Mendonça fica sob pressão após revelações sobre relações com Vorcaro e atuação do irmão em agência de SP

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Por Dafne AshtonBrasil 247

247 – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a enfrentar novos questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse após a divulgação de informações que conectam o Instituto Iter, do qual foi fundador, a um antigo parceiro de negócios de Daniel Vorcaro, além de revelações sobre a atuação do irmão do magistrado na agência responsável por fiscalizar as concessões de cemitérios da cidade de São Paulo. O tema foi analisado pelo jornalista Joaquim de Carvalho no programa Boa Noite 247, da TV 247.

Para Carvalho, os fatos ganham relevância quando observados em conjunto com a atuação de Mendonça em um processo no STF que discute os serviços funerários e cemiteriais privatizados na capital paulista. O jornalista chamou atenção especialmente para a sequência temporal entre um encontro do ministro com Vorcaro, o pedido de vista que interrompeu o julgamento e, posteriormente, o voto de Mendonça contra medidas adotadas pelo ministro Flávio Dino.

Documentos e reportagens divulgados nesta semana confirmam parte dessa cronologia. Mendonça recebeu Vorcaro em 14 de março de 2025, quando o Supremo analisava medidas relativas às concessões dos serviços funerários de São Paulo. No dia seguinte, pediu vista e interrompeu o julgamento. Ao devolver o processo, em 4 de abril, abriu divergência e votou contra as cautelares estabelecidas por Dino.

As medidas de Dino buscavam ampliar a fiscalização e limitar os preços cobrados pelas concessionárias. O processo chegou ao Supremo depois de questionamentos sobre os valores praticados após a privatização dos serviços funerários paulistanos. Segundo informações reunidas pelo ministro, havia relações financeiras entre o Banco Master e empresas alcançadas pelo julgamento. 

Uma delas era a Cemitérios e Crematórios SP, ligada ao Grupo Maya. Empresas acionistas da concessionária haviam oferecido a totalidade de suas ações ao Banco Master como garantia de financiamentos que somavam R$ 78 milhões. Outra conexão mencionada no processo envolve Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que ocupou posição no conselho de uma concessionária do grupo Cortel. 

É nesse contexto que Carvalho considera necessário esclarecer o encontro entre Mendonça e Vorcaro. “André Mendonça se reúne com o Vorcaro lá no instituto dele. Um dia depois, quando tem essa sessão, ele vai e pede vista do processo e, quando devolve, vota contra o Dino, abre divergência”, afirmou o jornalista.

Mendonça confirmou anteriormente que se encontrou com Vorcaro. Segundo informações registradas por Dino, a reunião teria ocorrido por solicitação de integrantes da Igreja Batista da Lagoinha e com intermediação do deputado Cezinha Madureira. O ministro sustenta que sua atuação judicial não teve como objetivo beneficiar o banqueiro. 

Outro elemento destacado por Carvalho é a posição ocupada por Alexandre de Almeida Mendonça, irmão do ministro, na SP Regula, agência municipal encarregada da fiscalização dos serviços concedidos pela Prefeitura de São Paulo. Alexandre tornou-se superintendente em julho de 2024 e foi promovido a secretário-executivo da agência em maio de 2026, quando o processo ainda estava em tramitação.

“Você sabe quem foi promovido enquanto isso e cuidava da agência que fiscaliza os contratos, fiscaliza os cemitérios? O irmão do André Mendonça”, disse Carvalho. Para o jornalista, a relação funcional do irmão do ministro com a agência reguladora precisa ser considerada na apuração dos fatos que cercam as concessões.

A sequência também inclui o Instituto Iter, fundado por Mendonça. Em setembro de 2025, depois do voto do ministro no processo dos cemitérios, a entidade firmou contrato de R$ 380 mil, sem licitação, com a Prefeitura de São Paulo para treinamento e aperfeiçoamento de servidores. 

Nesta semana, outra revelação ampliou os questionamentos sobre o instituto. O Inter recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa pertencente ao empresário Lucas Kallas, antigo parceiro de negócios de Vorcaro. O negócio foi estruturado como um mútuo conversível firmado em abril de 2024. A Cedro afirma não possuir relação societária com Vorcaro, e o instituto sustenta que os recursos foram empregados na finalidade prevista e começaram a ser devolvidos em janeiro de 2026.

Carvalho relacionou essas informações ao embate recente dentro do Supremo envolvendo as conexões de ministros com Vorcaro. Para ele, os novos elementos enfraquecem a posição de Mendonça depois de o próprio magistrado ter levantado questionamentos sobre a atuação de outros integrantes da Corte em episódios relacionados ao banqueiro.

As suspeitas sobre as concessões levaram Dino a determinar nesta quinta-feira (17) que a Polícia Federal e a Comissão de Valores Mobiliários aprofundem a apuração das operações entre o Banco Master e as empresas do setor funerário paulistano. O ministro estabeleceu, porém, um limite: a PF não está autorizada a investigar André Mendonça. Qualquer providência que possa atingir diretamente um ministro do Supremo deverá passar pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e pelo colegiado. 

A ressalva também estabelece uma diferença entre os fatos já documentados e a interpretação apresentada por Carvalho. Até o momento, a sequência formada pelo encontro com Vorcaro, pelo pedido de vista, pelo voto de Mendonça, pela posição ocupada por seu irmão e pelas relações financeiras do Inter produz questionamentos que estão sendo submetidos a esclarecimentos. Dino registrou expressamente que esses elementos, por si sós, não permitem concluir que Mendonça tenha cometido irregularidades ou decidido sob influência de interesses externos. 

Para Carvalho, entretanto, o aprofundamento das apurações sobre as concessionárias pode trazer novas informações sobre essa rede de relações. “Se esse caso for aprofundado”, afirmou, os fatos relacionados ao irmão do ministro e à agência reguladora inevitavelmente precisarão ser esclarecidos. A investigação determinada por Dino deverá agora se concentrar nas operações do Master com as empresas responsáveis pelos cemitérios, enquanto eventuais elementos referentes diretamente a Mendonça deverão ser encaminhados à Presidência do STF.

Fonte: Brasil 247

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