

Paralelamente aos discursos na ONU, a declaração conjunta do grupo “Escudo das Américas” — coalizão liderada pelos EUA e integrada por 14 países da região, sem a participação do Brasil — classificou 24 organizações criminosas como narcoterroristas, incluindo as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). O documento estabelece sanções financeiras, restrições de visto e ações punitivas conjuntas.

O Palácio do Planalto enxerga a medida com preocupação no longo prazo. Na avaliação de diplomatas brasileiros, a rotulagem pode servir de pretexto para ampliar a presença estratégica dos Estados Unidos na América Latina, afetando áreas sensíveis como o controle de minerais críticos, terras raras e a contenção dos investimentos de potências como China e Rússia na região.

Ao contrário do ano passado, quando se encontraram nos bastidores e Trump declarou ter uma “excelente química” com o brasileiro, desta vez não houve agenda entre os dois líderes nem pedido formal de reunião bilateral por ambas as partes. A passagem de Lula por Nova York foi rápida devido aos compromissos da campanha eleitoral no Brasil. Antes de embarcar de volta ao país, o presidente brasileiro esteve com o secretário-geral da ONU, António Guterres, além de ter se reunido na véspera com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o senador norte-americano Bernie Sanders.

Fonte: Brasil 247

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