IA pode ajudar no combate às mudanças climáticas, diz Al Gore

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A inteligência artificial pode representar não apenas um novo desafio ambiental, mas também uma ferramenta para reduzir emissões de gases de efeito estufa. Essa é a avaliação do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, que defendeu o potencial da tecnologia para acelerar a transição energética.
Em entrevista ao Financial Times, por ocasião da divulgação de um novo relatório da Generation Investment Management, gestora de investimentos que cofundou, Gore afirmou que o consumo de energia associado à inteligência artificial é uma preocupação, mas não motivo para pânico. Segundo ele, a tecnologia também pode contribuir para tornar sistemas de energia mais eficientes e ampliar o uso de fontes renováveis.
A posição apresentada por Gore coloca a IA dentro de uma equação mais ampla: a mesma tecnologia que aumenta a demanda por eletricidade e infraestrutura pode, se aplicada em determinadas áreas, ajudar a reduzir desperdícios, melhorar a eficiência e diminuir emissões. O resultado ambiental dessa transformação, porém, dependerá de quais aplicações prevalecerão e de como a expansão da infraestrutura necessária para a IA será abastecida.
A discussão ocorre em um momento de forte expansão da infraestrutura necessária para o funcionamento da IA. Data centers demandam grandes quantidades de eletricidade e, dependendo da matriz energética utilizada, podem aumentar as emissões de carbono.

Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) mostram a dimensão desse crescimento. A entidade estima que o consumo global de eletricidade dos data centers mais que dobre até 2030, chegando a aproximadamente 945 terawatts-hora (TWh). Isso equivaleria a pouco menos de 3% do consumo mundial de eletricidade. A IEA também projeta crescimento médio de cerca de 15% ao ano no consumo dos data centers entre 2024 e 2030.
A avaliação de Gore se apoia, entre outros trabalhos, em uma pesquisa do Grantham Research Institute, da London School of Economics. O estudo publicado em 2025 analisou como a IA poderia contribuir para a transição de baixo carbono em áreas como energia, transporte e alimentação.
Os pesquisadores estimaram que aplicações de inteligência artificial nesses três setores poderiam possibilitar uma redução de 3,2 bilhões a 5,4 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano até 2035. O estudo ressalva que se trata de um potencial estimado, e não de uma redução de emissões já alcançada.
Entre as possibilidades estão o aumento da eficiência de sistemas complexos, a melhoria da utilização de recursos, o desenvolvimento de novas tecnologias e o aprimoramento de modelos capazes de apoiar decisões relacionadas ao clima.
A própria pesquisa, porém, aponta que os benefícios dependem da maneira como a tecnologia será desenvolvida e utilizada.
O outro lado da equação
O crescimento da IA também traz impactos ambientais concretos. Além da eletricidade necessária para os data centers, a expansão da infraestrutura pode aumentar a demanda por água e por novas fontes de geração de energia.
O Grantham Research Institute observa que o crescimento não controlado da IA apresenta riscos ambientais associados justamente à infraestrutura necessária para seu funcionamento, incluindo data centers intensivos em energia e água. O instituto também chama atenção para o risco de a IA aumentar a eficiência de setores com altas emissões, como petróleo e gás, estimulando sua produção.
Esse ponto aparece também na reportagem do Financial Times. Um estudo recente publicado na revista Nature, realizado por ex-analistas da Microsoft, concluiu que ganhos de produtividade proporcionados pela IA no setor de petróleo e gás poderiam elevar significativamente as emissões globais, superando possíveis benefícios obtidos em aplicações relacionadas à energia limpa.
Assim, o impacto climático da IA não depende apenas de quanto os modelos consomem de energia, mas também de como a tecnologia é aplicada e de quais atividades econômicas ela ajuda a expandir ou tornar mais eficientes.
Mais demanda sobre a rede elétrica
O avanço da inteligência artificial coloca ainda outro desafio: a capacidade dos sistemas elétricos de acompanhar o crescimento da demanda. Segundo a IEA, a IA é o principal fator por trás do aumento projetado no consumo de eletricidade dos data centers. No cenário-base da agência, fontes renováveis devem responder por uma parcela importante desse crescimento, mas gás natural e outras fontes também deverão participar do atendimento à nova demanda.
Para Gore, esse aumento de demanda não precisa necessariamente significar um retrocesso na transição energética. Na avaliação apresentada ao Financial Times, a expansão dos data centers pode ser acompanhada pelo desenvolvimento de novas fontes renováveis e por ganhos de eficiência nos sistemas de energia.
O desafio, portanto, é fazer com que a expansão da infraestrutura digital aconteça simultaneamente à transformação da matriz energética.
Apesar de destacar o potencial climático da tecnologia, Gore não descartou os riscos associados ao avanço acelerado da inteligência artificial. Segundo o Financial Times, ele defendeu a criação de mecanismos de controle para garantir que a IA seja desenvolvida e utilizada com segurança. O ex-vice-presidente também afirmou que Estados Unidos e China deveriam cooperar tanto na gestão dos riscos associados à inteligência artificial quanto nos desafios climáticos.
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Fonte: umsoplaneta

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