IA se torna prioridade para 74% dos novos empreendedores brasileiros

0

Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – O uso da inteligência artificial ganhou posição central nos planos de digitalização dos empreendedores brasileiros. Entre aqueles que estão nos primeiros anos de atividade, 74% consideram a tecnologia uma prioridade para seus negócios, com expectativas de aplicação principalmente no desenvolvimento de produtos, serviços e no relacionamento com clientes.

Os dados foram apresentados pelo Sebrae durante o seminário “Tendências do Empreendedorismo no Brasil” e integram a edição 2024/2025 do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), pesquisa realizada no país em parceria com a Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe).

O levantamento mostra que a inteligência artificial já supera ferramentas mais tradicionais na lista de prioridades digitais. Enquanto 74% dos empreendedores em estágio inicial apontam a IA como relevante para suas operações, somente 35% indicam canais tradicionais de comércio eletrônico e sites próprios como prioridade.

Entre os empreendedores com até três anos e meio de atividade, 74% avaliam que a IA terá papel decisivo na inovação e na criação de novos produtos e serviços. Outros 73% esperam avanços importantes na personalização do atendimento ao consumidor.

WhatsApp ainda lidera presença digital

Apesar do crescimento da inteligência artificial, ferramentas de comunicação já consolidadas continuam dominando a rotina dos negócios. Segundo a especialista em Ciências Econômicas Simara Greco, o WhatsApp é utilizado por 94% dos empreendedores brasileiros, enquanto as redes sociais aparecem em seguida, com adesão de 75%.

A intenção de ampliar o uso de inteligência artificial é maior entre os mais jovens. “O maior percentual de uso está na faixa etária de 18 a 34 anos, com 84% das intenções de uso. O Brasil está na terceira posição entre os empreendedores iniciais e na sétima, entre os estabelecidos, com a maior intenção de ampliar o uso de tecnologias digitais”, afirmou Greco.

A pesquisa também registra obstáculos à expansão dessas tecnologias. Segurança e privacidade de dados aparecem como as principais preocupações para 51% dos empreendedores em estágio inicial e para 54% dos que já possuem negócios estabelecidos.

O Brasil também aparece na oitava posição mundial entre os países em que empreendedores demonstram maior preocupação com possíveis aumentos nos custos operacionais e com a complexidade técnica envolvida na implementação de inteligência artificial.

Empreendedorismo sênior ganha peso

Outro movimento destacado pelo levantamento é a participação crescente de pessoas mais velhas no empreendedorismo. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, indicam que 16,5% dos empreendedores brasileiros têm 60 anos ou mais.

Estimativas do GEM apontam que quase 4 milhões de brasileiros entre 65 e 74 anos estão à frente de algum negócio. Desse total, aproximadamente 1,5 milhão são empreendedores em estágio inicial, enquanto 2,4 milhões mantêm atividades estabelecidas há mais de três anos e meio.

A maior parte desse público afirma empreender em busca de oportunidades, e não apenas por necessidade. A proporção chega a 63%, mesmo percentual observado entre jovens de 18 a 34 anos.

O perfil também apresenta indicadores de escolaridade e renda acima da média geral. Entre os empreendedores de 65 a 74 anos, 51% concluíram o ensino superior, enquanto 70% estão em faixas de rendimento consideradas mais elevadas.

Participação feminina e diversidade ainda são desafios

O levantamento aponta, entretanto, diferenças relevantes na composição desse grupo. Mulheres representam 38% dos empreendedores seniores.

Nos negócios já estabelecidos, 64% dos empreendedores mais velhos são brancos, enquanto 33% são pretos ou pardos. Entre os negócios em estágio inicial, porém, a composição se inverte: 57% dos empreendedores são pretos ou pardos e 38% são brancos.

Os dados sugerem uma mudança no perfil das novas iniciativas comandadas por pessoas mais velhas, com aumento da presença de empreendedores pretos e pardos entre aqueles que ingressaram mais recentemente no mercado.

Franquias atraem quem busca modelos já testados

A procura por negócios com estrutura consolidada também ajuda a explicar a presença dos empreendedores seniores no segmento de franquias. Durante o seminário, foram apresentados dados indicando participação desse grupo tanto como franqueadores quanto como franqueados.

O empresário José Ramalho, responsável pela franquia R-Crio Células Tronco, afirmou que a previsibilidade oferecida por modelos consolidados é um dos fatores que atraem esse público.

“Esses são modelos validados, testados, com mais segurança financeira para quem está investindo suas economias de vida. Os setores de residenciais seniores, cuidadores de idosos e academias cognitivas estão entre os negócios mais buscados neste segmento, pois o empreendedor sênior entende com profundidade as demandas da sua própria geração”, afirmou.

Pesquisa acompanha empreendedorismo em escala global

O Global Entrepreneurship Monitor é uma das principais pesquisas internacionais sobre empreendedorismo e já foi realizado em 110 países. No Brasil, a edição mais recente ouviu 2.350 adultos com idades entre 18 e 64 anos.

O levantamento diferencia os empreendedores em estágio inicial, que incluem pessoas que estão estruturando um negócio ou mantêm atividade recente, daqueles considerados estabelecidos, com mais de três anos e meio de funcionamento.

Os resultados foram reunidos no e-book “Empreendedorismo no Brasil 2025”, lançado durante o seminário promovido pelo Sebrae.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *