Confusão no STF aumenta incerteza eleitoral em ala da equipe econômica
Por Fábio Pupo — JOTA
A confusão instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) não deve provocar efeitos econômicos diretos, mas gera incerteza sobre a estabilidade institucional do país e sobre as consequências dos fatos para a corrida presidencial.
A visão, expressa por uma ala da equipe econômica, é que não se pode prever com certeza como a situação afeta o pleito de outubro. Mas há um receio de a sucessão de episódios na Suprema Corte respingar no desempenho do presidente Lula (PT).
A visão é que, no limite, o caso poderia gerar uma sensação de instabilidade institucional que poderia influenciar decisões de investidores – embora ainda seja cedo para sentir os impactos.
Os dados dos últimos dias mitigam a preocupação, com o Ibovespa subindo 0,5% na terça (15/9) – dia da sessão do STF repleta de embates entre os ministros. Nesta quarta (16/9), o índice caía apenas 0,13% no início da tarde.
Nos aportes de longo prazo, medidos pelo Investimento Direto no País (IDP, do Banco Central), o dado mais recente foi aferido antes do estouro da crise mais recente – iniciada em 1 º de setembro com a retirada, por André Mendonça, do sigilo da relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banco Master. O indicador mostra o ingresso de US$ 7,4 bilhões em julho de 2026, queda de 11% contra um ano antes.
Em meio à incerteza ampliada para as eleições, a equipe de Lula tem reforçado o discurso de que a economia tem apresentado bons indicadores – como em emprego, inflação e balança comercial. E reforça a necessidade de os juros baixarem, com a ajuda de um controle fiscal que não prejudique políticas públicas.
Na visão da equipe econômica, há em curso um ajuste gradual nas contas que tem dado resultados concretos, inclusive com corte de benefícios tributários e outros ajustes constantes que não chegam devidamente aos olhos dos investidores. O entendimento é que é mais justo e crível esse gradualismo do que prometer grandes cortes sem admitir que isso atingiria em cheio programas sociais e outras políticas públicas – o que, no entendimento dos aliados de Lula, seria o caso em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL).
Fonte: JOTA