Brasil, Turquia e Irã cobram reforma da ONU contra Trump e Netanyahu

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Por Hiroshi BogéaOpinião em Pauta

Henrique Acker –   Depois do discurso do presidente Lula e do líder turco Recep Erdogan, foi a vez do presidente do Irã rebater as palavras ameaçadoras de Donald Trump na 81ª Assembléia Geral da ONU. Masoud Pezeshkian usou da palavra na quarta-feira, 23 de setembro, enquanto a delegação dos EUA se retirava do plenário.

Pezeshkian declarou que “(O presidente dos EUA, Donald Trump) deve saber que a resiliência do povo iraniano só aumentará diante das sanções, da crescente pressão e da intimidação cada vez maior. Nunca baixaremos a cabeça ou nos ajoelharemos”.

Em seu discurso, o líder iraniano responsabilizou os governos dos EUA e de Israel pela morte de dezenas de meninas numa escola bombardeada em Minab, no Sul de seu país. Masoud Pezeshkian também acusou Donald Trump de “terrorismo” pelo assassinato do então líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Ameaças de Trump

Em relação à guerra dos EUA e Israel no Golfo Pérsico, o presidente dos EUA declarou em seu discurso de 22 de setembro que avalia a opção de “aniquilar” o Irã, apesar de elogiar a retomada de diálogos pela busca de uma solução para o conflito entre Teerã e Washington.

Trump também ameaçou intervir diretamente na América Latina, sob o pretexto de combater grupos narcotraficantes na região. “Se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para garantir os interesses nacionais vitais dos EUA”, disse.

Numa crítica à decisão recente adotada por países da Europa de não comprar mercadorias de áreas ocupadas por colonos israelenses em terras palestinas, Trump afirmou que o reconhecimento de um Estado Palestino seria uma recompensa ao Hamas por atrocidades como as do 7 de outubro de 2023. Vale lembrar que 156 dos 193 estados-membros da ONU já reconhecem oficialmente o Estado da Palestina.

Autoridade Palestina proibida de entrar nos EUA

Até aqui, nenhum discurso de representantes de outros países foi tão incisivo e desafiador à política do governo Trump quanto os dos líderes do Brasil, Turquia e Irã.

Lula criticou a fragilidade do Conselho de Segurança e o poder de veto de seus membros na ONU, alertando que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”, numa alusão às pretensões do governo dos EUA de intervir militarmente, como fez na Venezuela.

Em seu discurso, Lula ressaltou que os membros da ONU são chamados a optar entre “multilateralismo ou unilateralismo; democracia ou extremismo; soberania ou subordinação”.

Já o presidente da Turquia decidiu denunciar o massacre promovido por Israel na Palestina. Erdogan definiu a Faixa de Gaza como “o campo de concentração mais desumano e vergonhoso de nosso tempo”.

O líder turco condenou a decisão de Trump de proibir a entrada de Mahmoud Abbas no EUA, impedindo o presidente da Autoridade Palestina de participar na Assembleia Geral da ONU.

Vaias para Netanyahu

A manifestação mais incômoda foi a saída de delegações, além de vaias durante o discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O governante israelense atacou a ONU como uma organização parcial na condenação a Israel pelo massacre dos palestinos em Gaza.

Num vídeo produzido com ajuda de Inteligência Artificial e publicado no dia anterior, o governo de Israel comparou os países que criticam sua política a “papagaios”. A 81ª Assembleia Geral da ONU, aberta em 22 de setembro, segue até 28 de setembro na sede da Organização, em Nova Iorque (EUA).

O tom ameaçador de Trump na Assembleia da ONU certamente não será o mesmo no encontro que terá com o líder chinês, Xi Jinping, de 23 a 25 deste mês, em Washington. Os dois presidentes discutirão comércio, tarifas, terras raras, inteligência artificial, Taiwan, Irã, Ucrânia e outras questões da relação entre China e EUA. (Foto: Reprodução)

Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações da CNN Brasil, BBC Brasil, Exame, Metrópoles e Carta Capital. 

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Fonte: Opinião em Pauta

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