Sobrecarga: pesquisa mostra que 59% dos profissionais de marketing trabalham fora do expediente
Por Allan Ravagnani — Carta Capital
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Pesquisa com 200 profissionais do setor revela jornadas estendidas, urgências semanais e insatisfação com reconhecimento e salário
A sobrecarga já não é exceção na rotina de quem trabalha com marketing. Seis em cada dez profissionais do setor emendam tarefas fora do horário comercial, e quase um quinto vive esse ritmo praticamente todos os dias, segundo levantamento com 200 profissionais de marketing e vendas.
O horário estendido divide espaço com outra pressão constante. 65% dos profissionais recebem demandas urgentes semanais, número que ultrapassa os períodos de campanha e lançamento, tradicionalmente os mais intensos para a área.
Apenas 16% afirmam nunca ou quase nunca ultrapassar o expediente. Já 24,5% concentram as horas extras justamente nesses picos de calendário, o que reforça o padrão de jornada estendida.
O resultado é uma rotina com pouca previsão, moldada por prazos que mudam de uma hora para outra.
Para Renan Caixeiro, cofundador e CMO da Reportei, plataforma responsável pelo levantamento, o problema tem raiz na gestão do tempo. “Viver em estado de ‘apagão de incêndio’ constante neutraliza qualquer planejamento. A falta de previsibilidade na rotina é um reflexo da maturidade dos processos, além de ser um problema de gestão do tempo. Quando a urgência vira regra, a eficiência vira exceção e a estratégia fica em segundo plano”, afirma Caixeiro.
Segundo ele, empresas que normalizam a urgência perdem capacidade de planejamento a médio prazo.
Questionados sobre reconhecimento, 41,5% dos profissionais dizem se sentir valorizados apenas em parte. Outros 35,5% se consideram pouco valorizados e 13,5% relatam não receber nenhum tipo de reconhecimento. Somente 9,5% avaliam que o trabalho recebe valorização total.
A percepção aparece também nas experiências recentes. No último ano, 54,5% não receberam nenhum tipo de reconhecimento. Do restante, 19% tiveram retorno financeiro, como aumento ou bônus, 14,5% receberam retorno não financeiro, como elogio ou promoção, e 12% tiveram os dois formatos combinados.
A remuneração segue como outro ponto de atrito. Do total de entrevistados, 37% se dizem parcialmente satisfeitos com o salário e 31% avaliam receber abaixo do esperado. Outros 19,5% se consideram mal remunerados e afirmam já ter cogitado trocar de área por esse motivo. Apenas 12,5% se avaliam bem pagos.
Para Caixeiro, a combinação entre demandas urgentes, horas extras, baixo reconhecimento e insatisfação salarial afeta a capacidade das empresas de reter profissionais em um setor pressionado por resultado, velocidade de entrega e adaptação a novas ferramentas.
“O grande risco do mercado hoje é encarar a produtividade apenas como volume de entregas. Reter talentos hoje exige recalibrar a relação entre esforço e recompensa. Se não estruturarmos processos sustentáveis e reconhecimento alinhados às novas exigências do setor, perderemos profissionais qualificados em um momento onde o mercado mais precisa de pessoas com inteligência estratégica”, defende Caixeiro.
Enquanto a urgência seguir tratada como regra, a sobrecarga tende a continuar parte do dia a dia do setor de marketing.
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Fonte: Carta Capital