STJ nega habeas corpus e mantém ex-vereador Milton Leite preso em São Paulo

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, continuará preso após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitar nesta quarta-feira (23) o pedido de habeas corpus apresentado por sua defesa. Ele é investigado em uma apuração sobre a possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas responsáveis pelo transporte coletivo paulistano.

A informação foi publicada pelo UOL, que apurou que o pedido foi negado na tarde desta quarta. Segundo o sistema do STJ, o habeas corpus estava sob relatoria do ministro Rogério Schietti. Até a atualização da reportagem, o teor da decisão não havia sido divulgado pela Corte.

Leite está preso desde 18 de setembro, quando se apresentou a uma delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A prisão havia sido solicitada pelo Ministério Público de São Paulo e posteriormente determinada pelo Tribunal de Justiça paulista.

A defesa sustentou ao Judiciário que o ex-vereador possui comorbidades e pediu sua libertação. Como alternativa, os advogados solicitaram que ele cumprisse prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. O STJ, no entanto, não acolheu o pedido.

Investigação chegou a Leite por mensagens

As suspeitas envolvendo Milton Leite surgiram no curso de uma investigação que analisou mensagens trocadas entre pessoas apontadas como integrantes ou ligadas ao PCC. Segundo o delegado Fabrício Intelizano, da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), os investigadores encontraram conversas de WhatsApp nas quais o nome do ex-presidente da Câmara aparece associado a discussões sobre o setor de transporte.

Em um dos diálogos citados pela investigação, um homem apontado como integrante da organização criminosa afirma a outro interlocutor que havia falado com o advogado Milton Milreu e que seria necessário “envolver o Milton Leite para resolver a questão”. Em outro trecho, o mesmo investigado demonstra preocupação em comunicar Leite sobre acontecimentos relacionados à empresa UpBus.

De acordo com o Ministério Público paulista, Leite é investigado como possível articulador político de decisões relacionadas ao setor de transporte público da capital, inclusive envolvendo empresas sob apuração. Os investigadores avaliam que uma das conversas interceptadas pode estar relacionada à substituição da UpBus por outra companhia. Leite nega as acusações e qualquer ligação com o PCC.

A Polícia Civil também registrou depoimentos de policiais militares segundo os quais Leite seria o verdadeiro proprietário da Transwolff, uma das companhias que estão no centro das investigações. O ex-vereador nega ser dono da empresa.

Polícia aponta possível controle do PCC sobre 12 empresas

A apuração ganhou dimensão maior após a análise de aparelhos eletrônicos apreendidos pelas autoridades em operações realizadas entre 2024 e 2025. Segundo o delegado Fabrício Intelizano, os dados indicariam uma possível presença organizada da facção criminosa em parte expressiva do sistema de ônibus de São Paulo.

“Com a análise desses dispositivos que foram aprendidos ao longo de 2024, 2025, hoje nós identificamos aí uma possível infiltração, se é que a gente pode dizer assim, do crime organizado em empresas de transporte público. Nós identificamos aí 12 empresas de transporte que teriam movimento direto com o primeiro comando da capital, que seriam controladas direta ou indiretamente por essa organização criminosa”, afirmou o delegado.

Segundo o Ministério Público, 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da cidade estariam, em tese, sob controle direto ou indireto do PCC, por meio de representantes ou pessoas utilizadas como laranjas.

Apuração remonta ao início dos anos 2000

As investigações sobre a presença do crime organizado no transporte paulistano alcançam episódios ocorridos há mais de duas décadas. De acordo com o Ministério Público, os antecedentes remontam ao período em que antigas cooperativas formadas por perueiros passaram por regularização e posteriormente deram origem a sociedades empresariais.

Em 2002, Antônio José Muller Júnior, conhecido como Granada e apontado pelo MP-SP como integrante da cúpula do PCC, teria utilizado documentos falsos para assumir a direção da Transmetro, cooperativa sediada em Diadema, na Grande São Paulo. A defesa dele nega qualquer relação com os crimes que estão atualmente sob investigação.

Ao longo dos anos, as apurações deixaram de se concentrar apenas na suspeita de lavagem de dinheiro por meio de empresas de transporte. Os investigadores passaram a buscar também indícios de influência sobre concessionárias, contratos e decisões do poder público, além de eventual utilização de recursos ligados aos esquemas para financiamento eleitoral.

Fonte: Brasil 247

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