Renda fixa: quanto R$ 100 mil deixaram de render desde o início do ciclo de corte de juros?

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Por Monique LimaSeu Dinheiro

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Quem tinha R$ 100 mil aplicados em títulos de renda fixa como Tesouro Selic, CDBs, LCIs e LCAs quando os juros estavam em 15% ao ano recebia um rendimento diferente do que recebe hoje.

Não porque o investimento mudou, mas porque os juros da economia mudaram.

Desde janeiro, o Banco Central já reduziu a taxa Selic — que é o juro básico da economia e serve de referência para a renda fixa — em 1,25 ponto percentual.

Os 15% ao ano ficaram para trás e chegaram a 13,75% nesta quarta-feira (16), quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC fez o corte mais recente.

O efeito aparece principalmente nos investimentos pós-fixados, que rendem conforme a taxa básica. A queda dos juros para esses papéis significa rendimentos menores mês após mês.

Na prática, quando o Banco Central corta os juros, indiretamente também corta o rendimento diário desses títulos. O dinheiro continua rendendo, mas em um ritmo menor. E o efeito é instantâneo, sem que o investidor precise comprar um título novo para sentir a mudança.

É diferente do que acontece com títulos prefixados ou atrelados à inflação. Nesses casos, a taxa contratada na compra é preservada até o vencimento, independentemente do valor da Selic.

Segundo simulações feitas pelo Seu Dinheiro, a diferença de retorno para uma aplicação de R$ 100 mil em renda fixa conservadora é de quase R$ 2.500, comparando-se a época em que a Selic estava em 15% com agora, a 13,75% (veja detalhes mais adiante nesta matéria).

Quem comprou um papel pagando uma remuneração fixa de 15% ao ano ou uma taxa como IPCA + 8% ao ano, por exemplo, continua recebendo esse retorno mesmo que os juros mudem.

O efeito instantâneo da Selic

  • Em janeiro, quando a Selic estava em 15% ao ano, o rendimento bruto mensal do Tesouro Selic era de 1,21%.
  • A partir desta quinta (17), com a taxa em 13,75% ao ano, esse retorno bruto deve cair para 1,10% ao mês.

Nos dois casos, a mudança no rendimento acontece no dia seguinte à determinação da nova taxa de juros. Pode parecer uma mudança pequena à primeira vista. Afinal, estamos falando de pouco mais de um décimo de ponto percentual por mês.

Mas, com o acumulado dos meses, essa redução faz diferença no bolso — ainda mais quando se considera a cobrança de imposto de renda dos títulos de renda fixa tributáveis, como o Tesouro Selic e os CDBs.

Quanto diminuiu o retorno na renda fixa conservadora com os cortes na Selic?

Considerando as taxas Selic de 15% e 13,75% ao ano e um CDI um pouco inferior, de 14,90% e 13,65%, respectivamente (como costuma acontecer), as rentabilidades mensais líquidas das principais aplicações financeiras conservadoras ficam assim:

Investimento  Selic em 15% ao ano – retorno líquido em 1 mês*  Selic em 13,75% ao ano – retorno líquido em 1 mês*  CDI bruto  1,16%  1,07%  Tesouro Selic 2031 (via Tesouro Direto)  0,86%  0,79%  CDB 100% do CDI   0,90%  0,83% 
(*) Período de 21 dias úteis e mais de 30 dias corridos, correspondente a uma alíquota de IR de 22,5%, quando for o caso.

Mas o que essa sopa de números significa em dinheiro, você deve estar se perguntando.

Considerando essas taxas de rentabilidade, os retornos de aplicações de R$ 100 mil passaram a ser os seguintes:

Investimento  Quanto você teria com a Selic a 15% ao ano  Quanto você teria com a Selic a 13,75% ao ano  Diferença  Tesouro Selic 2031 (via Tesouro Direto)*  R$ 100.863,24  R$ 100.791,90  R$ 71,34  CDB 100% do CDI   R$ 100.902,22  R$ 100.830,79  R$ 71,43 
(*) Para o cálculo do retorno do Tesouro Selic, foram considerados uma taxa de administração igual a zero, o spread de compra e venda (espécie de “pedágio” para a venda do título antes do vencimento) e uma taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre todo o montante investido, que é o padrão da calculadora do Tesouro Direto. Atualmente, no entanto, existe uma isenção da taxa de custódia para valores aplicados de até R$ 10 mil, o que significa que a verdadeira rentabilidade do Tesouro Selic, nesses casos, é um pouco maior que a estimada na tabela. 

Em ambos os casos, o retorno diminuiu em cerca de R$ 70 em um mês com esse corte de 1,25 p.p. na taxa Selic. Entretanto, a diferença real tende a ser um pouco diferente.

Mesmo com uma taxa menor, o patrimônio continua crescendo dia após dia porque os rendimentos se somam ao valor aplicado.

Na prática, o primeiro mês rende sobre R$ 100 mil. No seguinte, o rendimento já incide sobre R$ 100 mil mais os juros, e assim sucessivamente. Afinal, trata-se de juros compostos.

Conforme a taxa Selic foi diminuindo aos poucos, o volume total investido foi crescendo, mas o retorno foi caindo.

A diferença aparece de verdade com o passar do tempo. Para prazos maiores, acima de um ano, a mudança nos juros começa a pesar mais no retorno.

A diferença na renda fixa conservadora em um e dois anos

Um ano

Investimento  Quanto você teria com a Selic a 15% ao ano  Quanto você teria com a Selic a 13,75% ao ano  Diferença  Tesouro Selic 2031 (via Tesouro Direto)  R$ 112.197,76  R$ 111.167,35  R$ 1.030,41   CDB 100% do CDI   R$ 112.292,50   R$ 111.261,25  R$ 1.031,25   LCI/ LCA 90% do CDI  R$ 113.315,55  R$ 112.205,40  R$ 1.110,15 
O cálculo considerou a taxa de juros de 15% e 13,75% ao ano de forma constante, sem transição gradual. Para descontar o imposto, a rentabilidade foi de um período de 252 dias úteis e mais de 360 dias corridos, correspondente a uma alíquota de IR de 17,5%, quando for o caso.  

Dois anos

Investimento  Quanto você teria com a Selic a 15% ao ano  Quanto você teria com a Selic a 13,75% ao ano  Diferença  Tesouro Selic 2031 (via Tesouro Direto)  R$ 126.961,72  R$ 124.546,20  R$ 2.415,52  CDB 100% do CDI   R$ 127.093,45   R$ 124.677,31   R$ 2.416,14  LCI/ LCA 90% do CDI  R$ 128.276,82  R$ 125.785,50  R$ 2.491,32 
O cálculo considerou a taxa de juros de 15% e 13,75% ao ano de forma constante, sem transição gradual. Para descontar o imposto, a rentabilidade foi de um período de 504 dias úteis e mais de 720 dias corridos para os demais investimentos, correspondente a uma alíquota de IR de 15,0%, quando for o caso. 

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Fonte: Seu Dinheiro

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