Celina vê disputa política nos entraves ao BRB e prevê fim dos problemas depois da eleição
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta sexta-feira (18) que o Banco de Brasília (BRB) deixará de enfrentar problemas depois das eleições e atribuiu à disputa política os atuais obstáculos para viabilizar recursos destinados ao reforço financeiro da instituição. A declaração foi dada durante sabatina promovida por O Globo e CBN.
“Eu não tenho dúvida que passando a eleição, eu garanto para vocês aqui, numa conversa muito franca, muito aberta, passando a eleição, o BRB não terá mais problemas. Porque a disputa do BRB agora é uma disputa política”, afirmou Celina.
Questionada sobre a dificuldade para obter dinheiro no mercado para a operação, a governadora relacionou a resistência à conjuntura política. Segundo ela, o Governo do Distrito Federal tem diferentes alternativas caso o plano atualmente em negociação não seja concretizado, embora tenha afirmado que não pretende antecipá-las antes de esgotar a opção principal.
Celina também defendeu as garantias oferecidas pelo Distrito Federal para a operação. A governadora citou recursos do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e afirmou que as instituições financeiras envolvidas receberiam remuneração pelo negócio.
“Eles não vão me emprestar de graça. É uma operação sólida”, disse. Em seguida, acrescentou: “A possibilidade de inadimplência é zero.”
Operação pode chegar a R$ 6,6 bilhões
O Distrito Federal está autorizado por lei a adotar medidas de reforço patrimonial e de liquidez do BRB, inclusive por meio de operações de crédito com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou instituições financeiras, até o limite de R$ 6,6 bilhões. A legislação foi aprovada em março, durante a crise financeira enfrentada pelo banco.
Em junho, outra lei distrital ratificou o acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal para viabilizar uma operação de crédito destinada exclusivamente ao aporte de capital no BRB. O modelo prevê a possibilidade de contratação de fiança com instituições financeiras públicas ou privadas e permite que recursos do FPE e do FPM sejam vinculados como contragarantias.
As negociações, porém, ainda enfrentavam dificuldades em setembro. Em agosto, o STF informou que representantes do Distrito Federal, União, Banco Central, FGC e instituições financeiras concluíram que seria necessário mais tempo para buscar uma solução. Em 11 de setembro, o ministro Luiz Fux deu prazo de 15 dias para que União, Banco Central e FGC se manifestassem sobre os entraves à operação.
A situação financeira do BRB está relacionada a negociações e operações realizadas com o Banco Master que provocaram prejuízo bilionário à instituição do Distrito Federal, segundo informações divulgadas pelo STF. O reforço financeiro negociado pelo governo distrital integra as medidas destinadas a recompor a situação patrimonial e a liquidez do banco.
Fonte: Brasil 247