EUA e China concordaram em prorrogar trégua comercial até 10 de janeiro, diz Bessent

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Por Paulo EmilioBrasil 247

247 – Estados Unidos e China concordaram em prolongar por dois meses a trégua na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, levando o entendimento até 10 de janeiro. O anúncio, segundo a Bloomberg, foi feito nesta quarta-feira (23) pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, após uma nova rodada de negociações com o vice-premiê chinês He Lifeng.

A decisão ocorre durante a visita de Estado do presidente da China, Xi Jinping, aos Estados Unidos e enquanto Washington e Pequim tentam avançar na construção de um possível acordo econômico mais abrangente.

Bessent afirmou à Fox News que ainda não é possível saber se as negociações resultarão em um novo pacto entre as duas potências ou apenas em outra prorrogação do entendimento atualmente em vigor. “Não sei se será possível fechar um acordo maior. Não sei se vamos simplesmente prorrogar o acordo atual”, afirmou.

Trégua suspende parte das medidas comerciais

O entendimento entre Washington e Pequim foi anunciado durante uma cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping em Busan, na Coreia do Sul, e estabeleceu uma trégua de um ano na disputa comercial.

Entre as medidas suspensas estão algumas tarifas, restrições à exportação de terras raras e tarifas elevadas cobradas de embarcações construídas ou pertencentes a empresas chinesas que fazem escala em portos dos Estados Unidos.

Apesar da decisão de estender a trégua, Bessent afirmou que Washington considera que Pequim ainda não cumpriu integralmente algumas das obrigações assumidas.

“Há algumas obrigações que não foram cumpridas perfeitamente pelo lado chinês”, declarou o secretário, sem especificar quais compromissos estavam pendentes.

Agricultura permanece no centro das negociações

As compras chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos são um dos temas das conversas entre os dois governos.

De acordo com Bessent, a China foi “muito abrangente” nas aquisições de soja norte-americana neste ano, mas está “um pouco atrasada” em outros compromissos relacionados ao setor agrícola.

“Estamos incentivando-os a cumprir essas obrigações”, afirmou.

O secretário do Tesouro também indicou que as reuniões entre Trump e Xi poderão resultar em anúncios relacionados ao setor de serviços financeiros e à aquisição de produtos agrícolas norte-americanos pela China.

“Então, há bastante coisa acontecendo”, disse Bessent.

As negociações também abrangem uma possível redução das tarifas aplicadas a determinados produtos, entre eles embarques norte-americanos de energia e itens agrícolas, além de insumos chineses utilizados por fabricantes.

Segundo Bessent, uma das propostas em discussão prevê reservar US$ 30 bilhões para cada lado — Estados Unidos e China — em exportações que ficariam isentas de tarifas.

Inteligência artificial entra na pauta

Além do comércio, Washington e Pequim passaram a discutir mecanismos de cooperação relacionados aos riscos da inteligência artificial.

Bessent e He Lifeng se reuniram em Nova York no fim de semana como parte dos preparativos para a cúpula e realizaram uma sessão adicional, que inicialmente não estava prevista, em Washington nesta quarta-feira.

Após a reunião de domingo, Bessent afirmou que as duas partes concordaram em ampliar o diálogo sobre inteligência artificial. Uma das possibilidades em análise é a criação de um mecanismo de notificação sobre ameaças compartilhadas.

Os dois governos ainda trabalham para estabelecer quais situações seriam consideradas suficientemente perigosas para acionar esse mecanismo.

Entre os riscos mencionados pelo secretário estão agentes de inteligência artificial fora de controle e o eventual emprego da tecnologia por atores não estatais em operações cibernéticas ou atividades envolvendo agentes biológicos.

“Ainda não foi definido, mas também espero que possamos conversar sobre quaisquer incidentes que tenham ocorrido, especialmente aqueles que tenham ultrapassado as fronteiras nacionais”, afirmou Bessent.

Trump e Xi discutem próximos passos

A extensão da trégua foi anunciada no momento em que Xi Jinping iniciava sua visita de Estado aos Estados Unidos, colocando as relações econômicas entre Washington e Pequim no centro das atenções.

Questionado sobre o que Donald Trump poderia obter das reuniões com o presidente chinês, Bessent afirmou que os Estados Unidos “provavelmente” poderão ver anúncios relacionados aos serviços financeiros e a novas compras de produtos agrícolas.

Fonte: Brasil 247

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