Black Friday expõe cinco erros que varejo repete em tecnologia e sistema fiscal

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Por Allan RavagnaniCarta Capital

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Especialista recomenda iniciar testes entre 60 e 90 dias antes da data e validar toda a jornada, do site à nota fiscal, para evitar queda de sistema

O e-commerce brasileiro faturou R$ 4,76 bilhões no dia da última Black Friday, alta de 11,2% sobre a edição anterior. Mesmo com esse desempenho, o varejo ainda comete erros na preparação tecnológica que comprometem a operação justamente no maior pico de vendas do ano.

Além disso, a data registrou alta de 29,8% no número de transações, com mais de 8,5 milhões de operações e pico de 476 transações simultâneas por segundo. Para esta edição, a projeção é de cerca de R$ 14,7 bilhões apenas no e-commerce.

Ainda assim, cinco erros se repetem na preparação de varejistas para a data, e todos têm solução com planejamento.

Quem aponta as falhas é Bernardo Rachadel, diretor de Unidade de Negócio de Varejo e CTO da Zucchetti Latam, multinacional italiana especializada em sistemas de gestão para varejo, indústria e recursos humanos. Segundo ele, a maioria das quedas de sistema em novembro não acontece por acaso: decorre de preparação iniciada tarde demais ou negligenciada.

O primeiro erro, e o mais comum, é subestimar o tempo para identificar e corrigir problemas. A recomendação técnica é iniciar os testes entre 60 e 90 dias antes do evento.

Rachadel explica o motivo do prazo. “Esse prazo não é arbitrário. Na identificação de problemas, o varejista precisa de tempo para solicitar assistência técnica ou até mesmo substituir o serviço e implantar uma nova solução. Em outubro, já não há margem para correções estruturais”, diz o executivo.

O segundo erro é repetir o que funcionou no ano anterior sem testar de novo. A dinâmica do e-commerce brasileiro deixa os cenários imprevisíveis de um ano para outro, e o avanço de quase 30% nas transações entre as duas últimas edições da data ilustra essa volatilidade.

Na avaliação de Rachadel, repetir a operação sem validação é risco evitável. “O volume de acessos, a complexidade das integrações e até as condições de infraestrutura dos fornecedores mudam. O que funcionou em 2025 pode não suportar a demanda de 2026”, pontua.

O terceiro erro surge quando o varejista testa sistemas de forma isolada. “De nada adianta o site aguentar e o estoque não acompanhar”, alerta o CTO da Zucchetti Latam.

Por isso, a recomendação é validar toda a jornada: site ou ponto de venda (PDV), sistema de gestão, estoque, pagamento, nota fiscal e entrega. “É o único jeito de garantir que um problema numa etapa não trave toda a loja. Já vimos casos em que o checkout funcionava perfeitamente, mas o sistema fiscal não emitia documento em volume, travando a conclusão das vendas”, afirma.

Em quarto lugar, o fator fiscal costuma ficar fora do planejamento. A disponibilidade dos sistemas das secretarias estaduais da Fazenda (Sefaz), usados na emissão de documentos fiscais, é a variável de menor controle do varejista, mas exige atenção.

Rachadel afirma que softwares de mercado com alta performance já trazem soluções de contorno. Segundo ele, o varejista deve verificar se o sistema de gestão tem mecanismos para lidar com instabilidades do Sefaz sem paralisar a operação. “Isso precisa estar validado antes de novembro”, destaca.

Já o quinto erro é a ausência de protocolo de contingência para falhas durante a Black Friday, o que amplifica prejuízos. Para Rachadel, o plano B vai além do backup de sistema e exige saber quem acionar, como comunicar o cliente, qual alternativa de venda usar e como retomar a operação com o mínimo de impacto. “Isso precisa estar documentado e testado antes”, orienta.

Além da lista de erros, Rachadel indica três pilares para a preparação tecnológica. O primeiro é contar com sistemas estáveis, de preferência em cloud. Segundo o executivo, a disponibilidade pesa para varejistas em qualquer época do ano. “Aplicações cloud de fornecedores consolidados trazem mais previsibilidade”, reforça.

O segundo pilar envolve a gestão da dependência dos sistemas fiscais. “Aqui mora a variável de menor controle, mas softwares de alta performance já oferecem alternativas para minimizar o impacto de instabilidades externas”, afirma.

O terceiro pilar, ainda segundo o executivo, é humano: o varejo precisa de pessoas bem treinadas e de suporte técnico adequado. “Tanto o usuário que domina o sistema quanto um suporte que responde rápido em momentos de crise habilitam o uso da tecnologia em sua mais alta performance. Sem isso, mesmo a melhor infraestrutura falha”, destaca Bernardo Rachadel.


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Fonte: Carta Capital

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