STF mantém crise no centro da eleição e atrapalha plano de Lula de mudar de assunto

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Por Vinícius NunesCarta Capital

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Julgamento sobre Moraes prolonga tema que campanha petista tentava tirar do debate; avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas aumenta pressão por uma mudança de estratégia a menos de três semanas do 1º turno

O julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre as suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes terminou na terça-feira 15 sem entregar à campanha de Lula (PT) a mudança de ambiente que o entorno do presidente esperava. O pedido de vista de Flávio Dino interrompeu a análise e pode manter o caso em aberto por até 90 dias. Para a equipe petista, isso prolonga o assunto que Lula tenta deixar em segundo plano na eleição: a crise no STF e sua associação com Moraes.

O cálculo é particularmente incômodo porque Lula ainda não colocou toda a estrutura de campanha na rua. No primeiro mês oficial da corrida, iniciado em 16 de agosto, o presidente fez apenas 11 viagens com compromissos eleitorais. A agenda de Lula também continua dividida entre compromissos de governo e atividades eleitorais. A estratégia, segundo pessoas próximas à campanha, passa por preservar energia e exposição para a etapa decisiva da disputa, caso o presidente avance ao segundo turno.

O problema é que a eleição não está esperando a campanha começar em ritmo máximo. A pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 14 de setembro, mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 42% contra 40% de Lula em uma simulação de segundo turno. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos, mas o resultado representou uma mudança em relação ao levantamento anterior, quando Lula aparecia com 42% contra 41% do senador. No primeiro turno, o presidente ainda lidera por 36% a 31%.

O sinal de alerta veio justamente porque o movimento ocorreu quando a campanha petista pretendia reorganizar sua comunicação. A campanha avalia que o modelo adotado até aqui, mais concentrado em formatos tradicionais e na comparação entre os governos Lula e Jair Bolsonaro (PL), não produziu a reação esperada. A equipe passou a discutir uma mudança de abordagem, com maior ênfase na relação direta entre Flávio e o seu pai nos temas da pandemia, fome, desemprego e proteção do meio ambiente .

Campanha digital petista vai reforçar relação direta entre Flávio e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução redes sociais

O julgamento do STF, porém, recoloca o petismo diante de um dilema. A campanha tenta falar sobre outros assuntos, mas reconhece que a crise na Corte ocupou espaço no debate público. Ao mesmo tempo, uma reação muito agressiva de Lula contra Moraes poderia reforçar a tentativa de descolar o presidente do ministro, mas também produzir a impressão de que o candidato está apenas respondendo às pesquisas. Por isso, interlocutores defendem cautela.

A preocupação ganha outra dimensão com a agenda de debates. Lula avalia faltar nos debates previstos para 27 de setembro, na Record , e em 1º de outubro, na Globo . A estratégia é preservar a sua imagem para a reta final, mas isso pode entrar em choque com a necessidade de exposição justamente quando Flávio Bolsonaro vem ocupando mais espaço.


Vinícius Nunes

Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes. Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News.

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Fonte: Carta Capital

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