Atacado pela mídia, reajuste de 15% do Bolsa Família apenas repõe a inflação
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se alvo de uma ofensiva de setores da mídia nesta sexta-feira (18), em razão da proximidade das eleições presidenciais. O dado objetivo, no entanto, é que o percentual concedido pelo governo corresponde à inflação acumulada desde a implantação do atual desenho do programa, em março de 2023.
O valor mínimo recebido pelas famílias passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro. O benefício médio, atualmente em R$ 675, chegará a R$ 777. A atualização também alcança os valores adicionais destinados a crianças, gestantes, nutrizes e outros integrantes das famílias beneficiárias.
Segundo o secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o percentual de 15,04% foi calculado com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026.
Portanto, em termos reais, o governo não está concedendo um aumento de 15% no poder de compra do Bolsa Família. Está recompondo a perda provocada pela inflação acumulada ao longo de três anos e meio.
Folha fala em “populismo gastador”
A proximidade entre o reajuste e as eleições tornou-se o principal argumento utilizado pelos críticos da medida.
Em editorial publicado na noite de quinta-feira (17), a Folha de S.Paulo classificou a decisão como uma combinação de objetivo eleitoral e “populismo gastador”. O próprio editorial, porém, reconheceu que o reajuste é correto e necessário e que se trata da primeira correção do benefício em três anos e meio.
Reportagens e análises publicadas na imprensa também colocaram em primeiro plano o momento eleitoral do anúncio. A cobertura da própria Folha destacou no título que o reajuste ocorreu a menos de três semanas do primeiro turno.
O debate, portanto, envolve duas questões diferentes: o momento político escolhido para anunciar a medida e a justificativa econômica do percentual concedido.
Sobre o segundo ponto, os números são claros: os 15,04% correspondem ao INPC acumulado desde março de 2023.
Benefício estava congelado em R$ 600
O piso de R$ 600 não havia sido reajustado desde a recriação do Bolsa Família em seu formato atual, em março de 2023.
Nesse período, os preços continuaram subindo, reduzindo progressivamente a quantidade de alimentos e outros produtos que uma família conseguia comprar com o mesmo valor.
A correção anunciada pelo governo tem justamente o objetivo de recuperar essa perda. A atualização monetária dos benefícios está prevista na legislação do Bolsa Família e, segundo o governo, busca preservar o poder de compra das famílias atendidas.
Impacto será de R$ 5,8 bilhões neste ano
O reajuste terá impacto adicional estimado pelo governo em R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027.
A proposta orçamentária de 2027 enviada anteriormente ao Congresso ainda não incorporava esse valor, e o governo informou que fará os ajustes necessários no projeto. Neste ano, também haverá remanejamento de despesas para acomodar o custo adicional.
Parte do espaço fiscal disponível em 2026, segundo o governo, veio de economias obtidas na Previdência Social.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a correção será realizada dentro das regras fiscais e incorporada ao Orçamento, diferenciando a decisão das medidas extraordinárias adotadas pelo governo Jair Bolsonaro às vésperas das eleições de 2022.
Naquele ano, Bolsonaro elevou o Auxílio Brasil e criou benefícios destinados a caminhoneiros e taxistas por meio da chamada PEC Kamikaze, que autorizou cerca de R$ 40 bilhões em gastos acima do teto então vigente.
Bolsa Família pesa menos no PIB
Durigan também apresentou outro dado para responder às críticas sobre o impacto fiscal.
Segundo o ministro, as despesas do Bolsa Família representavam aproximadamente 1,5% do Produto Interno Bruto na transição entre 2022 e 2023. Mesmo depois do reajuste, a projeção para 2027 é de um gasto entre 1,2% e 1,25% do PIB.
O governo sustenta, portanto, que a reposição da inflação pode ser feita preservando a trajetória fiscal.
Governo destaca combate à fome
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, relacionou o reajuste à política de combate à pobreza e à insegurança alimentar.
Segundo o governo, preservar o valor real do benefício é essencial para impedir que a inflação corroa a capacidade das famílias de comprar alimentos e atender necessidades básicas.
Durigan também destacou que o Bolsa Família deve ser analisado como parte de uma estratégia mais ampla de inclusão social, combinada à expansão do emprego e da renda.
A controvérsia sobre o momento eleitoral do anúncio deve continuar durante a campanha. Mas o percentual que provocou as críticas tem uma origem matemática definida: 15,04% é a inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.
O reajuste, portanto, não representa ganho real de 15% para os beneficiários. Representa a reposição do poder de compra perdido para a inflação desde o início do atual Bolsa Família.
Fonte: Brasil 247