André de Paula: governo considera afastado risco de falta de fertilizantes
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – O ministro da Agricultura e Pecuária André de Paula afirmou nesta terça-feira (22) que o governo considera afastado o risco de desabastecimento de fertilizantes para a safra 2026/27. Segundo ele, a avaliação leva em conta a ampliação da busca por fornecedores no exterior e medidas adotadas para acelerar a entrada dos insumos pelos portos brasileiros.
A informação foi publicada pela Broadcast após declaração de De Paula a jornalistas durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), em Belo Horizonte. “O fantasma do desabastecimento, neste momento, está afastado”, afirmou o ministro.
De Paula retornou na semana passada de uma missão oficial a Angola e ao Marrocos, com agendas ligadas à cooperação agrícola, investimentos e fornecimento de insumos. Em Angola, a comitiva se reuniu com o Grupo Opaia, responsável pelo projeto Amufert, voltado à produção de ureia e amônia. No Marrocos, o ministro manteve reuniões com autoridades e visitou a unidade da OCP Nutricrops em Jorf Lasfar.
A passagem pelo Marrocos resultou na assinatura, na sexta-feira (18), de um memorando entre o Ministério da Agricultura e Pecuária e a OCP Nutricrops. O documento estabelece como referência o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados a operadores brasileiros em 2026 e 2027. O volume, porém, não constitui uma compra fechada: as operações dependerão das condições comerciais negociadas entre a companhia marroquina e as empresas brasileiras.
De Paula afirmou que a procura por novas origens ganhou relevância diante dos conflitos internacionais e das alterações nas rotas tradicionais de fornecimento. “Era importante fazer um trabalho para construir parcerias com mercados alternativos”, disse. O ministro definiu a estratégia como “diplomacia dos fertilizantes”.
A logística portuária é outra frente adotada pelo governo. A Resolução Conaportos nº 3, de 12 de agosto, recomenda que portos públicos deem preferência ao desembarque de fertilizantes e outros insumos nutricionais destinados à safra 2026/27. Pelas regras, as autoridades portuárias devem buscar, quando seus regulamentos permitirem, o enquadramento dessas cargas em preferência de atracação no prazo máximo de 24 horas contado do anúncio da chegada da embarcação. A medida não flexibiliza controles sanitários, fitossanitários, aduaneiros ou de qualidade.
“Nós estamos agora em pleno início de safra e muitas vezes os portos, como têm um acúmulo de embarcações, acabam dilatando prazos”, afirmou De Paula. “Nós temos consciência de que neste momento precisamos agilizar esse processo.”
Produção nacional e dependência externa
O Brasil ainda importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária. O Plano Nacional de Fertilizantes prevê ampliar gradualmente a produção doméstica para que o país consiga atender entre 45% e 50% de sua demanda interna até 2050.
De Paula também citou a retomada da produção de nitrogenados pela Petrobras. A estatal voltou a operar unidades na Bahia, em Sergipe e no Paraná e trabalha na conclusão da UFN-III, em Três Lagoas (MS), cuja entrada em operação comercial está prevista para 2029. A Petrobras estima que, com a nova unidade, poderá atender cerca de 35% do mercado nacional de ureia.
Outra iniciativa mencionada pelo ministro foi o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), instituído pela Lei 15.496, de 3 de setembro de 2026. A legislação prevê mecanismos de estímulo à produção nacional de fertilizantes e matérias-primas e estabelece entre seus objetivos reduzir a dependência externa e garantir maior estabilidade no suprimento ao setor agropecuário.
O cenário, no entanto, ainda apresenta dificuldades para a indústria instalada no país. A EuroChem aprovou a suspensão temporária de contratos de trabalhadores de sua unidade em Serra do Salitre (MG), diante de problemas relacionados, entre outros fatores, à disponibilidade de enxofre, matéria-prima usada na fabricação de fertilizantes fosfatados. Entidades do setor vêm pressionando o governo por medidas para facilitar a importação do insumo.
Questionado sobre uma ação específica para o enxofre, De Paula não anunciou novo subsídio ou medida direcionada ao produto. O ministro voltou a apontar a diversificação de fornecedores, o Profert e o Plano Nacional de Fertilizantes como os principais eixos da estratégia para reduzir a vulnerabilidade externa do país.
Fonte: Brasil 247