Greve dos bancários da Caixa: por saúde, por salário e por… democracia
Por Nossa Classe Bancários — Esquerda Diário

A greve nacional da Caixa completou uma semana tendo, assim como a greve dos Correios, como principal demanda o plano de saúde, fortemente atacado, com aumentos de mensalidade e de descontos. No entanto, além do salário e da saúde, nossa greve levanta outra questão urgente: a da democracia nos nossos sindicatos. Ferramenta fundamental da nossa unidade e da nossa força.
Em nossa última assembleia, defendendo uma proposta odiada pelas bancárias e bancários da Caixa, o sindicato foi obrigado a reconhecer a enorme crise de legitimidade da sua diretoria. A culpa, para eles, é da conjuntura, dos ataques da direita e de “causas complexas além da compreensão” da diretoria, como disse a presidenta Neiva. Todos somos culpados pela crise da atual diretoria, menos a própria diretoria, ou o grupo político que a controla há muitos anos: a direção majoritária do PT, fortemente atrelada à Lula e ao aparato do PT.
Cinicamente a diretoria do sindicato se faz de besta, “vocês deveriam estar revoltados com a Caixa, não com o sindicato”. Estamos revoltados com a Caixa, mas também com o sindicato. E não é para menos. Ao invés de organizar e amplificar a revolta bancária contra a direção de uma empresa entregue para o controle de um aliado de Lira, o sr. Carlos Vieira, o que faz a diretoria do sindicato? Sufoca nossa revolta, desorganiza nossa luta enquanto o centrão, com a anuência do governo, prepara a privatização do nosso plano de saúde, como está sendo feito com os Correios.
Que digam mil vezes que isso é mentira, podem repetir à vontade. Por mais bancários bloqueados no perfil do seu próprio sindicato, por mais comentários que se apaguem, já não é possível esconder que a greve da Caixa em São Paulo é também um grito por democracia no sindicato. Porque para enfrentar o rolo compressor da direção do banco e a Fenaban, precisamos de um sindicato de verdade, não de um peso morto sempre nos puxando para baixo.
Não se trata com isso de defender um sindicalismo apolítico, corporativo, afastado dos problemas do nosso tempo e da nossa sociedade, muito pelo contrário. A categoria bancária, na sua amplitude nacional, regional e local, que une mais de 400 mil trabalhadores de bancos federais, regionais, bancos privados e outras instituições financeiras numa única campanha salarial, constitui uma força poderosa. Nossa força vem da tradição de luta da categoria bancária, do seu papel em pontos estratégicos da economia e, também, da sua diversidade política e cultural.
Como impor nossa vontade na mesa de negociação e na condução da greve?
Já conhecemos o script e até agora conseguimos quebrar ele. Barramos três propostas “finais” da Caixa, derrotamos o terrorismo da empresa e do sindicato em votações massivas, mas a cada negociação tudo se repete mais uma vez. Não temos nossa voz efetivamente expressa nas negociações, não sabemos ao certo que se discute ali, e somos chamados a votar em uma proposta que não conhecemos. Depois, na organização do dia a dia da greve, qualquer proposta que que fuja ao script é solenemente ignorada, por mais apoio que tenha. Só que se a força do sindicato somos nós, nós também podemos controlar a nossa luta. Para isso fazemos três propostas concretas para o conjunto dos bancários e bancárias da Caixa:
1. Por um representante da base nas negociações da mesa de negociação.
A questão das negociações públicas depende de impor nossa vontade à própria direção da Caixa. Porém, para que um representante escolhido pela base esteja na mesa de negociação, só depende da nossa vontade. Ou melhor, da nossa força para impor nossa vontade ao sindicato.
2. Por assembleias híbridas, e não só digitais
Com sala de aferição da contagem da votação eletrônica aberta a todos os bancários e com votação presencial concomitante aferida por contagem de crachás.
3. Por um comando de greve unificado de toda a grande São Paulo
Com representantes escolhidos democraticamente em reuniões virtuais dos prédios e agências. Todos os recursos do sindicato tem que estar à disposição do comando unificado para a condução da greve
Fonte: Esquerda Diário