Apontada como ‘canal direto do STF’, advogada recebeu R$ 33 milhões do Master

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Por Otávio RossoBrasil 247

247 – A Polícia Federal identificou, em documentos de uma auditoria interna do Banco Regional de Brasília (BRB), que o escritório da advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa recebeu R$ 33 milhões do Banco Master em 2024. A instituição financeira era controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. As informações foram reveladas pelo Estado de São Paulo nesta sexta-feira (18).

Os documentos encontrados pela PF fazem parte da análise sobre a operação envolvendo o BRB e o Banco Master.

Dalide aparece em diálogos de diretores do Master obtidos pelos investigadores. Em uma conversa sobre despesas, o diretor financeiro do banco, Ângelo Ribeiro, determinou ao superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Félix, que fosse feito o pagamento ao escritório da advogada. Na mensagem, ele afirmou que se tratava de um “canal direto com o STF”, sem detalhar o significado da expressão.

Procurada pelo Estadão, a assessoria de Dalide negou que a advogada tenha atuado junto ao Supremo Tribunal Federal em favor do Banco Master. Em nota, afirmou que ela “jamais atuou para o Master no STF nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”.

A defesa também declarou que a atuação da advogada se limitou a processos judiciais originalmente conduzidos em favor de empresas que venderam créditos ao Banco Master e que, posteriormente, foram sucedidas pelo banco nessas ações. “Essa atuação ocorreu exclusivamente perante órgãos de primeira e segunda instâncias”, acrescentou a assessoria.

Os registros analisados pela PF também citam pagamentos de R$ 40 milhões, em 2024, ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Os contratos de Vorcaro com escritórios de advocacia ligados a ministros do Supremo provocaram uma crise nos bastidores da Corte depois que o Estadão revelou trechos do relatório da PF com menções a Moraes no celular do banqueiro.

No caso de Dalide, a PF ainda não realizou diligências específicas sobre o contrato. Por isso, os investigadores não produziram, até o momento, avaliação sobre a legalidade da prestação dos serviços.

De acordo com a apuração, os diálogos encontrados não mencionam o ministro Gilmar Mendes nem qualquer outro integrante do STF. Também não houve, até agora, diligências ou medidas de investigação contra ministros no âmbito da Operação Compliance Zero.

Dalide Corrêa tem ligação anterior com o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), instituição fundada por Gilmar Mendes. Em 2010, ela abriu o escritório Alves Corrêa & Veríssimo Advocacia, em Brasília, onde atua como advogada-sócia administradora. No mesmo ano, assumiu o cargo de diretora-geral do IDP, função que ocupou por sete anos.

Segundo a reportagem, Dalide e Gilmar Mendes se conheceram quando ele era advogado-geral da União no governo Fernando Henrique Cardoso e ela trabalhava na Caixa Econômica Federal. A relação entre os dois teria sido interrompida em 2017, após divergências sobre a gestão do IDP.

A assessoria de Gilmar Mendes informou que o ministro não comentaria o assunto. A interlocutores, ele afirmou que se afastou de Dalide após a saída dela do IDP e que não mantém relação de proximidade com a advogada.

Natural de Cansanção, no interior da Bahia, Dalide tem 67 anos. Ela é graduada em Direito pelo Centro Universitário de Brasília e pós-graduada em Direito Tributário, Direito Constitucional e Direito Processual Civil pelo Instituto Brasileiro de Direito Processual.

Antes de abrir seu escritório, atuou como diretora jurídica da Caixa Econômica Federal entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000. Também trabalhou como assessora jurídica na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, procuradora-geral da Agência Nacional de Aviação Civil e chefe de assessoria parlamentar no STF.

Em 2022, Dalide integrou a chapa de João Campos, do Republicanos, como suplente na disputa pelo Senado em Goiás. A candidatura não foi eleita. Naquele ano, ela declarou R$ 88,5 milhões em bens, incluindo imóveis, terrenos, joias e outros itens.

Fonte: Brasil 247

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