Canetas emagrecedoras no SUS são aposta inteligente de Lula e Padilha na prevenção e podem reduzir custos futuros

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de preparar a oferta das chamadas canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) representa uma mudança importante na abordagem da obesidade no Brasil: em vez de esperar que a doença produza complicações graves e tratamentos cada vez mais caros, o Estado passa a considerar uma intervenção mais precoce e preventiva.

Lula anunciou nesta quinta-feira (17), em Montes Claros (MG), que o governo pretende oferecer gratuitamente os medicamentos a pacientes com obesidade. A incorporação, no entanto, não será indiscriminada. O Ministério da Saúde prepara protocolos clínicos para determinar quem poderá receber o tratamento, com prescrição e acompanhamento médico.

Esse é justamente o aspecto mais relevante da iniciativa. As canetas não estão sendo apresentadas pelo governo como instrumento estético ou solução milagrosa para emagrecimento, mas como parte de uma política de saúde destinada a pacientes nos quais a obesidade representa risco concreto de outras doenças.

Prevenir pode custar menos do que remediar

A lógica é simples: a obesidade está associada a diversas doenças crônicas que pressionam continuamente os sistemas de saúde. Diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e outras complicações relacionadas ao excesso de peso podem exigir medicamentos durante anos, internações, cirurgias e acompanhamento permanente.

Se medicamentos contra a obesidade conseguirem reduzir essas complicações em grupos de pacientes criteriosamente selecionados, o investimento inicial pode evitar despesas médicas futuras. A economia efetiva para o SUS, porém, dependerá do preço negociado dos medicamentos, da duração dos tratamentos, dos pacientes selecionados e dos resultados clínicos obtidos.

É justamente por isso que o Ministério da Saúde decidiu testar a estratégia antes de uma incorporação ampla.

Um dos principais grupos estudados é formado por pacientes com obesidade grave que aguardam cirurgia bariátrica. O objetivo é verificar se o tratamento medicamentoso pode controlar a obesidade e, em determinados casos, evitar a necessidade da cirurgia.

SUS já acompanha 250 pacientes

O Ministério da Saúde desenvolve, em parceria com o Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, o estudo Real-Bari, que acompanha 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras morbidades.

O protocolo foi desenvolvido para avaliar a segurança e os resultados do uso da semaglutida, com acompanhamento de médicos especialistas.

Segundo Padilha, o primeiro paciente que recebeu a medicação pelo projeto estava na fila da cirurgia bariátrica, perdeu seis quilos e reduziu a circunferência corporal. O ministro destacou também mudanças nos hábitos e aumento da atividade física do paciente. Trata-se de um resultado individual inicial, e não de evidência suficiente para antecipar os resultados do estudo como um todo.

Não será “milagre estético”

Padilha tem enfatizado que o objetivo do SUS não será distribuir canetas como um “milagre estético”.

O Ministério da Saúde avalia grupos nos quais o benefício clínico pode ser maior, incluindo pacientes na fila da cirurgia bariátrica e pessoas com obesidade associada a problemas cardiovasculares. Também estão sendo estudados possíveis benefícios em mulheres que tiveram câncer de mama, inclusive quanto ao risco de recorrência da doença.

Lula também ressaltou que o medicamento deverá ser usado exclusivamente com indicação médica. O presidente defendeu que o tratamento seja acompanhado por reeducação alimentar, exercícios físicos e mudança de hábitos.

Essa combinação é fundamental para que a política tenha caráter efetivamente preventivo.

Queda dos preços tornou política mais viável

Outro fator que ajuda a explicar o momento escolhido pelo governo é a queda dos preços.

Segundo Padilha, medicamentos que chegaram a custar entre R$ 1,7 mil e R$ 2 mil já podem ser encontrados na faixa de R$ 300 a R$ 400. O ministro relaciona a redução à ampliação da concorrência e ao aumento do número de produtos registrados no Brasil.

Em julho, a Anvisa registrou cinco novos medicamentos à base de semaglutida depois de o Ministério da Saúde solicitar prioridade na análise desses produtos. O objetivo declarado era justamente ampliar a concorrência, reduzir preços e preparar o terreno para uma possível incorporação ao SUS.

Padilha afirma que o Brasil já conta com 14 produtos registrados para o combate à obesidade. A expiração da patente da semaglutida em 2026 também abriu espaço para maior produção nacional e competição entre fabricantes.

Uma política de prevenção

O ponto central da iniciativa é compreender a obesidade antes de suas consequências mais graves.

Um sistema público de saúde não precisa atuar apenas quando o paciente chega ao hospital para uma cirurgia, sofre uma complicação cardiovascular ou já necessita de tratamento permanente para doenças associadas. A prevenção e a intervenção precoce também fazem parte da racionalidade econômica de um sistema universal.

Isso não significa que qualquer utilização das canetas produzirá automaticamente economia. Medicamentos dessa classe podem exigir tratamentos prolongados, têm efeitos adversos e precisam ser prescritos de acordo com o perfil clínico de cada paciente. A relação entre custo e benefício terá de ser demonstrada pelos estudos conduzidos pelo SUS.

A estratégia anunciada por Lula e Padilha é inteligente justamente porque começa por grupos prioritários e por protocolos médicos, em vez de simplesmente universalizar a distribuição.

Se os estudos demonstrarem que tratar precocemente pacientes de maior risco reduz cirurgias, internações e doenças crônicas, o SUS poderá transformar uma inovação farmacológica cara em instrumento de prevenção.

Nesse cenário, oferecer canetas emagrecedoras não será apenas uma nova despesa pública. Poderá significar investir hoje para evitar doenças, sofrimento e despesas muito maiores amanhã.

Fonte: Brasil 247

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