Flávio Bolsonaro se beneficia da desidratação da direita alternativa, mas Lula mantém vantagem e favoritismo

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Por Leopoldo VieiraBrasil 247

Com a intensificação da polarização devido à proximidade das eleições, o senador Flávio Bolsonaro parece já se beneficiar da desidratação dos nomes da direita alternativa, impulsionada pelo voto útil contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A análise comparada dos levantamentos mais recentes dos institutos Datafolha, AtlasIntel, Futura Inteligência e Quaest, em cenários de primeiro turno, indica que o avanço de Flávio coincide com o esvaziamento somado das candidaturas de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema.

Contudo, o resultado do Datafolha sinaliza a manutenção parcial do efeito Teflon de Lula, pois ocorre, no segundo turno, apesar de semanas de bateria de notícias negativas contra seu filho, sua assessoria e o ministro Alexandre de Moraes, considerado associado, na imagem da opinião pública, ao chefe do Poder Executivo. Na pesquisa do instituto, divulgada nesta quinta-feira, o presidente da República bate o bolsonarista por 46% a 44%.

DATAFOLHA 

A variação de 1 ponto percentual registrada por Flávio (de 35% para 36%) entre as rodadas de 11 e 17 de setembro do Datafolha ocorreu de forma isolada no primeiro turno, sem retirar votos da direita alternativa, que permaneceu em 15%.

Como os concorrentes diretos mantiveram seus percentuais inalterados, a movimentação do senador Bolsonaro pode ter decorrido do recuo de 1 ponto no grupo de indecisos, que passou de 4% para 3%, tratando-se, todavia, de uma oscilação contida na margem de erro.

ATLASINTEL 

A comparação entre as rodadas de 10 e 17 de setembro revela que a sangria combinada da direita alternativa (-4,9 pontos) foi mais do que suficiente para cobrir 100% da expansão do senador Bolsonaro (+4,3 pontos).

Enquanto o parlamentar saltou de 37,4% para 41,7%, a soma dos quatro nomes da direita alternativa caiu de 16,3% para 11,4%.

FUTURA 

A variação entre os levantamentos de 3 e 17 de setembro reafirma a retração dos demais nomes de direita como motor da candidatura de Bolsonaro, que avançou 4,1 pontos enquanto a soma dos adversários encolheu 2,4 p.p.

Flávio subiu de 33,6% para 37,7%, e a concorrência na mesma raia ideológica retraiu de 17,8% para 15,4%, puxada principalmente por Cury, que caiu de 9,9% para 6,5%.

QUAEST 

Na avaliação das rodadas de 7 e 14 de setembro, o senador Bolsonaro subiu 2 p.p., passando de 29% para 31%. Paralelamente, a direita alternativa permaneceu nula em sua variação somada, estacionada em 16%, fruto de uma compensação interna em que a perda de 2 p.p. somados de Cury e Zema foi neutralizada pelas oscilações positivas residuais de Caiado e Santos.

O dado demonstra que a sangria específica de Cury e Zema correspondeu exatamente aos 2 pontos de subida de Flávio.

OUTROS FATORES 

A parcela do crescimento do senador Bolsonaro não explicada pelo recuo dos outros candidatos de direita pode estar associada à redução do voto nulo/branco e ao esvaziamento do grupo de indecisos. Ou seja, o eleitorado antipetista que estava inativo está entrando na disputa para apoiar a candidatura de oposição mais viável, embora o fator determinante seja a concentração de seu crescimento na direita desidratada.

Porém, no cômputo geral, o incumbente prossegue com leve vantagem e favoritismo.

Em tempo: o reajuste do programa Bolsa Família nas mãos do ministro André Mendonça, do STF, coloca-o entre uma decisão que pode aprofundar seu desgaste diante do eleitorado de baixa renda, considerado também decisivo para o desfecho da disputa pelo Palácio do Planalto.

Fonte: Brasil 247

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