Gilmar Mendes não teve encontro “secreto” com Vorcaro
Por Giovanna Massaro — Aos Fatos | Em busca da verdade na política – feed
Posts enganam ao afirmar que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes teve encontro “secreto” com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para discutir uma ação bilionária envolvendo usinas do setor sucroalcooleiro. Os dois tiveram de fato uma breve reunião, que ocorreu na própria Corte. Nela, o empresário pediu para Gilmar votar a favor da causa; no entanto, o magistrado votou contra.
Postagens com conteúdo enganoso reuniam ao menos 18 mil interações no Instagram até a tarde desta terça-feira (22).
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Reunião secreta: Daniel Vorcaro se reuniu com Gilmar Mendes

São enganosas as publicações que afirmam que o ministro Gilmar Mendes teve um encontro “secreto” com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os dois, de fato, se reuniram. No entanto, a reunião foi breve, ocorreu na própria Corte e foi acompanhada pelo advogado do empresário. E, após o encontro, Gilmar votou contra ação bilionária, contrariando pedido do empresário.
A reunião foi revelada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, em 17 de setembro, e também foi confirmada pelo gabinete de Gilmar Mendes em nota ao Aos Fatos. O encontro ocorreu em 11 de abril de 2024, no gabinete do ministro e contou com a presença dos advogados do Banco Master. “Foi realizada na sede do Tribunal, em ambiente institucional, e não em espaço privado”, disse a repartição.
O gabinete de Gilmar Mendes observou que o recebimento de advogados em audiência é prerrogativa assegurada em lei.
No encontro, segundo a colunista da Folha, Vorcaro pediu para o ministro votar a favor da causa. No entanto, em julgamento em 3 de junho de 2025, o ministro votou contra os interesses do Banco Master. “O voto foi contra o pagamento do precatório, no sentido defendido pela União”, informou o gabinete do magistrado.
Na época, segundo apuração da CNN, a carteira da instituição financeira do ex-banqueiro mantinha bilhões em créditos em forma de precatórios – dívidas acumuladas pela União e governos locais cujo pagamento já foi determinado pela Justiça. Esses recursos perderiam o valor a depender da decisão tomada pelo STF em disputas destas empresas movidas contra a União.
“O voto foi o mesmo em todos os demais casos do setor sucroalcooleiro julgados na Segunda Turma”, complementou o gabinete.
Na época, o então cunhado do ministro, Chiquinho Feitosa, ajudou a marcar a reunião, segundo a colunista da Folha. Ele fazia lobby em Brasília para o dono do Master na área da educação, ainda conforme Bergamo. Sobre isso, o gabinete diz que Chiquinho Feitosa é ex-cunhado do ministro, que não foi procurado por ele e que o magistrado desconhecia qualquer tratativa entre ele e Vorcaro.
“(Gilmar Mendes) não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente”, disse.
Contexto. As postagens desinformativas passaram a circular após a revelação de supostas mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro. Em uma delas, o ex-banqueiro pergunta se deveria sair do país dois dias antes de ser preso. Não se sabe a resposta do ministro, já que estava selecionada a opção de visualização única.
No dia 15, a Corte iniciou uma sessão para decidir se o relatório da PF contra Alexandre Moraes é válido e se serve para abrir investigação contra ele.
Outros ministros, como André Mendonça, já admitiram ter se encontrado com Vorcaro.
O caminho da apuração
Aos Fatos buscou na imprensa informações sobre o encontro entre Gilmar Mendes e Daniel Vorcaro. A reportagem também procurou detalhes sobre os últimos acontecimentos envolvendo ministros do STF.
Aos Fatos também entrou em contato com o gabinete do ministro por meio da assessoria de imprensa do STF.