China divulga lista das 500 maiores empresas privadas do país
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – O ranking mais recente das 500 maiores empresas privadas da China foi divulgado nesta terça-feira, com grandes companhias de tecnologia, entre elas Alibaba (China) Co Ltd, Huawei e BYD, mantendo posições de destaque na lista, informou o Global Times.
Os dados apontam que, em meio à complexidade da conjuntura econômica, a iniciativa privada chinesa tem recorrido à inovação como pilar estratégico. Esse movimento reflete resiliência e dinamismo, pilares que sustentam a estabilidade do crescimento do setor.
A lista, elaborada pela Federação Nacional da Indústria e do Comércio da China, mostrou que 6.350 empresas com receita operacional superior a 1 bilhão de yuans (US$ 149,34 milhões) cada em 2025 participaram da pesquisa deste ano. As 500 maiores foram classificadas de acordo com a receita operacional.
Segundo o levantamento, a receita operacional total das 500 maiores empresas privadas da China atingiu 44,93 trilhões de yuans, alta de 4,35% em relação ao ano anterior. O lucro líquido combinado avançou 1,31%, para 1,83 trilhão de yuans.
Na comparação com a lista do ano passado, a mudança mais significativa foi a continuidade da otimização da estrutura industrial, com o aumento do peso de empresas ligadas à economia real, à manufatura de alto padrão e aos setores relacionados à inteligência artificial (IA), afirmou Tian Yun, economista baseado em Pequim, ao Global Times nesta terça-feira.
A lista mostra que fabricantes de alta tecnologia continuam ampliando sua escala, com empresas como BYD e CATL permanecendo entre as primeiras colocadas. A IA também está avançando sobre a economia real, com um número crescente de empresas ligadas ao setor entrando no ranking, disse Tian.
Entre as 500 maiores companhias privadas, as empresas do setor manufatureiro registraram receita operacional combinada de 32,22 trilhões de yuans, alta de 8,73% na comparação anual, o equivalente a 71,72% do total.
Essas empresas estão expandindo ativamente sua atuação em indústrias emergentes estratégicas e em setores considerados de futuro. Ao todo, 311 companhias investiram em 679 projetos de indústrias emergentes estratégicas, abrangendo áreas como novos materiais, novas energias e tecnologia da informação de nova geração.
Ao mesmo tempo, 82 empresas lançaram 112 projetos em indústrias do futuro, envolvendo áreas como inteligência incorporada, energia de hidrogênio, energia de fusão nuclear e biomanufatura, segundo a pesquisa.
“Além disso, a lista mostra que muitas empresas privadas chinesas não apenas continuaram ampliando sua escala, como algumas também ingressaram na lista Global 500, o que evidencia a resiliência e a competitividade internacional da economia privada da China”, afirmou o especialista.
A pesquisa mostrou que as 500 maiores empresas registraram receita operacional no exterior de 3,70 trilhões de yuans, alta anual de 11,23%, enquanto 209 realizaram investimentos no exterior, aumento de 3,98% em relação ao ano anterior.
“Outra característica marcante é o aumento contínuo da intensidade dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) entre as empresas privadas, que demonstram cada vez mais seu papel crucial na formação e no fortalecimento de novas forças produtivas de qualidade”, afirmou Wan Zhe, professora da Universidade Normal de Pequim, ao Global Times nesta terça-feira.
O levantamento mostrou que 60,6% dessas empresas formularam planos estratégicos de transformação digital, enquanto 83,4% estão avançando em iniciativas de transição verde e de baixo carbono. Além disso, as 500 maiores registraram gastos combinados de 1,26 trilhão de yuans em P&D.
As empresas privadas oferecem uma visão em escala micro da macroeconomia chinesa, enquanto essas novas tendências evidenciam a transição para uma economia impulsionada pela modernização da manufatura e pela inovação tecnológica, afirmou Wan.
“No campo da inovação, empresas privadas de todo o país estão demonstrando vitalidade e injetando um poderoso impulso na economia”, disse ela.
Nos primeiros nove meses deste ano, empresas privadas chinesas avançaram com uma série de novos desenvolvimentos. A Huawei, por exemplo, lançou recentemente o smartphone dobrável em três partes Mate XT 2, equipado com o novo chip Kirin 9050 Pro, o primeiro processador de alto desempenho a utilizar tecnologia de dobramento lógico.
Separadamente, um robô humanoide superou em abril o recorde humano de meia maratona, enquanto o modelo de linguagem de grande escala de código aberto Kimi K3 abriu novas fronteiras na computação cognitiva.
Nos últimos anos, a China implementou um conjunto amplo de medidas para melhorar o ambiente de negócios e fortalecer a confiança das empresas privadas. Em maio de 2025, entrou em vigor a nova Lei de Promoção do Setor Privado da China, oferecendo garantias legais para proteger os direitos e interesses das empresas privadas.
Em novembro de 2025, a China também introduziu medidas para promover o desenvolvimento do investimento privado, que receberam respostas positivas das empresas do setor.
Uma reunião do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh), realizada em 30 de julho, reforçou ainda a necessidade de “melhorar o ambiente de desenvolvimento da economia privada”.
Segundo especialistas, as medidas pragmáticas têm como objetivo promover um ambiente de competição de mercado mais justo, ordenado, transparente e estável para as empresas, fortalecendo, assim, as bases para o desenvolvimento de alta qualidade da economia privada.
Fonte: Brasil 247