PF mira vereador Jorge Canella em investigação sobre fuzil achado em carro de Márcio Canella
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A Polícia Federal cumpre, nesta terça-feira (22), mandados de busca e apreensão contra o vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella (União Brasil), em uma investigação que busca esclarecer as circunstâncias do encontro de um fuzil no veículo do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), informa o portal Agenda do Poder.
Os agentes federais executaram as ordens judiciais nas dependências da Câmara Municipal do Rio, localizada no Centro da capital fluminense. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O vereador investigado, cujo nome completo é Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho, é coronel da Polícia Militar. Até o momento, a corporação não divulgou a lista de documentos ou objetos apreendidos durante as diligências.
O armamento que motivou a nova fase da apuração é um fuzil de calibre .556, recolhido pela polícia em julho durante um desdobramento da Operação Unha e Carne. A arma foi localizada no porta-malas do carro pertencente a Márcio Canella. Na ocasião, o ex-prefeito era alvo apenas de mandados de busca, mas acabou preso em flagrante no momento em que a equipe policial encontrou o equipamento restrito.
Ao prestar esclarecimentos aos investigadores, Márcio Canella sustentou que o fuzil pertenceria a um sargento da Polícia Militar responsável por integrar a sua equipe de segurança pessoal. O ex-prefeito negou ter a posse irregular do armamento.
A Operação Unha e Carne apura a atuação de uma rede composta por postos de combustíveis responsável por movimentar cerca de R$ 7,6 bilhões em um esquema de lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Federal, o ex-prefeito de Belford Roxo é apontado como possível componente da estrutura política articulada com o grupo financeiro sob suspeita.
Márcio Canella permaneceu detido por quatro dias no Complexo Penitenciário de Bangu 8, obtendo a liberdade em 11 de julho por determinação de Alexandre de Moraes. Em um primeiro momento, o ex-gestor cumpriu medidas cautelares diversas da prisão, que incluíam a obrigatoriedade de uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar no período noturno.
As restrições impostas foram revogadas pelo ministro do STF em 24 de julho. Na decisão que liberou o investigado das cautelares, Moraes ressaltou a ausência, naquele momento processual, de provas diretas que vinculassem Márcio Canella às movimentações financeiras ilícitas apuradas, sem prejuízo ao prosseguimento do processo.
A localização do fuzil no automóvel do ex-prefeito também desdobrou-se em ações no âmbito administrativo estadual, levando o governo do Rio de Janeiro a determinar o recadastramento geral das armas de uso restrito que estão cedidas a outros órgãos públicos.
A reportagem ressalta que tentou contato com a defesa do vereador Jorge Canella, mantendo o espaço aberto para manifestações formais sobre o caso.
Fonte: Brasil 247