Foto de Flávio Bolsonaro com elefante morto em safári foi gerada por IA

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Por Luiz Fernando MenezesAos Fatos | Valorize o que é real

Foi gerada por inteligência artificial a foto em que o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, posa na frente de um elefante morto segurando uma espingarda, diferentemente do que alegam posts. A imagem tem a marca d’água de IA do Google. O registro é atribuído a uma reportagem da Piauí sobre a ida do senador a um safári com um investigado pelas fraudes do INSS. Porém, o texto não afirma que Flávio tenha caçado animais na viagem.

Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 300 mil visualizações no X e centenas de curtidas no Instagram até a tarde desta segunda-feira (21). O conteúdo também circula no WhatsApp, onde não é possível estimar seu alcance.

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Na foto, o senador Flávio Bolsonaro (à direita) com uma espingarda, ao lado do elefante abatido. No fundo, da esquerda para a direita, o advogado Willer Tomaz, o empresário Carlos Alberto Sá e o senador Weverton.

Uma captura de tela exibe na parte superior um texto sobre fundo escuro com o título em letras maiúsculas brancas ‘O SAFÁRI DOS INVESTIGADOS’, seguido de um subtítulo sobre uma viagem de Flávio Bolsonaro à África do Sul e a indicação de data ‘19 set 2026’. No centro, uma fotografia ambientada em uma paisagem de vegetação seca e rasteira mostra um elefante deitado no chão. Em primeiro plano, à direita do animal, encontra-se um homem de pele clara vestindo camiseta bege, calça escura e chapéu de abas largas, que segura uma arma de fogo longa na transversal. Ao fundo, posicionados atrás do corpo do elefante, estão três homens de pele clara vestindo camisetas em tons de bege; o da esquerda usa boné escuro e calça clara, o do centro veste calça escura, e o da direita usa boné claro e calça escura. Na base da imagem, uma legenda identifica o homem armado como o senador Flávio Bolsonaro e os três indivíduos ao fundo como o advogado Willer Tomaz, o empresário Carlos Alberto de Sá e o senador Weverton.

Publicações têm compartilhado uma versão editada de uma reportagem da revista Piauí para mentir que o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, tirou uma foto após matar um elefante em um safári.

A reportagem original, publicada no dia 19 de setembro, relata que o candidato viajou para a África do Sul com um empresário ligado ao escândalo do INSS, mas não traz a foto em questão (veja abaixo).

Uma captura de tela exibe na parte superior um texto sobre fundo escuro com o título em letras maiúsculas brancas 'O SAFÁRI DOS INVESTIGADOS', acompanhado de um subtítulo sobre uma viagem de Flávio Bolsonaro à África do Sul e a data '19 set 2026'. No centro, uma fotografia ambientada em uma paisagem com vegetação seca e árvores mostra um grupo de sete pessoas. Na fileira de trás, em pé, há quatro homens de pele clara vestindo camisetas beges idênticas com estampa de elefante; da esquerda para a direita, o primeiro tem barba escura, veste calça clara e boné escuro, o segundo possui cabelo curto grisalho e veste calça escura, o terceiro usa boné claro e calça escura, e o quarto tem cabelo curto escuro e veste calça clara. Na fileira da frente, posicionam-se três crianças com os rostos totalmente cobertos por borrões circulares beges, vestindo camisetas nas cores verde, cinza e branca, combinadas com calças beges e esverdeadas. Na base da imagem, uma legenda identifica os homens adultos: 'Da esquerda para a direita: o advogado Willer Tomaz, o empresário Carlos Alberto de Sá e os senadores Weverton Rocha e Flávio Bolsonaro - Crédito: Reprodução'.
Foto original mostra Flávio, Weverton e empresários sem nenhum animal próximo (Reprodução)

A imagem original, publicada pela primeira vez pelo Globo, mostra Flávio ao lado do advogado Willer Tomaz durante uma viagem em março de 2025 à África do Sul. Nenhuma das duas reportagens traz a informação de que houve caça a elefantes durante a viagem.

Além de a imagem não ter sido publicada por veículos de imprensa, a foto de Flávio na frente de um elefante morto tem marcas d’água de geração artificial do Google. A ferramenta identifica se a foto contém SynthID — uma espécie de marca digital visível apenas para detectores e projetada para permanecer mesmo após modificações.

Uma captura de tela de uma interface digital exibe no topo os textos em inglês ‘Made with Google AI’, ‘SynthID detected in all or part of the uploaded content’ e ‘SynthID confidence: Very High’. Abaixo, duas versões de uma mesma composição são apresentadas lado a lado. A imagem da esquerda possui o título ‘O SAFÁRI DOS INVESTIGADOS’ acima de uma fotografia com quatro homens de pele clara em uma paisagem de vegetação seca com um elefante deitado no chão. Em primeiro plano, um dos homens veste camiseta bege, calça escura e chapéu de abas largas, segurando uma arma longa transversalmente; os outros três homens posicionam-se ao fundo vestindo tons de bege. A imagem da direita exibe a mesma composição, porém coberta por uma grade quadriculada de blocos coloridos em azul, cinza e laranja. No canto inferior direito, uma legenda associa a cor azul à palavra ‘Detected’, o cinza a ‘Unsure’ e o laranja a ‘Not detected’, demonstrando que a área fotográfica dos homens com o elefante e a legenda inferior estão cobertas majoritariamente pelos blocos azuis.
Ferramenta identificou marca d’água sobre a foto de Flávio com elefante (Reprodução)

A defesa do advogado Willer Tomaz afirma que ele não é investigado e “não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal” em relação aos desvios do INSS.

Também participaram do safári o empresário Carlos Alberto de Sá, sócio da VTCLog que foi indiciado pelo relatório final da CPI da Covid, e o senador Weverton Rocha (PDT-MA).

O caminho da apuração

Aos Fatos procurou a reportagem original publicada pela revista Piauí e não encontrou a foto que tem sido compartilhada nas redes. A imagem foi, então, submetida às ferramentas de identificação de SynthID da OpenAI e do Google. A segunda atestou que a foto foi manipulada por IA.

A reportagem também procurou informações publicadas na imprensa sobre a relação entre Tomaz e Flávio, bem como a operação da PF sobre os desvios do INSS.

Fonte: Aos Fatos | Valorize o que é real

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