O que a inteligência artificial ainda não consegue fazer ao planejar uma viagem

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Por Silvia MeloCatraca Livre

A inteligência artificial já mudou a maneira como muita gente organiza uma viagem. Em questão de segundos, ferramentas digitais conseguem indicar destinos, montar itinerários e selecionar atrações com base nas preferências de cada usuário. Mas, quando a proposta é criar uma experiência verdadeiramente personalizada, há um elemento que, segundo especialistas, continua difícil de reproduzir por algoritmos: a percepção humana.

É nesse ponto que a guia e travel designer brasileira Mel Rolan, que vive em Paris há mais de cinco anos, identifica o principal diferencial de seu trabalho. Para ela, mais do que reunir informações, é preciso entender quem está viajando, quais são suas expectativas e o que aquela experiência representa. “A inteligência artificial é uma ferramenta extremamente poderosa e já faz parte dos meus próprios processos de trabalho. Ela ajuda na pesquisa, na organização de informações e na otimização de algumas etapas do planejamento. Mas, uma viagem não é apenas uma sequência de lugares no mapa. Ela envolve contexto, emoções, histórias e momentos que precisam ser pensados de forma individualizada”, explica.

Especialista em imigração que vive no país há mais de 20 anos indica cidades que unem qualidade de vida, cultura e oportunidades para quem pretende visitar, estudar ou morar na Espanha

Quando conhecer o destino faz diferença

Para Mel, parte desse conhecimento nasce justamente da vivência cotidiana. Uma ferramenta de inteligência artificial pode reunir uma enorme quantidade de textos, imagens e vídeos sobre determinado lugar, mas não experimenta aquilo que descreve. “No fundo, viajar é uma coleção de sensações. É o cheiro de uma boulangerie pela manhã, caminhar por uma ruela charmosa menos conhecida, o frio de janeiro em Paris. Nenhuma inteligência artificial sentiu isso, ela conhece a cidade por fotos e descrições. Eu vivo esse repertório todos os dias, e é ele que uso para pensar cada roteiro”, explica Mel.

Essa diferença começa a aparecer antes mesmo da definição do roteiro. Enquanto uma plataforma tende a responder às informações fornecidas pelo usuário, o trabalho de um profissional especializado envolve também descobrir aquilo que ainda não foi colocado em palavras.

A pergunta que o algoritmo não faz

O motivo da viagem pode mudar completamente a maneira como um roteiro deve ser construído. “Não é a mesma coisa organizar a primeira viagem internacional de uma família com filhos pequenos e organizar a viagem que celebra os 80 anos de um avô. O motivo por trás da viagem muda o ritmo do dia, as prioridades e as pausas necessárias. Uma inteligência artificial não pergunta por que aquela família está viajando”, afirma Mel.

Segundo a especialista, muitas vezes a primeira mensagem enviada pelo cliente não revela sua principal preocupação. Entre famílias brasileiras que planejam a primeira viagem à Europa com os filhos, por exemplo, um dos receios mais comuns é cometer erros de logística, desperdiçar tempo ou deixar de viver momentos que haviam imaginado para aquela viagem. “Isso não aparece em nenhuma busca. Aparece na conversa, na escuta, no acompanhamento de cada família.”

Detalhes que não aparecem nas buscas

Outro diferencial está nas informações que mudam rapidamente e nem sempre chegam aos bancos de dados utilizados pelas ferramentas digitais. Uma atração pode ter menos movimento em determinado dia da semana, uma rua pode estar passando por obras, um restaurante pode ter mudado de proprietário ou um parque pode não ser uma boa escolha depois de vários dias de chuva.

São detalhes aparentemente pequenos, mas capazes de alterar completamente a experiência de quem tem poucos dias para conhecer uma cidade. “São percepções que vou acumulando no dia a dia e que fazem diferença para quem tem poucos dias na cidade”, diz Mel.

Uma profissão em transformação

Na avaliação de Mel, a inteligência artificial não necessariamente elimina o trabalho dos profissionais de turismo. A tendência, segundo ela, é que a tecnologia assuma cada vez mais tarefas operacionais, permitindo que o profissional concentre seus esforços justamente nas etapas que dependem de escuta, c

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Fonte: Catraca Livre

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