Flávio Bolsonaro vai usar falas de Mendonça e Fux na campanha eleitoral: “PF paralela” e “arapongagem”
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende incorporar ao discurso eleitoral as críticas feitas por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) à atuação da Polícia Federal durante a sessão desta terça-feira (15), que tratou das mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro e atribuídas a Alexandre de Moraes.
Segundo O Globo, auxiliares do candidato avaliam que falas de André Mendonça e Luiz Fux sobre “PF paralela”, “desvios de finalidade”, “arapongagem” e integrantes da corporação que teriam “peitado” ministros do Supremo reforçam uma linha já explorada por Flávio: a acusação de uso político da Polícia Federal.
A avaliação da campanha é que, por terem sido feitas dentro do próprio STF, as declarações podem dar novo peso ao discurso do senador contra a corporação. A orientação é recuperar trechos da sessão e utilizá-los em agendas públicas, peças de comunicação e manifestações do candidato nos próximos dias.
As críticas mais duras partiram de André Mendonça e Luiz Fux. Durante o julgamento, Mendonça afirmou que haveria uma estrutura paralela dentro da Polícia Federal e acusou integrantes da corporação de monitorar ministros da Corte.
“Nós temos hoje uma PF paralela, uma PF paralela, com monitoramento de ministros. Não pense que Vossa Excelência está salvo, não, ministro”, disse Mendonça.
Fux também questionou a atuação da PF ao defender medidas tomadas pela Segunda Turma no caso. O ministro afirmou que o colegiado havia identificado “desvios de finalidade” na atuação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e disse que a instituição não poderia atuar contra o Judiciário.
“Sou juiz há 50 anos, a Polícia Federal sempre trabalhou em prol do Poder Judiciário. O que não pode é a Polícia Federal trabalhar contra o Poder Judiciário e instrumentalizar pessoas para sustentar posições contra o Poder Judiciário”, afirmou Fux.
Em outro momento, Fux disse nunca ter visto a corporação “peitar” um ministro do Supremo e afirmou que a situação poderia abrir espaço para uma estrutura voltada à “arapongagem” contra integrantes da Corte.
“Eu nunca vi a Polícia Federal peitar um ministro do Supremo Tribunal. Nós entendemos que aquilo representava uma anomalia e ia contaminar todos os julgamentos com relação a fatos graves noticiados e, mais ainda, criar ali uma agência própria que vai se dedicar à arapongagem contra ministro do próprio tribunal federal”, declarou.
A campanha de Flávio pretende explorar justamente o fato de as críticas terem sido feitas durante uma sessão do Supremo. O senador já vinha acusando a PF de instrumentalização política. Na semana passada, durante agenda em Juiz de Fora (MG), falou em um “tapetão” contra sua candidatura e afirmou que a corporação estaria sendo usada politicamente.
Flávio voltou a fazer acusações semelhantes após a operação que atingiu pessoas ligadas à investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para integrantes da campanha, as falas de Mendonça e Fux permitem agora associar essa narrativa a questionamentos levantados por ministros da própria Corte.
O plenário do STF, porém, não adotou uma posição uniforme sobre a Polícia Federal. Gilmar Mendes saiu em defesa da direção da corporação e criticou a decisão de Mendonça que havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. O decano classificou a medida como um “vexame” e comparou o afastamento do diretor-geral da PF à retirada do comandante do Exército.
Alexandre de Moraes também defendeu a corporação durante um dos embates com Mendonça. Ao rebater as acusações sobre a atuação da PF, perguntou “Quem tem medo da Polícia Federal?” e acusou o colega de ter pressionado integrantes da instituição para que seu nome fosse incluído na investigação. Mendonça negou a acusação.
Apesar da divisão entre os ministros, aliados de Flávio avaliam que as manifestações críticas já são suficientes para alimentar a comunicação eleitoral do candidato. A crise no Supremo passou a ocupar espaço crescente na campanha do senador, que nesta terça-feira levou o embate envolvendo Moraes ao horário eleitoral na televisão.
Mesmo em agenda em Fortaleza, no início de um giro pelo Nordeste, Flávio recebeu de auxiliares atualizações sobre o julgamento e sobre as falas dos ministros. A campanha considera que o tema pode ajudar a manter mobilizado o eleitorado do candidato e sustentar críticas a Moraes e à Polícia Federal na reta final antes do primeiro turno.
Fonte: Brasil 247