Kassab defende reforma do STF
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, defendeu mudanças nas regras para a escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a adoção de uma idade mínima e de um período de quarentena para os indicados à Corte. Em entrevista ao Valor Econômico, o dirigente partidário também avaliou que a atual instabilidade envolvendo o Supremo poderá produzir reflexos sobre a eleição presidencial.
Segundo Kassab, novos acontecimentos relacionados ao STF podem alterar o ambiente político e abrir espaço para o crescimento de uma candidatura presidencial alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
A avaliação é do dirigente do PSD e ocorre em meio às recentes controvérsias envolvendo integrantes da Corte. Kassab considera que os desdobramentos desse cenário ainda são imprevisíveis e poderão interferir na dinâmica eleitoral.
Kassab propõe novas regras para ministros do Supremo
Ao tratar do STF, Kassab defendeu uma reforma no modelo de indicação de seus integrantes.
Entre as mudanças sugeridas estão a criação de uma idade mínima para que uma pessoa possa ser indicada ao Supremo e a exigência de quarentena, mecanismo que estabeleceria um intervalo entre determinadas atividades profissionais ou políticas e a entrada na Corte.
Na avaliação do presidente do PSD, mudanças institucionais poderiam contribuir para melhorar a qualidade e o funcionamento do tribunal.
Atualmente, os ministros do STF são indicados pelo presidente da República e precisam ter sua nomeação aprovada pelo Senado Federal. A Constituição exige que os indicados tenham entre 35 e 70 anos, notável saber jurídico e reputação ilibada.
Kassab vê espaço para candidatura alternativa
O presidente do PSD também analisou os efeitos da crise institucional sobre a eleição presidencial.
Para Kassab, dependendo de novas revelações e acontecimentos, poderá surgir espaço para uma candidatura alternativa a Lula e Flávio Bolsonaro.
O dirigente evita caracterizar essa possibilidade como uma repetição da chamada “terceira via” de eleições anteriores. Segundo ele, a estratégia do PSD é apresentar ao eleitor uma alternativa à atual polarização.
O candidato apoiado pelo partido é Ronaldo Caiado. Kassab avalia que a campanha começa a ganhar maior visibilidade com o avanço do processo eleitoral e a entrada do horário gratuito de propaganda.
Rejeição de Lula e Flávio entra no cálculo
Segundo Kassab, os níveis de rejeição de Lula e Flávio Bolsonaro, próximos de 50% nas pesquisas mencionadas por ele, tornam o cenário eleitoral mais aberto.
Na avaliação do dirigente, uma disputa de segundo turno envolvendo Lula e qualquer adversário seria difícil diante da rejeição ao presidente e ao PT.
Trata-se da avaliação política de Kassab sobre a conjuntura eleitoral, e não de uma projeção do resultado da eleição.
O presidente do PSD acredita que a persistência de rejeições elevadas aos dois principais polos pode criar espaço político para outro candidato durante a campanha.
Kassab aposta no crescimento de Caiado
Kassab também rejeitou comparações entre a atual candidatura de Ronaldo Caiado e a campanha presidencial de Geraldo Alckmin em 2018.
Naquele ano, Alckmin dispunha de uma grande coligação partidária e de amplo tempo de televisão, mas terminou o primeiro turno com menos de 5% dos votos.
Para Kassab, as circunstâncias são diferentes. Ele argumenta que Caiado apresenta uma proposta própria e dispõe de uma estrutura partidária capaz de sustentar sua campanha.
O presidente do PSD aposta que a maior exposição proporcionada pela propaganda eleitoral poderá ampliar o conhecimento do candidato entre os eleitores.
Crescimento de Augusto Cury é questionado
Kassab também comentou o desempenho de Augusto Cury nas pesquisas eleitorais.
O dirigente considerou estranho o crescimento acelerado do candidato e levantou dúvidas sobre as razões de seu avanço, mencionando a possibilidade de ações digitais irregulares.
A afirmação é uma suspeita manifestada por Kassab, sem que os elementos fornecidos pelo Valor permitam tratá-la como fato comprovado.
PSD mantém apoio a Arruda no Distrito Federal
O presidente do PSD abordou ainda a disputa pelo Governo do Distrito Federal e reiterou o apoio do partido a José Roberto Arruda.
Kassab afirmou que uma eventual decisão que torne Arruda inelegível representaria, em sua avaliação, uma “violência”.
Mesmo diante das dificuldades jurídicas envolvendo a candidatura, ele indicou que o PSD pretende continuar apoiando Arruda.
Ajuste fiscal sem começar por aposentadorias e salários
Na área econômica, Kassab defendeu a necessidade de reformas e de um ajuste das contas públicas em um eventual governo de Ronaldo Caiado.
O presidente do PSD afirmou, porém, que cortes de aposentadorias e salários deveriam ficar entre as últimas alternativas consideradas.
Segundo sua visão, o governo deveria começar por uma reforma administrativa, redução de despesas e medidas de combate à corrupção, procurando melhorar a eficiência do Estado antes de atingir diretamente a renda de servidores e aposentados.
As declarações mostram que o PSD pretende combinar a candidatura de Caiado com uma agenda de mudanças econômicas e institucionais. Nesse projeto, Kassab inclui agora também uma discussão sobre as regras de composição do Supremo Tribunal Federal.
Fonte: Brasil 247