Moraes não falsificou documentos da ‘minuta do golpe’
Por Luiza Vezzá — Aos Fatos | Valorize o que é real
É falso que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes tenha falsificado documentos da chamada “minuta do golpe”, como afirmam posts nas redes sociais. A Corte desmentiu a veracidade da alegação. Além disso, registros físicos e digitais de reuniões e planos foram periciados pela PF e não apresentam indícios de falsificação.
Postagens com o conteúdo enganoso reuniam ao menos 1.500 interações no Instagram e no Facebook até a tarde desta sexta-feira (18).
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A VERDADE VEIO À TONA E É ABSURDA! O MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES CONDENOU BOLSONARO COM BASE EM MENTIRA PURA! FALSIFICOU MAIS DE 30 DOCUMENTOS DA TAL “MINUTA DO GOLPE” SÓ PRA JOGAR ELE NA CADEIA POR 27 ANOS! E NÃO FOI SÓ ISSO! QUANTOS BRASILEIROS INOCENTES ESSE DESGRAÇADO CONDENOU, PRENDEU E DESTRUIU A VIDA USANDO DOCUMENTOS FALSIFICADOS POR ELE MESMO?! UMA MÁQUINA DE FALSIFICAR JUSTIÇA CONTRA QUEM ELE QUIS ELIMINAR

Não é verdade que Alexandre de Moraes falsificou documentos da minuta do golpe. Foram apreendidas provas concretas em poder dos denunciados que mostraram a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete políticos e militares no planejamento de um golpe de Estado. As evidências foram periciadas e não apresentam indícios de falsificação, conforme denúncia protocolada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
Procurado por Aos Fatos, o STF disse que a alegação não procede. Também não há registros públicos, nos autos ou na imprensa, que atestem que o ministro Alexandre de Moraes tenha “fabricado” evidências.
Na época do julgamento, Aos Fatos reuniu as provas apresentadas pela PGR na denúncia por tentativa de golpe. Entre elas está o caderno de anotações pessoais do general Augusto Heleno, que cumpre prisão domiciliar desde dezembro de 2025. No documento foram encontrados manuscritos sobre o “planejamento prévio da organização criminosa de fabricar um discurso contrário às urnas eletrônicas”.
Mediante a apreensão e análise dos dispositivos eletrônicos do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, foram encontrados registros fotográficos de uma versão do decreto golpista. A minuta foi apresentada pela primeira vez a integrantes do alto escalão do governo federal em 7 de dezembro de 2022.
![A imagem mostra a foto de uma folha impresso impressa sobre uma superfície escura. No topo da folha, no canto superior esquerdo, há o cabeçalho oficial do governo: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA PET N. 12.100/DF Abaixo do cabeçalho, há um trecho de documento impresso com o seguinte texto: 'Alemanha a possibilidade de controle de normas constitucionais inconstitucionais, em especial ao reconhecer a existência de um direito supralegal, ou seja, um direito pressuposto natural acima da Constituição e de suas normas.' Na sequência, há uma instrução destacada entre colchetes em tom mais escuro ou negrito: '[Aqui, tratar de forma breve das decisões inconstitucionais do STF]' Abaixo desse trecho, segue o parágrafo final: 'Afinal, diante de todo o exposto e para assegurar a necessária restauração do Estado Democrático de Direito no Brasil, jogando de forma incondicional dentro das quatro linhas, com base em disposições expressas da Constituição Federal de 1988, declaro o Estado de Sítio; e, como ato contínuo, decreto Operação de Garantia da Lei e da Ordem, com'](https://static.aosfatos.org/media/cke_uploads/2026/09/18/189-fake-minuta.png)
Consta nos autos que, durante o depoimento do general Marco Antônio Freire Gomes, que depôs como testemunha, “a autoridade policial apresentou o arquivo encontrado nos dispositivos de Mauro Cid”, e que, após análise do documento, “confirmou se tratar do material que lhe fora mostrado na reunião do dia 7 de dezembro de 2022”.
Em dezembro de 2025, Jair Bolsonaro e outros sete foram condenados, por 4 votos a 1, pelo crime de tentativa de golpe de estado. O julgamento foi conduzido pela Primeira Turma do STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
A condenação de oito políticos e militares do “Núcleo Crucial” da tentativa de golpe de estado não foi fundamentada apenas na existência desses documentos, que foram periciados pela PF. Mas também baseada na análise das investigações, depoimentos de testemunhas e colaborações premiadas.
Contexto. A postagem desinformativa circula em meio à crise do STF, desencadeada após o vazamento de supostas mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Em uma dessas conversas, o empresário pergunta se deveria sair do país dois dias antes de ser preso. Não se sabe se o conteúdo da resposta do ministro, já que está selecionada a opção de visualização única.
No último dia 15, o plenário do STF iniciou a análise da abertura de uma investigação contra Moraes. A votação ficou em 4 a 3 a favor de julgar os casos de Moraes e Mendonça separadamente A sessão terminou com o pedido de vista do ministro Flávio Dino, que pode suspender a discussão por até 90 dias. Não há previsão de retomada do julgamento.
Esta peça de desinformação também foi checada pelo Estadão Verifica.