Flávio Bolsonaro reage com ataque etarista após Lula lembrar ligação do clã com milicianos
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, respondeu com um ataque etarista ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta sexta-feira (18), depois de ser associado pelo petista a milicianos do Rio de Janeiro. “Lula está gagá”, afirmou Flávio, ao reagir às declarações dadas pelo presidente em entrevista à Rádio Tupi.
A resposta foi dada ao Metrópoles, que publicou o episódio nesta sexta-feira. Na mesma manifestação, Flávio afirmou que pretende classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as milícias como grupos terroristas caso seja eleito. “Vou declarar PCC, Comando Vermelho e milícias como grupos terroristas. Lula está gagá”, disse.
Lula não mencionou inicialmente o nome do senador, mas falou de um “candidato a presidente” que, segundo ele, teria ligação com milicianos do Rio de Janeiro. Na sequência, citou diretamente a família Bolsonaro.
“Vou lhe dizer uma coisa que nem ia dizer: sabe que tem um candidato a presidente que é ligado aos milicianos do Rio de Janeiro? E, na hora que começar a analisar a situação do Rio de Janeiro, vai perceber que tem muita gente da família Bolsonaro metida com os milicianos neste país. Ou seja, é preciso limpar a política e a polícia. Esse é um trabalho árduo”, afirmou Lula, segundo o Metrópoles.
Homenagens a Adriano da Nóbrega
A acusação de Lula ocorre em meio a um histórico documentado de relações de Flávio Bolsonaro com Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão da Polícia Militar que posteriormente foi apontado pelo Ministério Público do Rio como integrante da milícia de Rio das Pedras e do grupo conhecido como Escritório do Crime.
Flávio homenageou Adriano pela primeira vez em 2003, quando apresentou uma moção de louvor ao então policial militar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Dois anos depois, concedeu a ele a Medalha Tiradentes, principal honraria do Legislativo fluminense. Na ocasião da entrega, Adriano estava preso preventivamente havia cerca de um ano, acusado pelo homicídio do guardador de carros Leandro dos Santos Silva. Ele chegou a ser condenado em 2005, conseguiu a anulação do julgamento e acabou absolvido em novo júri, em 2007.
A relação também alcançou o antigo gabinete de Flávio na Alerj. Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, então mulher de Adriano, trabalhou como assessora entre 2007 e novembro de 2018. Raimunda Veras Magalhães, mãe do ex-PM, foi empregada entre abril de 2016 e novembro de 2018. Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio e antigo colega de Adriano na Polícia Militar, afirmou ter sido responsável pelas indicações.
Adriano também apareceu na investigação do Ministério Público do Rio sobre suspeitas de “rachadinha” no gabinete de Flávio. Segundo os investigadores, contas controladas pelo ex-PM foram usadas para transferir valores a Queiroz. As provas que embasavam a apuração foram posteriormente anuladas pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal, e a investigação acabou encerrada. Flávio sempre negou ter participado de qualquer esquema ilegal.
Flávio voltou a defender homenagem
Já durante a campanha presidencial de 2026, Flávio voltou a ser questionado sobre sua relação com Adriano. Em agosto, durante sabatina no Jornal Nacional, afirmou que o ex-PM era um “policial exemplar” quando recebeu a homenagem e disse que não poderia ser responsabilizado pelo comportamento posterior do condecorado.
“Essa homenagem foi feita há mais de 20 anos, no momento que ele era um policial reconhecido”, declarou Flávio. O UOL destacou, no entanto, que Adriano já estava preso havia aproximadamente um ano quando recebeu a Medalha Tiradentes.
Adriano foi expulso da Polícia Militar e posteriormente teve a prisão decretada sob acusação de chefiar a milícia de Rio das Pedras. Ele morreu em fevereiro de 2020 durante uma operação policial na Bahia, depois de permanecer foragido.
Flávio nega vínculo e promete enquadrar milícias
Apesar do histórico de homenagens e das relações pessoais e profissionais envolvendo Adriano e seus familiares, Flávio Bolsonaro rejeita a acusação de que tenha vínculos com milícias.
Após as declarações de Lula nesta sexta-feira, o senador afirmou que pretende incluir esses grupos em sua proposta de endurecimento das políticas contra o crime organizado. Seu plano de governo prevê que PCC, Comando Vermelho, milícias e outras facções sejam classificadas como organizações “narcoterroristas”.
O texto afirma que essas organizações serão combatidas “com força, inteligência e integração para que seus líderes sejam presos e seus negócios ilícitos, asfixiados”.
A declaração desta sexta-feira acrescenta as milícias de forma explícita à resposta pública de Flávio justamente no momento em que Lula leva ao centro da campanha o histórico de relações da família Bolsonaro com personagens posteriormente apontados por investigações como integrantes desses grupos.
Tags: Flávio Bolsonaro, Lula, milícias, Adriano da Nóbrega, Fabrício Queiroz, eleições 2026, Rio de Janeiro, Alerj, Medalha Tiradentes, crime organizado
Legenda: Flávio Bolsonaro chamou Lula de “gagá” após o presidente mencionar relações da família Bolsonaro com milicianos; o senador nega vínculo com esses grupos e diz que pretende classificá-los como organizações terroristas
Fonte: Brasil 247