Lula atua para abrir vantagem no 1º turno e evitar virada no 2º
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu antecipar uma ofensiva política que, inicialmente, estava reservada para um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). O objetivo é ampliar a distância sobre o senador ainda na primeira etapa da disputa e reduzir o risco de uma virada na fase final da eleição. A informação foi publicada pela CNN Brasil, em coluna do jornalista Gustavo Uribe.
A estratégia petista passou a mirar diretamente a associação de Flávio Bolsonaro ao escândalo do Banco Master e o envolvimento de aliados políticos do campo bolsonarista com facções criminosas.
A mudança de rota ocorre em meio a pesquisas eleitorais que mostram Flávio numericamente à frente de Lula, embora dentro da margem de erro. Diante desse cenário, a avaliação no entorno do presidente é que a campanha precisa criar uma margem considerada segura no primeiro turno, antes que votos hoje distribuídos entre candidaturas de terceira via possam migrar para o candidato do PL em uma disputa direta.
De acordo com a CNN, aliados de Lula no Palácio do Planalto consideram ideal que o presidente chegue ao fim do primeiro turno com cerca de dez pontos percentuais de vantagem sobre Flávio. Entre auxiliares mais cautelosos, uma diferença de sete pontos já seria vista como suficiente para dar ao petista melhores condições de largada no segundo turno.
A ofensiva contra Flávio, portanto, foi levada aos palanques eletrônicos, à televisão e ao rádio antes do previsto. A campanha passou a explorar temas sensíveis para o senador, especialmente o caso Banco Master, que já vinha sendo usado por adversários para questionar suas conexões políticas, além de ataques relacionados à segurança pública e à ligação de aliados bolsonaristas com o crime organizado.
Outro eixo da estratégia será aumentar a exposição de Lula. O presidente deve conceder mais entrevistas a emissoras de televisão e podcasts, além de intensificar agendas de viagem. O foco principal será o Nordeste, região em que o petista costuma ter melhor desempenho eleitoral, e o Sudeste, que concentra os maiores colégios eleitorais do país.
A leitura da campanha é que o desempenho no primeiro turno será decisivo para conter a transferência de votos de candidatos como Renan Santos, do Missão, e Ronaldo Caiado, do PSD, para Flávio Bolsonaro. Ainda assim, dirigentes petistas avaliam que parte desses eleitores pode resistir ao senador do PL ou deixar de comparecer às urnas no segundo turno.
Por isso, o esforço central passou a ser aumentar a rejeição de Flávio Bolsonaro entre segmentos de centro-direita. A campanha petista busca convencer eleitores que rejeitam Lula a não se mobilizarem automaticamente em favor do candidato bolsonarista em uma eventual disputa direta.
Fonte: Brasil 247