MP defende vetar candidatura de Rueda no Rio por suposta ligação com milícia
Por Wendal Carmo — Carta Capital
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Na primeira manifestação no processo, o órgão havia defendido a validade da chapa
O Ministério Público Eleitoral mudou de posição e passou a pedir que a Justiça Eleitoral barre a candidatura de Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, a deputado federal pelo Rio de Janeiro. Em parecer apresentado na sexta-feira 18, a Procuradoria afirma haver suspeitas de que Rueda se beneficiou de uma estrutura política ligada a grupos de milícia na Baixada Fluminense.
A mudança de posição ocorre depois que o TRE-RJ interrompeu, em 11 de setembro, a análise do registro de candidatura de Rueda e determinou a busca de documentos em órgãos públicos. A corte pediu informações à Polícia Federal, à Agência Nacional de Aviação Civil, à Justiça e às polícias do Rio, e à prefeitura de Belford Roxo.
Na primeira manifestação no processo, o MP Eleitoral havia defendido a validade da candidatura. Na ocasião, o órgão considerou que as acusações se baseavam principalmente em reportagens e documentos apresentados pelas partes e que não havia provas suficientes para impedir o dirigente partidário de concorrer.
Agora, o procurador regional eleitoral Flávio Paixão de Moura Júnior argumenta que os documentos oficiais obtidos pelo TR-RJ deram novo peso às acusações e mostraram uma ligação entre a campanha de Rueda e uma estrutura política de Belford Roxo que, segundo o MP, conta com pessoas apontadas pela Justiça Eleitoral como integrantes ou articuladores de milícias.
O parecer cita principalmente Luiz Eduardo Santos de Araújo, conhecido como Eduardo Araújo, e Fábio Augusto de Oliveira Brasil, o Fabinho Varandão. Os dois tiveram suas candidaturas a vereador barradas pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2024 com base na regra constitucional que proíbe partidos de utilizar organizações paramilitares.
Araújo foi condenado a oito anos de prisão por constituição de milícia privada. Já Varandão responde a uma ação penal que envolve acusações de extorsão e exploração de serviços clandestinos sob domínio armado.
Mesmo depois de terem sido barrados pela Justiça Eleitoral, os dois ocuparam cargos no primeiro escalão da prefeitura de Belford Roxo, durante a gestão de Márcio Canella (União Brasil).
Araújo foi secretário de Indústria e Comércio, enquanto Varandão comandou a Secretaria de Esporte e Lazer. Os dois ficaram nos cargos de janeiro a setembro de 2025. Canella é aliado de Rueda e disputa uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio no pleito deste ano.
É essa estrutura política que, segundo o MP Eleitoral, passou a atuar em favor da candidatura do chefe do União Brasil neste ano. O parecer cita publicações nas redes sociais de Araújo e Varandão em que os dois aparecem ao lado de Rueda e Canella. As postagens divulgavam a chamada “dobradinha” entre os candidatos, com frases como “meus deputados” e “nossos deputados”.
O documento também menciona um avião relacionado a outra linha de investigação envolvendo Rueda. Em depoimento à PF, o piloto Mauro Caputti Mattosinho afirmou que o dirigente partidário seria o proprietário oculto de jatos operados pela Táxi Aéreo Piracicaba. A empresa é citada na Carbono Oculto, que investiga a infiltração do PCC no mercado de combustíveis.
Na avaliação da Procuradoria, permitir o registro de Rueda nessas circunstâncias representaria uma forma indireta de contornar a regra constitucional que impede a influência de organizações paramilitares no processo eleitoral. O órgão classificou a situação como uma possível “fraude” à norma constitucional. Caberá ao TRE-RJ dar a palavra final sobre o caso, ainda sem data marcada.
Em manifestação também encaminhada à Justiça Eleitoral, a defesa de Rueda diz que as publicações de Araújo e Varandão foram espontâneas e que seu cliente não pode ser prejudicado pela atuação de terceiros. Também sustenta não haver provas de que o dirigente tenha participado de qualquer organização criminosa ou autorizado o uso de uma estrutura desse tipo em sua campanha.
Wendal Carmo
Repórter do site de CartaCapital no Nordeste
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Fonte: Carta Capital