Vila Nova e Atlético-GO aderem a manifesto contra restrições às bets no futebol
Por João Reynol — Jornal Opção

Vila Nova e Atlético Goianiense se uniram à mobilização de clubes brasileiros contra possíveis mudanças nas regras do mercado de apostas. Em nota intitulada “O Fim do Futebol Brasileiro”, compartilhada pelas duas equipes goianienses, os clubes defendem a manutenção das empresas regulamentadas e afirmam que restrições ao setor podem comprometer receitas de patrocínio e o funcionamento das agremiações.
A reação ocorre diante da possibilidade de o governo federal editar uma medida provisória para proibir jogos de cassino on-line. A proposta não proibiria as apostas esportivas, mas poderia atingir o faturamento das operadoras que patrocinam o futebol.
Ao divulgar o manifesto, Vila Nova e Atlético-GO demonstraram preocupação com a dependência financeira do esporte em relação às bets. O documento sustenta que os investimentos dessas empresas se tornaram uma das principais fontes de receita do futebol e que uma redução abrupta dos recursos afetaria também equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com pouca exposição comercial.
“Para muitos destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento”, afirma a nota.
O texto compartilhado pelos clubes não apresenta valores de patrocínio de Vila Nova e Atlético-GO nem estima o impacto financeiro que uma eventual mudança poderia provocar nas duas equipes.
A mobilização também envolve outros clubes do país. Conforme o ge, o manifesto foi divulgado por Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco e Cruzeiro, além da Federação Paulista de Futebol, em parceria com Palmeiras, Santos e São Paulo. A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro também publicou o posicionamento.
De acordo com o manifesto, as receitas provenientes das empresas de apostas ajudam a manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais e projetos sociais. Os clubes argumentam que o futebol feminino e as categorias de base estariam entre as áreas mais ameaçadas em um cenário de queda repentina da arrecadação.
As entidades também afirmam que contratos e compromissos financeiros foram assumidos com base nas regras estabelecidas pelo próprio Estado. Na avaliação dos signatários, alterações abruptas poderiam comprometer planejamentos de longo prazo e levar clubes à insolvência.
Outro argumento apresentado é que restringir o mercado regulamentado não eliminaria as apostas. Na visão dos clubes, a medida favoreceria a migração de consumidores para plataformas clandestinas, sem recolhimento de impostos ou mecanismos adequados de proteção aos usuários.
Apesar da defesa do setor, o manifesto reconhece os impactos sociais das apostas, especialmente sobre pessoas em situação de vulnerabilidade. Os clubes defendem o aperfeiçoamento da fiscalização e das medidas de prevenção, educação e proteção ao consumidor.
“O futebol se coloca à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional, das Autoridades Estaduais e Municipais para colaborar em mecanismos mais eficientes de educação e conscientização”, diz o documento.
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Fonte: Jornal Opção