Cuba critica ameaças de Trump na ONU e defende soberania
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – O governo de Cuba classificou como “calúnia” e “falsidade” as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a situação da ilha durante o discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), em Nova York.
Durante o pronunciamento, Trump afirmou que sua administração busca uma “mudança fundamental” em Cuba e declarou que o governo enfrenta a maior pressão de sua história.
“Minha administração também busca uma mudança fundamental na situação em Cuba, onde o regime comunista está sob grande pressão, a maior pressão que já sofreu”, afirmou Trump.
O presidente dos Estados Unidos também classificou Cuba como um “Estado absolutamente falido” e disse que a ilha “está em colapso”.
As ameaças provocaram uma reação imediata de Havana. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que Washington não aceita o direito de Cuba à independência e à soberania.
“O governo dos EUA é incapaz de aceitar que Cuba é, e tem direito de ser, um país plenamente independente e soberano”, escreveu Rodríguez, que chefia a representação diplomática cubana em Nova York.
Segundo o chanceler, as declarações feitas por Trump durante a Assembleia Geral da ONU não modificam a condição de Cuba como país soberano.
Delegação cubana deixa sessão
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, também reagiu às declarações. Em publicação nas redes sociais, afirmou que Trump repete acusações contra Havana sem conseguir justificar as medidas adotadas pelos Estados Unidos contra a população cubana.
Durante o discurso de Trump no plenário da Assembleia Geral, a delegação de Cuba deixou a sessão em protesto contra as declarações do presidente dos Estados Unidos. A saída ocorreu enquanto o mandatário estadunidense apresentava a situação cubana como parte de sua agenda de pressão sobre governos considerados adversários por Washington.
A tensão entre os dois países aumentou desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. O governo dos Estados Unidos retomou e ampliou medidas de pressão econômica e diplomática contra Havana, enquanto Cuba acusa Washington de manter uma política voltada a provocar o colapso da economia da ilha.
Pressão econômica sobre Havana
Trump também afirmou em outras ocasiões que pretende ampliar a pressão sobre o governo cubano. A ilha está localizada a cerca de 150 quilômetros da costa da Flórida e ocupa uma posição estratégica no Caribe.
Nos últimos meses, os Estados Unidos adotaram novas sanções contra entidades cubanas de setores considerados estratégicos por Washington. As medidas integram a política de pressão sobre o governo de Díaz-Canel.
A situação econômica cubana também se deteriorou, com escassez de combustíveis, dificuldades no abastecimento de energia e apagões registrados em diferentes regiões do país.
Havana rejeita as acusações feitas por Washington e atribui parte das dificuldades econômicas às sanções e ao embargo criminoso dos Estados Unidos, mantido há décadas.
Fonte: Brasil 247