Artistas abandonam turnê de Ed Sheeran após cantor expulsar rapper Macklemore por seu apoio à Palestina

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Por Laís GouveiaBrasil 247

247 – Ed Sheeran ficou sem os artistas previstos para acompanhar as próximas etapas de sua turnê depois que Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga anunciaram a saída das apresentações. As decisões ocorreram após a retirada do rapper Macklemore da agenda, motivada por repercussões de declarações em apoio à Palestina feitas durante um show nos Estados Unidos.

Os quatro artistas comunicaram nesta terça-feira (15) que não seguiriam na turnê. Finneas estava escalado para abrir os shows de Sheeran em São Paulo nos dias 5 e 6 de dezembro. Beoga, além de participar da programação, tocava com o cantor britânico em partes das apresentações influenciadas pela música irlandesa. Outros veículos internacionais também confirmaram a saída conjunta dos artistas.

Os anúncios foram acompanhados por manifestações de solidariedade aos palestinos e críticas à retirada de Macklemore. Finneas associou sua decisão à liberdade de expressão de músicos diante de conflitos e violações de direitos.

“Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão”, escreveu Finneas, em seu Instagram.

Lukas Graham também justificou a saída fazendo referência às vítimas de guerras e à necessidade de artistas poderem se posicionar publicamente.

“Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer seja sua bandeira”, afirmou Graham.

Aaron Rowe destacou sua origem irlandesa ao anunciar que não permaneceria na programação da turnê.

“Como irlandeses, conhecemos bem até demais genocídio, fome forçada e ocupação violenta”, disse Rowe.

A banda irlandesa Beoga, que mantinha uma colaboração mais ampla com Sheeran durante os shows, também anunciou sua saída e relacionou a decisão ao histórico de atuação política do grupo.

“Somos irlandeses que entendem colonialismo. Como membros fundadores do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina, somos ativistas com compromisso pela justiça e continuaremos a ser”, publicou a Beoga.

As desistências ocorreram depois de Macklemore ser retirado das apresentações restantes da turnê nos Estados Unidos. Em 4 de setembro, durante um show no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o rapper disse “Free Palestine” (Palestina Livre) e afirmou que queria que moradores de Gaza e da Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidos. O discurso levou o Conselho Israelense-Americano a pedir sua exclusão da turnê.

Ao comentar posteriormente sua retirada, Macklemore rejeitou a ideia de que ele próprio fosse a principal vítima da situação.

“Antes de começar, quero dizer algo que deveria ser óbvio. Neste momento, acho que isso importa. Eu não sou uma vítima”, escreveu Macklemore no Instagram. “As vítimas são o povo palestino.”

Sheeran afirmou que a decisão de retirar o rapper não partiu dele, mas da promotora Messina Touring Group, diante da pressão de locais que receberiam os próximos shows. Segundo o cantor, algumas casas de apresentação indicaram que poderiam cancelar os eventos caso Macklemore permanecesse na programação.

“Não sou cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre esse conflito devastador. Só porque eu escolho não falar publicamente, não significa que eu não as tenho, e não significa que eu não ligo”, publicou Sheeran.

Até a divulgação das desistências, Sheeran não havia apresentado uma nova manifestação pública específica sobre a decisão de Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e Beoga.

A controvérsia ocorre em meio às repercussões internacionais da guerra em Gaza. Em relatório divulgado em junho, a Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas afirmou ter encontrado elementos de que forças israelenses alvejaram deliberadamente crianças palestinas e concluiu que essas ações integraram práticas que a comissão classificou como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. A comissão registrou ao menos 20.179 crianças palestinas mortas desde outubro de 2023 até o período analisado pelo documento.

O governo de Israel rejeitou as conclusões e contestou a composição, o mandato e a metodologia da comissão, além de afirmar que o relatório contém erros e omissões.

Com a sequência de desistências, a repercussão iniciada pela retirada de Macklemore passou a atingir diretamente a estrutura artística das próximas apresentações da turnê de Sheeran, que tem compromissos programados até dezembro.

Fonte: Brasil 247

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