Indústria e pequenos negócios buscam integração para elevar produtividade no país

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Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – A aproximação entre grandes indústrias e pequenos negócios pode ampliar a produtividade, facilitar o acesso ao crédito e fortalecer cadeias produtivas no Brasil, segundo representantes do setor produtivo e do governo reunidos nesta quarta-feira (23), em Brasília. Entre as prioridades discutidas estão a melhoria do ambiente de negócios, a revisão de regras que dificultam o crescimento das empresas e a ampliação da participação das micro e pequenas companhias no mercado externo e nas compras públicas.

As propostas foram apresentadas durante o 10º Seminário Pense nas Pequenas Primeiro, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Sebrae. As informações são da Agência Sebrae de Notícias (ASN). De acordo com dados do Sebrae baseados em registros da Receita Federal, o Brasil tinha 24,6 milhões de pequenos negócios em julho, equivalentes a 93% das empresas existentes no país.

O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, defendeu uma estratégia conjunta para integrar os pequenos empreendimentos ao processo de desenvolvimento econômico e às cadeias industriais.

“É muito importante essa construção conjunta pensando nas micro e pequenas brasileiras para podermos avançar na nossa economia. Estamos diante de um desafio de tornar o Brasil realmente em um país desenvolvido. Somos uma nação empreendedora, com cerca de 80 milhões de pessoas que estão no mercado ou desejam empreender”, afirmou.

Crédito e simplificação entram no centro da agenda

Além da ampliação do crédito, a discussão colocou entre as prioridades a redução da burocracia e a criação de condições para que pequenos negócios possam crescer sem enfrentar obstáculos adicionais à medida que aumentam de tamanho.

Soares destacou que mudanças institucionais realizadas nas últimas duas décadas alteraram o ambiente destinado ao setor. Entre elas está a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, instituída pela Lei Complementar 123, de 2006, que também abriu caminho para a criação do Microempreendedor Individual (MEI).

“A nossa luta é para simplificar cada vez mais o ambiente de negócio para que esses milhões de empreendedores possam exercer seu ofício”, disse.

Segundo o presidente do Sebrae, quase 4 milhões de pequenos negócios foram abertos neste ano. Ele também citou a parceria com a CNI na iniciativa Juntos pela Indústria e a relação dessas ações com a estratégia Nova Indústria Brasil (NIB).

“Queremos avançar cada vez mais nessa agenda com a CNI. É uma atuação integrada para ampliar a competitividade, crédito, ambiente de negócios e os mecanismos de simplificação e apoio ao empreendedorismo. Fazer com que a indústria, que corresponde a 23% do Produto Interno Bruto (PIB), possa contribuir cada vez mais para um país desenvolvido”, afirmou.

CNI defende fortalecimento das cadeias produtivas

O presidente da CNI, Ricardo Alban, apontou a integração entre empresas de diferentes portes como um instrumento para fortalecer o encadeamento produtivo nacional.

“O sucesso se passa pela competitividade e complementariedade. Esse seminário se insere na percepção de valor que as MPE precisam e merecem ter”, declarou.

Alban também ressaltou a importância de investimentos em capacitação e eficiência para que as empresas de menor porte consigam disputar mercados e ocupar mais espaço na cadeia industrial.

“Se uma pequena ou média empresa não se adequa, não busca qualificação, competividade e produtividade, é muito mais difícil competir”, afirmou.

A discussão parte do princípio de que micro e pequenas empresas não atuam de forma isolada na economia. Muitas delas funcionam como fornecedoras de produtos, componentes e serviços para companhias maiores, o que faz da produtividade dessas empresas uma questão também relacionada à competitividade das cadeias industriais.

Governo cita reforma do Simples e estímulo às exportações

Durante o seminário, o ministro do Empreendedorismo e das Micro e Pequenas Empresas, Paulo Pereira, afirmou que o aumento da produtividade deverá ocupar espaço central na agenda para os próximos anos.

“Precisamos melhorar a produtividade desse setor. Os próximos anos terão que marcar esse aprimoramento dos arranjos de produtividade e proporcionar uma reforma do Simples Nacional que corrija as transições e processos distorcidos. Não podemos punir a empresa que cresce”, defendeu.

O ministro também apontou a internacionalização dos pequenos negócios como um dos caminhos para a expansão do setor. A estratégia envolve ampliar a participação dessas empresas nas exportações e criar condições para que elas aproveitem oportunidades geradas por empresas de médio e grande porte.

“Precisamos acoplar um pouco mais essas oportunidades juntos às médias e grandes empresas”, disse.

Outra frente mencionada foi o uso das compras públicas como instrumento de expansão do mercado das micro e pequenas empresas. A medida pode aumentar a demanda por produtos e serviços desses empreendimentos e contribuir para que negócios de menor porte ganhem escala.

Acordo busca reduzir entraves regulatórios

O seminário também resultou em uma iniciativa voltada à redução de obstáculos regulatórios. O Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a CNI firmaram compromisso de cooperação para harmonizar procedimentos de vigilância sanitária.

A iniciativa prevê ainda o aprimoramento e a agilização dos processos necessários para a autorização de funcionamento de micro e pequenas empresas.

A combinação entre simplificação regulatória, crédito, aumento de produtividade e maior integração com grandes companhias constitui, assim, o eixo da agenda apresentada no encontro. A intenção é permitir que os pequenos negócios não apenas ampliem sua participação numérica na economia brasileira, mas ocupem posições de maior valor nas cadeias produtivas e encontrem melhores condições para crescer.

Fonte: Brasil 247

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