Mensagem de Daniel Vorcaro aumenta pressão sobre Celina Leão (PP) na Câmara Legislativa do DF

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Por Kennedy CruzBrasil de Fato

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As mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre a participação da governadora Celina Leão (PP) nas negociações para a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) provocaram reação da oposição na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Durante a sessão de terça-feira (15), deputados cobraram explicações sobre a atuação da governadora e defenderam novas investigações.

A repercussão ocorreu após a Folha de S.Paulo divulgar mensagens trocadas em 2025 entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda. Na conversa, o ex-banqueiro afirmou que Celina, então vice-governadora, participou das tratativas para a compra do Master pelo BRB. Celina nega ter participado das negociações e afirma que sempre foi contrária à aquisição.

Na CLDF, o deputado distrital Gabriel Magno (PT), líder da oposição, anunciou duas medidas. A primeira foi a apresentação de um projeto de lei para revogar integralmente a Lei nº 7.845/2026, que autorizou o Distrito Federal a adotar medidas para o fortalecimento financeiro do BRB, incluindo uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões. A segunda foi o anúncio de que protocolaria uma denúncia por crime de responsabilidade, com pedido de abertura de processo de impeachment contra Celina.

“Nós estamos protocolando o pedido de impeachment da governadora Celina Leão. Ela não tem nenhuma condição moral ou política de continuar governando essa cidade. É muito grave as mensagens que vêm a público colocando a governadora no meio e no centro do processo criminoso, o maior escândalo de corrupção da história dessa cidade”, afirmou o deputado.

A representação anunciada por Magno sustenta que as mensagens atribuídas a Vorcaro devem ser apuradas no contexto das operações entre o BRB e o Banco Master. O documento reúne ainda outros dois núcleos de acusações: pagamentos que somariam R$ 1,4 milhão da Real JG Facilities à Faceng Engenharia, ligada à família de Celina, e uma relação patrimonial privada de R$ 500 mil envolvendo a governadora e um dirigente de concessionária do transporte público do DF.

Segundo o documento, a mensagem deve ser considerada elemento para investigar o eventual conhecimento da então vice-governadora sobre as negociações.

“Pode uma alegação contemporânea de participante central do Caso Master, contradizendo a versão pública da atual Governadora sobre seu conhecimento da operação, ser simplesmente ignorada quando bilhões em patrimônio do banco público foram colocados em risco? Não”, diz o pedido.

A representação argumenta ainda que a abertura do processo serviria para a produção e análise das provas, sem antecipar uma eventual conclusão sobre responsabilidade. “A denúncia deve ser recebida não porque a conclusão já esteja pronta, mas porque os documentos apresentam matéria juridicamente apta a ser submetida à instrução constitucional”, afirma o documento.

A reação também mobilizou outros parlamentares da oposição. Ainda na terça (15), o deputado distrital Fábio Felix (Psol) entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma representação com pedido de instauração de procedimento investigatório contra Celina Leão. O documento solicita a apuração de eventual conhecimento prévio, participação, influência ou interferência da governadora nas operações entre o BRB e o Banco Master. 

A representação também pede que sejam investigados possíveis vínculos, comunicações e relações de interesse entre agentes públicos do GDF, dirigentes do BRB, Daniel Vorcaro e outras pessoas citadas nas reportagens. 

“Qualquer pessoa envolvida nesse caso tem que ser investigada, especialmente os agentes políticos do DF que fizeram do BRB a pior vítima nacional desse escândalo de corrupção e querem que a população do DF pague essa conta. Isso nós não podemos tolerar e a população do DF pede justiça”, disse Fábio Felix em vídeo nas redes sociais.

Procurada pelo Brasil de Fato DF, a assessoria da governadora Celina Leão informou que não comentaria o pedido de impeachment apresentado por Gabriel Magno nem a representação entregue por Fábio Felix à PGR. O GDF também foi procurado para se manifestar sobre as iniciativas, mas não havia respondido até a publicação.

O deputado distrital Max Maciel (Psol) questionou a versão de que Celina teria ficado distante das tratativas por ocupar a Vice-Governadoria durante o período das negociações.

“Não ficou de fora, não. Isso aí é jogo para se preservar na política. A população do Distrito Federal pode estar sendo enganada na véspera da eleição. Porque a governadora, de certa forma, finge que não fazia parte do governo Ibaneis, que ela era vice-governadora eleita, ela finge que não era parte do projeto político que afundou o Banco de Brasília”, afirmou o deputado.

A cobrança por explicações também apareceu nas redes sociais de outros nomes da política do DF. A deputada federal Erika Kokay (PT) afirmou que as novas mensagens contradizem a versão apresentada anteriormente por Celina.

“Celina sempre negou envolvimento na negociação do BRB com o Master. Agora, Vorcaro confirmou que ela ‘não ficou de fora’. Era vice-governadora nas negociações e negou ter sido consultada. Foi desmentida por Vorcaro. O DF não merece mais 4 anos de tanta mentira e corrupção”, escreveu.

O ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB) também comentou o episódio. “Ela falar que não sabia de nada já era estranho, afinal, era vice-governadora. Agora a verdade está aparecendo”, afirmou.

O deputado distrital Chico Vigilante (PT), que não participou da sessão por motivos de saúde, também se manifestou nas redes sociais. “Não adianta negar. Tem que explicar, tem que investigar e tem que abrir a caixa-preta dessa negociação. O DF exige respostas”, afirmou.

Antes do anúncio sobre o impeachment, Magno apresentou o PL 2.482/2026, que propõe revogar a Lei nº 7.845/2026. A proposição foi disponibilizada pela CLDF no mesmo dia e encaminhada às comissões para análise.

Na justificativa, o projeto afirma que as informações que embasaram a autorização para o fortalecimento financeiro do BRB foram superadas por dados posteriores. O texto cita fluxo atípico de R$ 12,2 bilhões do BRB para o Banco Master e prejuízo estimado em aproximadamente R$ 17 bilhões. Também menciona a necessidade de capitalização de até R$ 8,8 bilhões e cerca de R$ 12,1 bilhões em carteira irregular ou de difícil recuperação.

Durante a sessão, Magno questionou se o crédito autorizado pelo DF seria suficiente diante dos valores apontados nas investigações. “A Celina está mentindo desde o dia em que assumiu o governo do Distrito Federal. Porque ela disse que o empréstimo de R$ 6,5 bilhões resolve o problema do BRB. Mentiu. Mentiu porque o relatório da Polícia Federal traz à tona operações entre o BRB e o Banco Master. […] O relatório complementar da Polícia Federal aumenta o valor para mais de R$ 20 bilhões”, declarou Gabriel Magno.

A justificativa do projeto também aponta a falta de uma conciliação entre as diferentes estimativas de perdas e os valores previstos para capitalização e endividamento público. “Ainda mais relevante é que não foi apresentada ao Legislativo uma conciliação auditável entre, de um lado, a estimativa investigativa de aproximadamente R$ 17 bilhões e, de outro, os R$ 8,8 bilhões de capitalização e os R$ 6,6 bilhões de endividamento público”, afirma o texto.

O projeto questiona ainda as garantias previstas na operação. Segundo a justificativa, dois imóveis foram retirados do plano, reduzindo a estimativa dos bens remanescentes de R$ 6,5 bilhões para cerca de R$ 3,6 bilhões. Somados aos R$ 6,6 bilhões do financiamento, os valores chegariam a aproximadamente R$ 10,2 bilhões.

“Isso permanece muito distante da exposição de aproximadamente R$ 17 bilhões descrita no âmbito da decisão paradigmática”, afirma o texto.

A justificativa cita ainda prestações estimadas em R$ 95,6 milhões mensais a partir de 2028, o equivalente a mais de R$ 1,1 bilhão por ano. O projeto sustenta que a revogação não impediria uma nova proposta para o BRB, mas exigiria demonstrações financeiras auditadas e informações sobre perdas, recuperação de ativos, necessidade de capital e impacto fiscal.

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Fonte: Brasil de Fato

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