Após demitir professores, Raquel Lyra quer colocar psicólogos e readaptados para dar aula

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Por Movimento Nossa ClasseEsquerda Diário

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Diante do caos gerado pela demissão em massa de professores contratados, governo estadual tenta empurrar psicólogos e profissionais readaptados para dentro das salas de aula — um desvio de função ilegal que aprofunda a precarização do ensino em Pernambuco.

Depois de deixar milhares de trabalhadores da educação sem emprego, o governo de Raquel Lyra (PSD) agora avança em mais um ataque contra os profissionais da rede estadual: colocar psicólogos, professores readaptados e outros profissionais da educação para assumir as aulas.

No dia 1º de setembro, o governo demitiu de uma só vez milhares de professores contratados em Pernambuco, sem qualquer aviso prévio. O sindicato estima entre 2 e 6 mil professores atingidos, número que a Secretaria de Educação até hoje se recusa a confirmar oficialmente. A medida jogou milhares de famílias no desemprego em pleno meio do ano letivo, agravando ainda mais um quadro de escolas sucateadas, superlotadas e sem estrutura básica.

Diante da repercussão e da pressão da categoria, o governo afirmou que resolveria a situação através de um “reordenamento interno” da rede, como se bastasse reorganizar o caos que ele mesmo provocou para sanar a falta de professores nas salas de aula.

Agora, no entanto, chegam denúncias de diversas escolas da rede estadual: o tal “reordenamento” está sendo, na prática, colocar profissionais readaptados e até psicólogos escolares para assumir aulas, em total desvio de função e até fechamento de turmas para manter o funcionamento com quadro reduzido e superlotando ainda mais as salas que já estão superlotadas. Alguns desses profissionais já foram obrigados a assumir essa semana, enquanto outros foram avisados que iniciarão semana que vem.

Importante lembrar que esses trabalhadores que exercem outras atribuições dentro da escola e que muitos deles estão readaptados justamente por problemas de saúde que os impedem de estar em sala de aula. Agora, são empurrados para tapar buracos que a própria demissão em massa escancarou.

Isso é gravíssimo e ilegal. Desviar a função desses profissionais não é apenas um desrespeito aos seus direitos trabalhistas e às razões pelas quais foram readaptados: é também um ataque direto à qualidade do ensino. Um psicólogo escolar não é formado nem contratado para lecionar, além disso, ao irem para sala de aula, os profissionais deixam a lacuna em sua função original. Quem paga a conta são os estudantes, que ficam sem professores devidamente qualificados na disciplina e com escolas sem psicólogos ou coordenadores de biblioteca – função na qual estão alguns dos professores readaptados.

Esse “reordenamento” não resolve nada: apenas maquia, às pressas, um problema que o governo criou de forma deliberada. Ele expõe, ainda, a lógica de que a educação pública pode ser remendada com qualquer solução barata, desde que não envolva contratar ou efetivar mais trabalhadores.

Essa não é a primeira vez que Raquel Lyra ataca os professores da rede estadual. Em 2023, o governo já havia negado qualquer reajuste salarial à categoria, alegando a Guerra na Ucrânia como justificativa. Entre 2023 e 2025, demitiu arbitrariamente mais de 4 mil professores contratados, usando a convocação do concurso como pretexto. Mais recentemente, professores aprovados na última seleção simplificada tiveram contratos invalidados sob alegação de “problemas na documentação” — muitos haviam deixado outros empregos para assumir a vaga e ficaram sem nada. Somam-se a isso denúncias de estagiários sendo chamados para cobrir turmas inteiras em sala de aula, outro caso de desvio de função que revela a mesma lógica de precarização.

O projeto de precarização da educação não é de hoje e faz parte de um projeto de ataques à educação que perpassa distintos governos. Foi a luta dos estudantes que travou a tentativa do Bolsonaro de atacar o Fundeb em 2019, além de que a extrema direita bolsonarista ser inimiga declarada da educação pública. Por outro lado, foi o governo de Frente Ampla de Lula e Alckmin que sancionou a toque de caixa agora em agosto o PL 114/2026 do centrão que retira 18 bilhões de reais da saúde e da educação do orçamento do próximo ano, um enorme ataque aos serviços básicos e que mostra como a conciliação com a direita termina por rifar nossos direitos e fortalecer a extrema direita.

O quadro geral da rede estadual de Pernambuco é de escolas caindo aos pedaços, salas com mais de 40 alunos por professor, falta de material básico e até de água em muitas unidades. Um sistema que já funcionava no limite, sem professores substitutos, agora é empurrado ainda mais para o colapso — e a resposta do governo é reorganizar a precarização, não combatê-la.

Diante disso, exigimos a reversão imediata das demissões de todos os professores contratados demitidos em 1º de setembro. Exigimos a convocação imediata de todo o cadastro de reserva do último concurso, que segue represado enquanto faltam professores nas escolas. E levantamos, mais uma vez, a necessidade da efetivação de todos os contratados, sem necessidade de concurso, com os mesmos direitos dos efetivos — trabalhadores que já comprovam diariamente, na prática, sua capacidade de exercer a função.

Nenhuma criança sem escola! Nenhum professor desempregado! Nenhum trabalhador da educação tendo que cumprir desvio de função!

(Foto: Diario de Pernambuco)

Fonte: Esquerda Diário

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