Sob alerta vermelho de tempestade SEDUCRS mantém as aulas, colocando estudantes e professores em risco
Por Diego Nunes, Movimento Nossa Classe, Rio Grande do Sul — Esquerda Diário

A defesa civil do estado do Rio Grande do Sul emitiu alerta para que as pessoas não saíssem de suas casas nesta segunda-feira (21). Trata-se de um alerta vermelho de tempestade com ventos acima de 100km/h e risco de formação de tornados. Mesmo assim, a Secretaria de Educação do RS (SEDUCRS) não suspendeu as aulas. Alguns municípios o fizeram por conta própria, mas o governo do estado manteve as aulas fazendo crianças e adolescentes saírem de suas casas em direção à escola.
As ruas de muitas cidades se encontram alagadas, com árvores e postes caídos, estradas interrompidas e mais de um milhão de pessoas sem energia elétrica no estado. Diante do caos o dia letivo, ao que parece, é mais importante do que as vidas. Um dia letivo totalmente inútil, em que professores, que também atravessam adversidades para chegar à escola, encontram as salas de aula com pouquíssimos alunos.
O dia letivo será contabilizado, mas nenhum estudante ou trabalhador da educação que não conseguiu chegar à escola deve ser prejudicado. É absolutamente insano pensar que alertas vermelhos de tempestade, com alto risco para as pessoas, não suspendam automaticamente as aulas. Isso só mostra como o mundo do alto do gabinete da secretária de educação parece ser outro, muito distante do mundo real de quem precisa se deslocar pela cidade.
Há pouco mais de um mês, em agosto, tivemos temporais semelhantes, consequência de um desequilíbrio climático causado pela poluição capitalista, que os cientistas alertam há anos. Meteorologistas do mundo todo apontam para um super El Niño de proporções jamais vistas na história. Isso vai gerar consequências desconhecidas, mas, ao que tudo indica, bastante graves.
Frente a isso, os mesmos políticos ligados aos mesmos capitalistas negam os riscos e seguem seus planos de destruição em nome do lucro. A lógica do lucro frente aos desastres e crimes ambientais segue sem preparar as cidades que receberão altos volumes de chuvas no próximo período. Somente a classe trabalhadora auto organizada pode garantir abrigo e segurança para todos frente à crise climática, contra toda a especulação imobiliária que mantém mais de 100 mil imóveis vazios só em Porto Alegre, segundo dados do Censo de 2022 do IBGE.
Fonte: Esquerda Diário