Na eleição mais complexa da história do País, eleitor já tem informação suficiente para tomar decisão simples
Por Marco Damiani — Brasil 247
É uma contradição aparente, mas a estratégia bolsonarista composta de mentiras em pronunciamentos, trapaças nos bastidores e busca por interferência externa ao ambiente eleitoral do País está fazendo muito bem para o esclarecimento do eleitorado. A 13 dias das urnas, nunca estiveram tão claras como agora as diferenças de caráter, propostas e compromissos entre o presidente Lula e o extremista Flávio Bolsonaro, os dois principais candidatos na disputa.
Bolsonaro está inteiramente associado, com orgulho e desejo, à submissão do Brasil aos interesses políticos e econômicos dos Estados Unidos. Ele prometeu ao governo americano, em uma eventual etapa de transição, participação com direito a indicação e aprovação de nomes e rumos para postos-chave de uma futura administração bolsonarista no Brasil. Na mesma toada, ele projeta uma política econômica na qual o modelo praticado na Argentina por Javier Milei será “o exemplo”, o que significa cortes em investimentos sociais, arrocho sobre o salário mínimo e redução de direitos trabalhistas.
Lula, ao contrário, prega pela soberania nacional e pratica uma política econômica pautada por crescimento econômico, incentivo ao consumo e ampliação dos programas sociais. No campo do trabalho, o presidente atuou a favor da implantação da escala 5×2; Flávio jogou abertamente pela permanência da 6×1. Em propaganda no horário eleitoral, o presidente garante que continuará corrigindo o salário mínimo acima da inflação, enquanto o adversário deixa claro, em suas conversas com banqueiros e empresários, que irá mudar essa regra.
No terreno institucional, o presidente deixou clara, em comício em Santa Catarina, na semana passada, mais uma diferença fundamental em relação ao candidato da extrema-direita. “Ele quer livrar Bolsonaro da cadeia, eu quero mantê-lo preso”, cravou Lula. Em torno da crise do STF, o candidato à reeleição sustenta a necessidade de uma reforma completa no Poder Judiciário, enquanto Flávio diz que irá atuar pesado pelo impeachment de Alexandre de Moraes e gaba-se do poder de nomear cinco ministros para a Corte, em caso de vitória. Da lavra dele virão perfis semelhantes aos de André Mendonça e Nunes Marques, indicados por seu pai e envolvidos de toga inteira em ligações inconfessáveis com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Lula quer nomes que se pareçam muito mais com Flávio Dino, indicado por ele em novembro de 2023 para o Supremo e referência de saber jurídico na Corte.
Na parte do famoso bordão “diga-me com quem andas e te direi quem és”, Flávio se apresenta ao lado de um vice, o deputado Alfredo Gaspar, envolvido em um obscuro caso de abuso sexual contra vulnerável. Na chapa de Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin segue na mesma posição e como um dos principais veículos de diálogo com o empresariado nacional. O presidente ganha o apoio espontâneo de artistas consagrados pelo público, já o filho de Bolsonaro ressuscita milicianos como Fabrício Queiroz e o advogado Frederick Wassef.
Apesar de toda a fumaça lançada pelo bolsonarismo para poluir o ambiente eleitoral, as grandes diferenças que definem o voto estão nítidas. O eleitor não tem o direito de dizer que não está bem informado. Flávio é a certeza de crises em várias frentes. Lula é a manutenção da estabilidade do País, tal como todos vimos nos últimos quatro anos. A eleição é complexa, mas nunca foi tão fácil para o eleitorado discernir quem é quem.
Fonte: Brasil 247