Exército faz teste bem-sucedido do Míssil Tático de Cruzeiro
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O Exército Brasileiro realizou com sucesso um teste de lançamento do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC), a primeira munição da categoria de mísseis de cruzeiro desenvolvida com tecnologia totalmente nacional. A avaliação ocorreu nas instalações do Centro de Avaliações do Exército (CAEx), localizado no Rio de Janeiro, e teve como foco principal a verificação e validação dos aprimoramentos técnicos implementados nos mecanismos de saída do projétil. A análise final das alterações efetuadas apresentou resultados positivos, segundo o próprio Exército Brasileiro.
O disparo de teste foi efetuado a partir de uma Viatura Lançadora Múltipla Universal pertencente ao Sistema ASTROS. A atividade marcou formalmente a retomada dos testes de desenvolvimento do MTC, que são conduzidos de forma gradual em diversas etapas. A operação foi acompanhada de perto por autoridades militares, bem como por equipes técnicas do Exército e da empresa Avibras Aerospacial, parceira estratégica da Força Terrestre no desenvolvimento do armamento.
Projetado para ser disparado a partir das plataformas lançadoras do Sistema ASTROS, o Míssil Tático de Cruzeiro possui capacidade operacional para atingir alvos a uma distância de até 300 quilômetros, com precisão elevada e margem de erro inferior a 30 metros. O projétil é movido por propulsão a turbina, alcança uma velocidade de cruzeiro de 870 km/h e transporta ogivas de 200 quilos. Durante todo o voo, a trajetória do míssil é rigorosamente controlada por sistemas inerciais e orientada por navegação via GPS. A mobilidade dos veículos do Sistema ASTROS garante alta flexibilidade operacional às forças armadas, enquanto as especificações da munição atendem integralmente aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.
Como o primeiro míssil de cruzeiro com tecnologia 100% brasileira, o projeto posiciona o país em um grupo restrito de nações com autonomia técnica para projetar e fabricar armamentos militares de alta complexidade. A conquista fortalece a capacidade de dissuasão regional do Brasil e abre caminho para o país atuar como exportador desse tipo de tecnologia. Do ponto de vista tático, o emprego de mísseis estratégicos de precisão minimiza danos colaterais indesejados, reduz o consumo de munição, otimiza a cadeia logística e assegura um apoio de fogo mais eficiente e aproximado.
A cooperação entre o Exército Brasileiro e a iniciativa privada para a criação do MTC teve início em 2012, integrando o plano de transformação da Artilharia da Força Terrestre. Atualmente, a iniciativa faz parte do Subprograma Artilharia de Campanha de Mísseis e Foguetes, inserido no Programa Estratégico do Exército ASTROS-FOGOS. O programa visa unificar as ações de artilharia, expandir a capacidade de apoio de fogo de longo alcance e modernizar a infraestrutura de defesa do país.
Além da frente de mísseis e foguetes, o Programa ASTROS-FOGOS engloba o Subprograma Artilharia de Campanha — voltado à modernização de sensores, comunicações, navegação e direção de tiro — e o Subprograma Sistema de Artilharia Antiaérea, focado na atualização de materiais existentes e na incorporação de novas tecnologias para a defesa antiaérea em baixas, médias e grandes altitudes.
Fonte: Brasil 247