Fed eleva juros pela 1ª vez em 3 anos — e isso mexe diretamente com seus investimentos

0

Por Carolina GamaSeu Dinheiro

Kevin-Warsh-Fed-Federal-Reserve.jpg

O Federal Reserve (Fed) cumpriu as apostas do mercado e anunciou nesta quarta-feira (16) a primeira alta de juros dos Estados Unidos em três anos: a taxa subiu em 0,25 ponto percentual (pp), para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano.  Sob a liderança de Kevin Warsh, a decisão do banco central norte-americano reforça o combate à inflação, elevando o custo do dinheiro na maior economia do mundo. 

O petróleo cotado acima dos US$ 100 por barril com o agravamento do conflito do Irã aumentou as pressões para que o Fed agisse — e ainda que Warsh tenha cortado o forward guidance (orientação futura) dos comunicados e das coletivas, os traders viam mais de 90% de chance de o aperto monetário acontecer hoje.  

Apesar da dualidade da decisão — que favorece a economia, já que defende o mandato duplo de inflação em 2% e pleno emprego, mas castiga os ativos mais arriscados como as ações — , o mercado parece que se acostumou com a ideia de que o banco central norte-americano subiria os juros agora e, provavelmente, mais uma vez neste ano.

Em Wall Street, as bolsas mantiveram a trajetória de alta. Por aqui, o Ibovespa se manteve operando no vermelho.

No que o investidor deve ficar de olho 

O aumento dos juros é a principal ferramenta para conter a inflação e manter a economia rodando na temperatura adequada. No entanto, não é favorável às ações de tecnologia.

Em cinco dos últimos seis ciclos de aperto monetário nos EUA, o Nasdaq — que representa cerca de 60% dos problemas de tecnologia — caiu no mês seguinte, e em quatro desses ciclos o dano piorou três meses depois.  

No entanto, em três desses casos, o índice teve um desempenho positivo seis meses depois — o melhor retorno em seis meses foi a alta de 50,3% em 1999, e a pior foi uma queda de 9,9% em 1994. 

Vale notar que se o Fed for forçado continuar subindo os juros por conta do petróleo mais caro, 1994 será o exemplo de alerta para o investidor.  

O diferencial de juros 

Para o investidor brasileiro, decisão de hoje do Fed ainda tem outra implicação: o diferencial de juros — e isso vale especialmente no caso de o Comitê de Política Monetária (Copom) cortar a Selic como o esperado, de 14% para 13,75% ao ano. 

Quando o Fed eleva os juros nos EUA no mesmo momento em que o Banco Central brasileiro reduz a Selic, o mercado financeiro global aciona o chamado efeito tesoura.  

Essa combinação encurta a distância entre a rentabilidade do investimento mais seguro do planeta — os títulos da dívida norte-americana — e o retorno oferecido pela renda fixa do Brasil.  

Como consequência direta dessa redução da distância das taxas, o prêmio pago ao investidor para encarar os riscos políticos e econômicos de um país emergente deixa de ser atraente, provocando uma repactuação das carteiras globais. 

O motor dessa dinâmica é o carry trade, uma operação em que grandes fundos tomam dinheiro emprestado a juros baixos em moeda forte e aplicam em títulos de países com juros elevados para embolsar a diferença.  

Quando o diferencial de juros encolhe e o cenário global já é de aversão ao risco, essa equação perde o sentido. O capital estrangeiro inicia um movimento de desmonte dessas posições: os investidores vendem ativos cotados em reais, compram dólares e remetem os recursos de volta para a segurança dos EUA. 

Essa debandada de capital estrangeiro desorganiza o mercado local em várias frentes. A alta procura por dólares em solo brasileiro faz a moeda norte-americana disparar frente ao real, o que pressiona a inflação por meio dos produtos importados e força os juros de longo prazo a subirem na renda fixa.  

Paralelamente, o Ibovespa perde o principal comprador e passa por correções, deixando o investidor doméstico com a missão de reavaliar seus ativos, já que a renda fixa local perde parte do brilho e a exposição ao dólar passa a ser peça central de proteção. 

O que deve acontecer com os juros

Embora o Fed não telegrafe o que vai acontecer com os juros desde que Warsh assumiu, em maio deste ano, os economistas do Morgan Stanley alteraram no início da semana a previsão de aperto monetário neste ano nos EUA, prevendo mais uma alta em dezembro.  

A tese se baseia no avanço dos preços do petróleo, na expansão inflacionária da inteligência artificial (IA) e na mudança mais ampla em direção às expectativas de aumento da taxa a partir de agora.   

“Não fazer isso arriscaria perder credibilidade e um possível aumento nos prêmios de risco de longo prazo, semelhante à reação após a reunião de julho”, disse Michael Gapen, economista-chefe do Morgan Stanley nos EUA.  

Na mesma linha, o HSBC prevê outra alta de juros em dezembro. “Em ciclos históricos de aumento de taxas, S&P 500 cai inicialmente, mas se recupera gradualmente”, afirmou Nicole Inui, chefe de estratégia de ações para as Américas do HSBC.  

“Ciclos de normalização benignos e menores (1997, 2016) normalmente apresentaram melhora no desempenho em cerca de três a seis meses após a primeira elevação”, acrescentou.  

*Conteúdo em atualização

The post Fed eleva juros pela 1ª vez em 3 anos — e isso mexe diretamente com seus investimentos appeared first on Seu Dinheiro.

Fonte: Seu Dinheiro

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *