Trump contraria Lula e sinaliza América Latina como quintal
Por Jamil Chade — ICL Notícias
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
Momentos depois do discurso de Luiz Inácio Lula da Silva na ONU, que rejeitou a transformação da América Latina como um quintal dos EUA, o presidente americano Donald Trump subiu ao placo para dar uma mensagem radicalmente oposta: qualquer ameaça que exista na região contra os EUA será respondida com força militar.
Trump fez seu discurso na ONU nesta terça-feira, após o término da fala do brasileiro. Mas o americano usou o púlpito para atacar as instituições internacionais e insistir que o poder dos EUA estaria transformando o mundo, em benefício dos americanos.
Segundo ele, os EUA não aceitarão “ameaças” em “nosso hemisfério” e alertou que irá usar armas, se necessário. Trump acusou outros governos dos EUA de terem, ao longo dos anos, permitido que cartéis tenham dominado regiões do continente e insistiu que “adversários doentes e dementes” usaram a situação para se posicionar. “Não mais”, disse. “Agora, vamos mostrar nosso poder militar”, disse.
Trump qualificou o crime organizado latino-americano como o “Estado Islâmico do Ocidente”, prometeu trata-los como terroristas e justificou os ataques contra barcos nas costas dos países latino-americanos. Segundo ele, isso teria causado uma queda de 97% no transporte dos produtos.
O americano ainda colocou pressão sobre o México e deixou claro que o próximo foco é Havana. “Cuba vai cair”, prometeu.
Trump vinculou o regime cubano a grupos socialistas nos EUA e insistiu que “o comunismo” nunca irá entrar em território americano.
Um dos aspectos de seu discurso que chamou a atenção das diplomacias estrangeiras foi como comemorou o sequestro de Nicolás Maduro. Para ele, isso seria um exemplo de como ele usará seu poder para defender sua posição na América Latina.
“Prendemos o criminoso Nicolás Maduro e desde então, centenas de presos políticos venezuelanos foram liberados. E fechamos o maior acordo de petróleo da história”, disse. “Ao vencedor, os tributos”, comemorou.
O acordo prevê o controle de grande parte do petróleo venezuelano por parte dos EUA durante cem anos. Lula, um dia antes do discurso, afirmou que a soberania da Venezuela tinha “acabado”.
Ex-presidente da Câmara de Vereadores paulistana, amigo de Tarcísio de Freitas, a quem o governador chamava de “lindão”, está preso e tem elo com a máfia dos ônibus
Fonte: ICL Notícias