Cuba diz que pressão dos EUA fracassará
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O governo cubano sustenta que a pressão econômica dos Estados Unidos não provocará uma mudança do sistema político nem levará o país a abrir mão de sua soberania, apesar dos efeitos do bloqueio sobre o fornecimento de energia, o abastecimento de água, o transporte e o funcionamento dos hospitais. As informações são da teleSUR.
A posição foi apresentada pelo vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, durante uma entrevista ao podcast Breaking Points. O diplomata afirmou que a estratégia de Washington busca agravar as dificuldades enfrentadas pela população para estimular o descontentamento contra o Estado cubano.
“Fracassarão completamente”, declarou Fernández de Cossío ao comentar os planos atribuídos aos Estados Unidos para sufocar economicamente a ilha e forçar uma alteração no sistema político cubano.
Pressão não fará Cuba renunciar à soberania
Segundo o vice-chanceler, a política norte-americana tem consequências diretas sobre as condições de vida no país, mas não será capaz de provocar o colapso do governo. Ele também afastou a possibilidade de as autoridades cubanas aceitarem a interferência de Washington em troca do fim das restrições econômicas.
A pressão, afirmou o diplomata, não fará com que as autoridades digam: “Ok, renunciamos à nossa soberania e dizemos ao governo dos EUA para vir e fazer o que quiser”.
Fernández de Cossío avaliou ainda a possibilidade de Washington tentar aplicar contra Cuba uma estratégia semelhante àquela que foi empregada em relação à Venezuela. “Eles tentarão e fracassarão”, respondeu.
O vice-ministro acusou o governo norte-americano de buscar deliberadamente uma deterioração das condições sociais capaz de produzir uma “crise humanitária”. Na avaliação apresentada por ele, o objetivo seria transformar as dificuldades da população em instrumento de pressão política contra o governo cubano.
Apagões afetam água, transporte e hospitais
Entre as consequências mais graves do bloqueio estão as dificuldades para importar combustível e manter o sistema elétrico em funcionamento. Segundo Fernández de Cossío, parte da população cubana dispõe de eletricidade por apenas duas ou três horas ao dia.
A escassez de energia também afeta o bombeamento de água, o transporte e os serviços hospitalares. O diplomata chamou atenção para situações consideradas críticas em salas de cirurgia e em unidades que atendem recém-nascidos dependentes de equipamentos de suporte vital.
“Lidar com o calor, especialmente no verão, quando se tem apenas duas ou três horas de eletricidade, pode levar a semanas sem abastecimento de água, pois, devido à falta de energia ou eletricidade, a água não é bombeada”, afirmou.
De acordo com o vice-chanceler, as restrições norte-americanas também dificultam a compra de painéis solares fabricados na China. Ele afirmou que Washington “se recusa a vendê-los para Cuba”, em uma tentativa de retardar a transição do país para fontes renováveis de energia.
Cuba contesta ajuda humanitária dos EUA
Fernández de Cossío também questionou os anúncios de assistência humanitária feitos pelos Estados Unidos. Segundo ele, os valores divulgados cobrem somente uma parcela reduzida das necessidades da população e não incluem produtos considerados essenciais, como medicamentos e leite em pó.
O governo cubano classifica as restrições como uma forma de punição coletiva, argumentando que elas violam o direito internacional e comprometem os direitos humanos da população. As autoridades da ilha sustentam que a política norte-americana não pretende estimular mudanças democráticas, mas impor uma mudança de regime por meio do desgaste econômico e social.
Reformas ampliam espaço do setor privado
Paralelamente às críticas contra o bloqueio, Cuba prepara um conjunto de reformas econômicas voltado à ampliação do papel do mercado, ao fortalecimento do setor privado e à criação de novas oportunidades para investidores.
Fernández de Cossío definiu o processo como a transformação econômica mais profunda conduzida pelo país desde a década de 1960. As medidas são apresentadas pelo governo como parte de uma tentativa de adaptar a economia cubana às dificuldades internas e externas sem abandonar a soberania nacional.
A implementação das reformas ocorre em meio ao aumento da pressão dos Estados Unidos sobre setores estratégicos, como energia, finanças e mineração. Apesar da deterioração das condições econômicas e dos serviços essenciais, o vice-ministro reiterou que Cuba não aceitará uma solução política determinada por Washington.
Fonte: Brasil 247