Motoryn: Comitiva de bilionário aliado da direita dos EUA esteve em SP a meses da eleição
Por Gabriel Anjos — ICL Notícias
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x
Um grupo ligado ao bilionário norte-americano Peter Thiel esteve em peso em São Paulo em maio deste ano, meses antes do início oficial da campanha eleitoral brasileira. A informação foi revelada pelo jornalista Paulo Motoryn, durante participação no ICL Notícias – 1ª edição desta quarta-feira (23), e também publicada em sua newsletter Noites Húngaras.
Um documento interno do hotel Rosewood obtido pelo jornalista registra ao menos 15 hóspedes reunidos sob a identificação Thiel Capital & Presidio One. A Thiel Capital administra os investimentos pessoais de Peter Thiel, enquanto a Presidio One é uma empresa registrada no mesmo endereço da companhia, em Los Angeles.
“Às vésperas da campanha eleitoral, é importante a gente analisar essa visita e entender quem é Peter Thiel para entender o que está em jogo agora no mês de outubro”, afirmou Motoryn.
Segundo o jornalista, os documentos foram repassados por uma fonte que trabalha no Rosewood, hotel de ultraluxo localizado na capital paulista.
“Há alguns dias eu fui procurado por uma funcionária do hotel Rosewood, que é um hotel de ultraluxo na cidade de São Paulo. Obtive acesso, por meio dessa fonte, a uma série de documentos que comprovam o tamanho da comitiva do Peter Thiel quando ele esteve na cidade de São Paulo em maio”.
“São 15 funcionários que permaneceram por vários dias no hotel, em que a diária é de 15 a quase 20 mil por pessoa, e a justificativa inicial para a vinda foi um evento ligado a uma startup jurídica de que o Peter Thiel é um dos acionistas. No entanto, a permanência dessa comitiva foi muito mais alargada, o que, a partir desses documentos que eu obtive, levanta questões muito importantes sobre os objetivos do Peter Thiel aqui no Brasil”, disse.

Relações políticas de Thiel
Cofundador da Palantir e do PayPal, Peter Thiel mantém há anos atuação política nos Estados Unidos e foi um importante financiador da trajetória política do atual vice-presidente norte-americano, J.D. Vance. Thiel também está ligado ao Rockbridge Network, rede conservadora criada nos Estados Unidos.
No ICL Notícias, Motoryn citou ainda a passagem de Thiel pela Argentina e fez críticas à atuação da Palantir, empresa de tecnologia especializada na integração e análise de grandes volumes de dados e que mantém contratos com órgãos governamentais dos Estados Unidos e de outros países.
“A presença de Peter Thiel na Argentina e sua relação com o governo Milei foram motivo de escândalo por lá, levaram a protestos de rua porque o Thiel não é só mais um bilionário do Vale do Silício que se alinha à ultradireita americana, ele talvez seja o mais perigoso deles. A sua principal empresa tem uma tecnologia superpoderosa de cruzamento de dados e que se coloca a serviço sobretudo do Estado norte-americano, mas também de Israel, fazendo uma espécie de espionagem das populações a partir desse cruzamento massivo de dados que tem em sua empresa”, afirmou.
Motoryn também destacou declarações antigas do empresário sobre democracia e as relações de Thiel com grupos políticos de extrema direita nos Estados Unidos.
“Em 2009, Peter Thiel já disse que não acreditava na democracia, que qualquer forma de conciliar liberdade e democracia era impossível. Ele é o criador e um dos principais financiadores do Rockbridge, que tem uma presença muito forte na campanha do Flávio Bolsonaro, que é um grupo de empresários norte-americanos de ultradireita criado pelo Peter Thiel e pelo J.D. Vance, atual vice-presidente dos EUA”, disse o jornalista.
Eleição brasileira
Ao comentar a presença do grupo no Brasil, Motoryn relacionou a passagem por São Paulo ao contexto da eleição presidencial. Motoryn argumentou que as relações políticas e empresariais de Thiel tornam relevante acompanhar a atuação de integrantes desse grupo no país.
“É essa turma que desembarcou em uma comitiva de peso em um hotel de ultraluxo em maio, faltando poucos meses para o início da campanha eleitoral, em um contexto em que a interferência dos EUA na eleição brasileira não é mais uma hipótese, algo escondido. A gente precisa ficar muito atento à presença dessas figuras aqui”
“A possibilidade de interferência não é o simples fato de Trump reconhecer ou não uma vitória do presidente Lula, faz parte de todo esse ecossistema dos empresários e aristocratas ligados à sua gestão que interferem por meio de suas empresas e atividades aqui no Brasil”, afirmou.
Informações em primeira mão! Siga o canal do ICL Notícias no WhatsApp
Acesso total a mais de 300 cursos, materiais e séries! Seja Membro ICL
Siga e acompanhe as atualizações do ICL Notícias também pelo Google News
Paulo Motorynicl notícias 1ª ediçãoEleições 2026
Relacionados
TSE investiga suposta rede coordenada para ampliar alcance de Flávio Bolsonaro nas redes
Ação da coligação de Lula aponta 1.826 publicações colaborativas envolvendo 492 perfis
PCC resgata documentos e HDs de escritório de Milton Leite: máfia de Chicago em SP
Ex-presidente da Câmara de Vereadores paulistana, amigo de Tarcísio de Freitas, a quem o governador chamava de “lindão”, está preso e tem elo com a máfia dos ônibus
Perfis estrangeiros fazem posts pagos no X sobre suposto favoritismo de Flávio, diz site
Publicações usam dados da Polymarket para apresentar senador como favorito; especialistas apontam conflitos com regras eleitorais
Carregar Comentários
Fonte: ICL Notícias




