Gleisi detona Globo por cancelar debate e favorecer Dallagnol: “uma vergonha, um desrespeito”

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – A ex-ministra e candidata ao Senado pelo Paraná Gleisi Hoffmann (PT) criticou duramente a decisão da RPC TV, afiliada da Rede Globo no estado, de cancelar o debate entre os postulantes ao cargo senatorial que estava agendado para esta sexta-feira (25). A medida da emissora foi tomada menos de 24 horas depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a suspensão da campanha do ex-procurador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, considerado inelegível pela Justiça Eleitoral.

A reação da ex-ministra ocorreu por meio de publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (23), na qual manifestou indignação pela postura da empresa de comunicação. “Eu estava me preparando para debater sexta-feira na Globo com os candidatos ao Senado, quando chegou um aviso que a emissora cancelou o debate. Assim, sem nenhuma explicação. Todo mundo sabe das relações da Globo com o ex-procurador da Lava Jato, que está proibido pela Justiça de fazer campanha e de participar de debates”, declarou Gleisi Hoffmann.

A candidata destacou o viés da decisão, ressaltando que o cancelamento estendeu a punição judicial de um único indivíduo a todos os demais concorrentes que cumprem a legislação. “A emissora estendeu essa proibição a todos os candidatos. Se não tem para ele, não tem para ninguém, certo? Errado. Em primeiro lugar, porque não é justo com os candidatos que são elegíveis perante a lei. Mas está errado principalmente porque fere o direito dos eleitores e eleitoras de ver um debate na emissora que tem a maior audiência aqui no Paraná. A Rede Globo e suas afiliadas já fizeram ou vão fazer debates com candidatos ao Senado nos dez estados com mais eleitores e em muitos outros. Menos no Paraná, o maior estado do Sul e o quinto maior colégio eleitoral do Brasil. Uma vergonha para a Globo/RPC e para nosso estado. Um desrespeito, uma decisão que prejudica todos os candidatos e candidatas. Menos aquele que foi punido pela Justiça”, protestou a ex-ministra.

A decisão da Globo Paraná rompe um acordo firmado previamente com os partidos políticos na tarde de terça-feira (22). Deltan Dallagnol está expressamente proibido pela Justiça de participar de atos de campanha e debates, mas a escolha do canal de cancelar a transmissão na íntegra acaba por blindar o ex-procurador e privar os eleitores paranaenses de acesso ao confronto direto de propostas entre os postulantes regulares.

EU ESTAVA ME PREPARANDO PRA DEBATER SEXTA-FEIRA NA GLOBO COM OS CANDIDATOS AO SENADO, QUANDO CHEGOU UM AVISO QUE A EMISSORA CANCELOU O DEBATE.
ASSIM, SEM NENHUMA EXPLICAÇÃO.
TODO MUNDO SABE DAS RELAÇÕES DA GLOBO COM O EX-PROCURADOR DA LAVA JATO, QUE ESTÁ PROIBIDO PELA JUSTIÇA DE…

— Gleisi Hoffmann (@gleisi) September 23, 2026

Histórico de inelegibilidade e a relação com a emissora

Deltan Dallagnol teve seu mandato de deputado federal cassado em junho de 2023, um mês após o TSE indeferir o registro de sua candidatura referente às eleições de 2022. Na ocasião, a corte eleitoral deliberou, por unanimidade, que o ex-procurador agiu para fraudar a Lei da Ficha Limpa ao pedir exoneração do cargo no Ministério Público Federal com o objetivo de evitar processos administrativos disciplinares no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), nos quais apuravam-se condutas relativas a abuso de autoridade e tentativa de desvio de recursos públicos durante a Operação Lava Jato.

A despeito da declaração de inelegibilidade pelo período de oito anos, Dallagnol vinha mantendo atos de campanha amparado por decisões do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) e manifestações do Ministério Público Eleitoral local. O cenário mudou com a nova deliberação do TSE, que, por maioria de 5 votos a 2, determinou a suspensão imediata de sua campanha, participação em debates e comícios, bem como o bloqueio do recebimento de verbas eleitorais. Os únicos votos divergentes no tribunal superior foram proferidos pelos ministros Nunes Marques e André Mendonça.

A atuação da afiliada da Rede Globo no Paraná evoca o histórico de cobertura da Operação Lava Jato na região, quando a retransmissora atuou como principal canal de divulgação das ações conduzidas por Sergio Moro e pela força-tarefa chefiada por Dallagnol. Revelações trazidas a público pelo veículo The Intercept Brasil e apuradas pela Operação Spoofing demonstraram a proximidade e a troca de informações entre integrantes da força-tarefa e jornalistas da retransmissora paranaense para a realização de vazamentos seletivos direcionados a alvos políticos, com ampla repercussão em telejornais de alcance nacional. O cancelamento repentino do debate do Paraná surge, no cenário político local, como um novo capítulo dessa aliança histórica.

Fonte: Brasil 247

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