Trump ameaça intervir militarmente contra rivais no continente

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Por Hiroshi BogéaOpinião em Pauta

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (22), durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que pretende acabar com o que classificou como “interferência externa” no Hemisfério Ocidental. Segundo ele, Washington poderá recorrer ao poder militar norte-americano para defender seus interesses na região.

Em meio à disputa dos Estados Unidos por influência com China e Rússia, Trump disse que seu governo pretende encerrar “décadas de violência, instabilidade e interferência estrangeira” no continente. O presidente citou a atuação norte-americana contra o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela, como exemplo da nova postura de Washington.

“Nossas ações na Venezuela são uma prova de que não permitiremos mais que ameaças contra os Estados Unidos criem uma base de apoio em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental e, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para proteger nossos interesses nacionais vitais”, declarou.

Trump também endureceu o discurso contra organizações ligadas ao tráfico de drogas. Comparou os cartéis ao Estado Islâmico e afirmou que os Estados Unidos estão utilizando suas Forças Armadas no enfrentamento a esses grupos.

“Os cartéis são o Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental. São inimigos em guerra contra a civilização”, afirmou o presidente norte-americano.

Pressão sobre a América Latina

O pronunciamento ocorre em um momento de tensão nas relações dos Estados Unidos com países da América Latina e de críticas de Trump ao papel desempenhado pela própria Organização das Nações Unidas.

Desde que retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump tem questionado organismos multilaterais e defendido uma política externa mais diretamente vinculada aos interesses estratégicos dos Estados Unidos.

Lula responde: “Brasil não é quintal de ninguém”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que discursou antes de Trump, rebateu pressões externas sobre a política de segurança brasileira e afirmou que o Brasil “não é quintal de ninguém”.

Sem citar diretamente Trump, Lula declarou que o país não pretende “terceirizar a responsabilidade” pelo combate às organizações criminosas brasileiras, em meio às pressões de Washington relacionadas ao PCC e ao Comando Vermelho.

“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, afirmou Lula. O presidente brasileiro acrescentou que apresentou aos Estados Unidos uma proposta de cooperação para o enfrentamento ao crime organizado.

O clima de tensão entre os dois governos também ficou evidente no plenário da Assembleia Geral. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, aproximou-se de Lula após o pronunciamento de Trump, mas não chegou a conversar com o presidente brasileiro.

As relações entre Brasília e Washington atravessam um período delicado, marcado pelas divergências sobre a atuação dos Estados Unidos contra organizações criminosas latino-americanas e pelas acusações brasileiras de tentativas de interferência externa no processo eleitoral do país.

O cenário contrasta com a Assembleia Geral da ONU do ano passado. Na ocasião, Trump revelou ter mantido um breve encontro com Lula e afirmou que os dois haviam tido uma “química excelente”.

Um ano depois, o ambiente é outro. No centro das divergências estão os limites da atuação dos Estados Unidos na América Latina e a defesa, pelo governo brasileiro, da soberania nacional diante da nova estratégia de Washington para o Hemisfério Ocidental. (Foto: Reuters)

Por Opinião em Pauta com informações da Reuters

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Fonte: Opinião em Pauta

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