PT votou contra Moraes em 2017 e criticou perfil político do indicado
Por Dayane Santos — Brasil 247
247 – A bancada do PT no Senado votou majoritariamente contra a nomeação de Moraes, então apresentado pelo presidente Michel Temer (MDB) para ocupar uma cadeira na Corte.
Na ocasião, a líder da bancada petista, que reunia dez senadores, era Gleisi Hoffmann (PR), atualmente presidente nacional do PT. Durante a sessão de 22 de fevereiro de 2017, ela afirmou que o partido “lamentava muito a indicação” de Moraes para o Supremo.
Segundo reportagem publicada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, entre os argumentos apresentados pela senadora estava a passagem de Moraes pelo governo Temer. Antes de ser indicado ao STF, ele havia ocupado o Ministério da Justiça, cargo de confiança do então presidente. Para o PT, essa trajetória levantava questionamentos sobre a independência e o perfil político do indicado.
Gleisi também criticou o que classificou como o caráter partidário e militante da atuação de Moraes. Na sessão do Senado, afirmou que preocupava o partido “o nível partidário, político, militante do indicado, sr. Alexandre de Moraes, para o cargo do Supremo Tribunal Federal”.
Gleisi mencionou ainda manifestações atribuídas a Moraes sobre movimentos sociais e mobilizações políticas. “Também nos preocupam as manifestações do ministro em relação aos movimentos sociais, em relação às articulações e manifestações de rua e, principalmente, em relação ao Partido dos Trabalhadores e aos partidos de oposição”, declarou.
Naquele momento, Moraes era identificado politicamente com setores de centro-direita e acumulava uma trajetória profissional em administrações alinhadas a esse campo. A avaliação apresentada pelo PT contrastava com a posição que o partido passou a adotar anos depois em relação ao ministro.
Apesar da resistência da bancada petista, a indicação de Moraes foi aprovada pelo Senado por 55 votos a 13. Ele assumiu a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Teori Zavascki e passou a integrar o Supremo durante o governo Temer.
A posição da legenda desmonta a tese do bolsonarismo de que Alexandre de Moraes e Lula fazem parte do mesmo espectro político, apesar da relação entre o Partido dos Trabalhadores e Moraes ter mudado significativamente desde a indicação do atual ministro ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 2017.
A trajetória posterior do ministro alterou o contexto político de sua relação com o PT e com o presidente Lula. Moraes tornou-se uma das principais figuras do Judiciário brasileiro em processos envolvendo a tentativa de golpe por integrantes do bolsonarismo em ataques às instituições democráticas.
Fonte: Brasil 247