Com shows lotados, Milo J lembra brasileiros que são latinos e gera pertencimento ao assumir identidade ‘marrom’

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Por Lucas SalumBrasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

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A rápida aparição de Milo J pelo Brasil foi suficiente para constatar a comoção que o cantor argentino de 19 anos gera, mesmo em território vizinho.

Toda a rivalidade com a Argentina que os brasileiros promoveram ao longo da Copa do Mundo sumiu nas noites em que ele se apresentou em São Paulo (SP) e no Rock in Rio, na capital fluminense. Camisas do Messi e da seleção argentina eram quase uniformes nas apresentações.

No entanto, mais que uma identificação com os hermanos, o que se viu nos shows, especialmente em São Paulo, quando Milo J fez apresentações solo, foi um retrato da América Latina.

A reportagem do Brasil de Fato esteve no local e conversou com fãs brasileiros, chilenos, colombianos e uruguaios que aguardavam o início do show.

O psicólogo Fábio Henrique Arevalo, indígena da região Sul do Brasil, afirmou que considera Milo J como “um primo mais novo”, demonstrando territorialidade para enfatizar a capacidade de pertencimento que o cantor gera no público. 

“Eu sinto que o que ele vivencia na Argentina eu já vivi na minha adolescência, que é o fato de sermos marrons, não brancos, e termos que ressignificar essa situação de racismo como uma potência”, explica.

Já a colombiana Luisa Ocampo cita Lélia Gonzalez e o conceito de “amefricanidade” para exemplificar o que Milo J está proporcionando.

“Ele traz Mercedes Sosa, Silvio Rodrigues… ele faz toda a integração da América Latina, ajudando a recuperar a Abya Yala”, citando o conceito que povos indígenas usam para designar a América Latina antes da chegada dos colonizadores.

Nascida no Brasil, mas descendente de argentino, Eduarda Galeno carrega no sobrenome uma referência a um dos maiores intelectuais latino-americanos.

No entanto, ela já adianta: “Não tenho nenhuma relação parental com o escritor, mas eu brinco que ele é o meu pai”, explica ao citar o pensador uruguaio Eduardo Galeano, falecido em 2015 e autor de obras como Veias Abertas da América Latina”.

Provocada sobre quem é a sua maior referência entre Milo J ou o escritor, ela pondera: “Difícil… com certeza Galeano me ensinou mais pelas minhas origens, mas foi Milo J o primeiro artista com o qual eu me identifiquei com a raiz argentina em que eu nasci. Minha família paterna é do norte da Argentina e Milo J mostra esse lado do país”.

Em entrevistas na sua rápida passagem pelo Brasil, Milo J falou sobre racismo na Argentina. “Para mim, na Argentina, a cor que vem depois do azul é o marrom”, afirmou ao podcast Pod Pah, enquanto usava um boné com o escrito “América Latina é marrom”.

“A palavra marrom é utilizada como insulto, mas estamos falando das nossas origens. E eu percebo que as pessoas estão entendendo minha reivindicação”, afirmou. 

O cantor afirma que essa mobilização gerou muito discurso de ódio dentro do país, mas “nada além do que eu já sofria por minha origem periférica”.

Camilo Joaquín Villarruel, ou Milo J, se apresentou duas vezes em São Paulo com casa cheia na Audio, zona central da capital. Antes disso, no sábado (12), fez sua primeira aparição no Brasil no Rock in Rio, também comovendo o público.

A vinda dele ao Brasil foi mobilizada pelo evento “Mucho! Ciudad Sonora”, que proporciona apresentações de cantores latino-americanos em território brasileiro.

A relação de amizade que se consolidou entre o músico argentino e o sucesso brasileiro, João Gomes, viralizou. No palco, o cantor pernambucano considerou Milo J “amigo internacional”.

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Fonte: Brasil de Fato

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