Talíria Petrone defende voto em Lula: “só ele pode impedir a volta do fascismo ao poder”

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) defendeu o voto no presidente Lula (PT) nas eleições deste ano durante entrevista ao programa 22 Horas, da TV 247. Ao comentar o cenário eleitoral, a parlamentar afirmou que a escolha entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) ultrapassaria a preferência pessoal pelo atual presidente e envolveria, em sua avaliação, uma disputa sobre a preservação da democracia.

“Não precisa gostar de Lula para compreender a gravidade que está colocada”, afirmou Talíria, ao ser questionada sobre a última pesquisa Quaest que mostra Flávio Bolsonaro à frente do atual presidente em um eventual segundo turno. Na sequência, disse considerar que a eleição de Lula seria, em sua avaliação, a forma de impedir a volta da extrema-direita à Presidência.

A deputada também fez críticas à atuação de setores do Judiciário e defendeu que os Poderes atuem de maneira independente. Ao abordar o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que considera inadequada uma atuação política de ministros, especialmente durante um ano eleitoral. Segundo Talíria, as instituições deveriam ter como parâmetro a defesa da democracia.

“A única pessoa que pode impedir”

O momento de maior ênfase na defesa do voto em Lula ocorreu quando Talíria relacionou sua avaliação sobre Flávio Bolsonaro ao cenário eleitoral. Segundo ela, independentemente da preferência individual pelo presidente, seria necessário considerar o que chamou de “relação intrínseca” entre o candidato adversário e episódios envolvendo crime organizado e corrupção.

“A única pessoa que pode impedir Flávio Bolsonaro de vencer as eleições e trazer o fascismo de volta ao poder é o presidente Lula”, declarou. A deputada acrescentou que, por isso, a discussão eleitoral deveria ir “muito para além” de gostar ou não do atual presidente.

Feminicídio e políticas para mulheres

A entrevista também abordou a violência contra as mulheres. Talíria classificou o feminicídio como uma “chaga” brasileira e defendeu políticas públicas de prevenção e acolhimento. Segundo ela, a violência letal seria apenas a “ponta do iceberg” de uma sequência de falhas e ausências do Estado.

A deputada citou iniciativas relacionadas à divulgação do Ligue 180 e à ampliação de estruturas de atendimento às mulheres vítimas de violência. Também mencionou sua atuação em torno do chamado Pacto Brasil contra o Feminicídio.

Economia do cuidado e trabalho

Outro eixo da entrevista foi a chamada economia do cuidado. Talíria defendeu que o trabalho doméstico e de cuidado, realizado majoritariamente por mulheres e muitas vezes sem remuneração, seja reconhecido como uma questão econômica e de direitos.

Ela citou a política e o Plano Nacional de Cuidados e defendeu a ampliação de estruturas como as “cuidotecas”, além de políticas voltadas para idosos e pessoas com deficiência. Na avaliação apresentada pela deputada, o compartilhamento das responsabilidades de cuidado entre Estado e famílias poderia ampliar o tempo disponível para que mulheres estudem, trabalhem e busquem melhores oportunidades profissionais.

Talíria também destacou sua defesa do fim da escala 6×1. Segundo ela, a jornada atinge especialmente trabalhadores que acumulam trabalho remunerado e responsabilidades domésticas. A deputada afirmou ainda que novas tecnologias deveriam contribuir para reduzir a jornada e ampliar o descanso dos trabalhadores, em vez de servir à concentração de riqueza.

Direitos de trabalhadores de aplicativos

A parlamentar citou ainda propostas relacionadas aos trabalhadores de aplicativos, entre elas um projeto que prevê crédito para alimentação de entregadores após determinado período de trabalho. Também mencionou uma proposta voltada à proteção desses trabalhadores diante de eventos climáticos extremos, como enchentes e chuvas intensas.

Candidata à reeleição, Talíria Petrone atualmente integra, entre outras, a Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial e a Comissão Especial sobre Regulamentação dos Trabalhadores por Aplicativos. A deputada retomou a ideia de continuidade de seu trabalho no Congresso e afirmou que pretende permanecer atuando em pautas relacionadas aos trabalhadores, às mulheres e às pessoas com deficiência. 

Ao fazer um balanço de sua trajetória política, Talíria voltou a defender a continuidade do governo Lula. “Quero muito seguir ajudando o presidente Lula a governar”, afirmou. Em seguida, declarou acreditar que um eventual quarto mandato de Lula “tende a ser o melhor dos seus governos” e disse esperar participar dessa frente política.

Fonte: Brasil 247

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