Nunes diz que empresa de ônibus ligada a Leite não opera mais na prefeitura de SP

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Por Laís GouveiaBrasil 247

247 – O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta quinta-feira (17) que a Transwolff não opera mais no sistema municipal após ter sido alvo de intervenção em 2024. A empresa voltou ao centro das atenções com a Operação Vectura Corrupta, que investiga a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo e tem entre seus alvos o ex-vereador Milton Leite (União Brasil).

A declaração foi dada ao colunista Vinicius Passarelli, do Metrópoles. Questionado sobre a operação deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Nunes afirmou: “A TransWolf já não está mais operando aqui, fiz a intervenção em 2024”.

A Transwolff é mencionada na investigação que levou a Justiça a determinar a prisão temporária de Milton Leite. Segundo o Ministério Público, o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo aparece em elementos reunidos durante a apuração como alguém que teria atuação sobre empresas de transporte investigadas por supostas relações com o PCC. Leite nega envolvimento com a facção.

Em trecho divulgado pelo Metrópoles, o MPSP afirma: “Milton Leite é citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC. Somado a isso há declarações de policiais militares em procedimento junto ao Tribunal de Justiça Militar, que o mesmo seria o dono de fato da empresa Transwolf”.

A condição atribuída a Leite faz parte da investigação e ainda será submetida ao contraditório e às demais etapas do processo judicial. O ex-vereador afirma não ser proprietário da Transwolff e rejeita qualquer participação em atividades do crime organizado.

A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada nesta quinta por promotores e policiais civis para aprofundar a investigação sobre a presença de integrantes ou representantes do PCC no setor de transporte coletivo da capital. Segundo o MPSP, empresas teriam sido utilizadas para movimentação e lavagem de recursos de origem criminosa, com uso de pessoas apontadas como intermediários ou laranjas.

Transwolff já havia sido alvo de operação em 2024

As suspeitas envolvendo a Transwolff antecedem a operação desta quinta-feira. Em abril de 2024, a empresa foi um dos alvos da Operação Fim da Linha, investigação sobre a utilização de companhias de ônibus para lavagem de recursos atribuídos ao PCC.

De acordo com a investigação do MPSP naquela ocasião, cerca de R$ 54 milhões provenientes de atividades ilícitas teriam sido direcionados à Transwolff. A suspeita era de que os recursos ajudaram a estruturar financeiramente a companhia para sua participação na concessão do transporte público paulistano.

A Transwolff operava 133 linhas e transportava aproximadamente 555 mil passageiros. A empresa ficou sob intervenção a partir de 9 de abril de 2024. Documentos oficiais da Prefeitura registram que a medida ocorreu após ação do Ministério Público e decisão judicial. A UPBus também passou por intervenção naquele período.

Em dezembro de 2024, a administração municipal iniciou o processo administrativo destinado à caducidade dos contratos das duas concessionárias. No caso da Transwolff, o rompimento definitivo dos contratos foi anunciado pela Prefeitura em dezembro de 2025, quando a gestão informou que a SPTrans assumiria a administração do serviço e manteria a operação das linhas.

A Prefeitura afirmou nesta quinta-feira que as providências tomadas contra a Transwolff tiveram como objetivo preservar o sistema de transporte e evitar prejuízos aos passageiros. A gestão municipal também destacou ter adotado medidas em relação à UPBus.

Ex-presidente da SPTrans também é alvo

Outro nome citado na investigação é Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans e ex-secretário municipal de Mobilidade e Trânsito. Ele também foi alvo de mandado de prisão no âmbito da Operação Vectura Corrupta.

Segundo a promotoria, foram identificados encontros que teriam como finalidade tratar de interesses relacionados às empresas de transporte investigadas. Em documento citado pelo Metrópoles, o Ministério Público afirma: “Pelo que foi detectado, muito embora não seja interlocutor de Daniel, os mesmos tiveram encontros periódicos com a única finalidade de tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transportes, especialmente com a deflagração da Operação Fim da Linha, pelo MPSP”.

O Daniel mencionado no documento é José Daniel Satilite, apontado pela investigação como possível laranja em negócios que envolveriam tanto o transporte público quanto a aquisição de uma refinaria. Ele também foi incluído entre os alvos de pedido de prisão temporária.

Questionado especificamente sobre Levi dos Santos Oliveira, Nunes disse que precisava conhecer o conteúdo da investigação antes de fazer uma avaliação sobre as acusações relacionadas ao ex-integrante de sua administração.

Milton Leite nega ligação com PCC

Milton Leite afirmou que seus encontros com Levi Oliveira estavam relacionados às atribuições que desempenhou na Câmara Municipal e aos períodos em que assumiu interinamente o comando da Prefeitura. O ex-vereador nega ter participado de qualquer esquema ligado ao PCC.

Ao explicar os contatos, Leite declarou: “Eu me reunia porque era vice-prefeito e eu tive essa designação pelo Bruno Covas, em resolver a questão dos transportes”.

O político também disse que pretende se apresentar às autoridades dentro do prazo anunciado por sua defesa. “Eu vou me apresentar, eu pedi 24 horas para poder me apresentar. Não estou me escondendo não”, afirmou ao comentar o mandado expedido contra ele. O ex-vereador também declarou em outras entrevistas nesta quinta-feira que pretende contestar as acusações.

A investigação da Operação Vectura Corrupta prossegue para apurar a estrutura apontada pelo Ministério Público dentro do setor de transporte e individualizar a eventual participação de cada investigado. As suspeitas apresentadas contra os alvos ainda dependem da análise da Justiça e não representam condenações.

Fonte: Brasil 247

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