Flávio Bolsonaro nega ajuda de Trump após documento ligar tarifaço à eleição

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Por Otávio RossoBrasil 247

247 – O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta quinta-feira (17) que receba apoio do governo dos Estados Unidos na disputa eleitoral, depois da revelação de que a Casa Branca tentou incluir, nas negociações do tarifaço contra o Brasil, uma exigência relacionada à participação de “dissidentes políticos” nas eleições presidenciais de 2026.

A exigência constava de um documento enviado por autoridades americanas ao governo brasileiro em outubro de 2025, durante as tratativas sobre o primeiro tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros.

“Vamos ser bem claros: não existe ajuda do governo americano. Essa narrativa não vai colar, desculpa. Quem resolve a eleição é a gente aqui. A oposição está disputando a eleição, a gente vai ganhar a eleição com as regras que estão aí”, afirmou Flávio, durante agenda em Vitória da Conquista, na Bahia.

De acordo com o documento, elaborado em formato de declaração conjunta, o governo brasileiro deveria assumir o compromisso de realizar eleições “livres e justas” em 2026. A minuta dizia que “o Brasil se compromete a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral”.

A proposta foi enviada a uma comitiva brasileira que estava em Washington para negociar o tarifaço determinado por Trump. Segundo integrantes da diplomacia brasileira ouvidos pela imprensa, o teor da mensagem foi considerado inaceitável pelo governo Lula, que comunicou aos Estados Unidos que não negociaria sob aquelas condições.

Na mesma agenda, Flávio Bolsonaro criticou a condução da política externa brasileira sob Lula e chamou a diplomacia do governo de “porcaria”. “Ele se aproxima de grandes ditaduras, se aproximam de governos que não respeitam os direitos humanos, que assassinam mulheres e gays”, declarou o senador. Em seguida, defendeu outra orientação para as relações internacionais: “Eu vou me aproximar de grandes países, grandes democracias que usam sua potência para levar riqueza às nações”.

A revelação amplia o desgaste em torno da relação entre o bolsonarismo e o governo Trump no contexto da eleição brasileira. No ano passado, ao anunciar o primeiro tarifaço contra o Brasil, o presidente americano mencionou diretamente Jair Bolsonaro e afirmou que havia no país uma “caça às bruxas”. Trump também disse que a forma como o Brasil tratava o ex-presidente era uma “vergonha internacional”.

Em julho deste ano, o governo americano implementou novas tarifas de 25% contra produtos brasileiros. A medida havia sido proposta pelo USTR, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos. Entre os principais alvos da investigação estavam o Pix e o mercado de etanol.

No relatório, o USTR acusou o Banco Central brasileiro de favorecer o Pix de forma injusta e discriminatória em relação a outros meios de pagamento. O tema passou a integrar o pacote de tensões comerciais entre Brasília e Washington, em meio à campanha presidencial de 2026 e às críticas do governo Lula às medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.

Fonte: Brasil 247

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